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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007

Hora biológica

A Comissão Permanente da Hora, com sede no Observatório Astronómico, é a entidade consultada pelo Governo para se decidir a mudança de hora, mas o seu poder é facultativo, porque “esta é uma decisão da Comissão Europeia”.

O subdirector do Observatório Astronómico referiu, no entanto, que a mudança de hora não agrada a todos. “Quem tem actividades que dependem do sol prefere que a hora mude, mas quem, por exemplo, trabalha na bolsa ou com o comércio internacional o horário central europeu é a melhor opção”.

Portugal apenas uma vez, em 1992, não mudou os ponteiros dos relógios, quando o governo do então primeiro ministro Cavaco Silva decidiu por decreto-lei não atrasar os relógios para a Hora de Inverno e continuar a adiantar os ponteiro uma hora em Março, sem consultar a Comissão da Hora. “Os portugueses andavam às avessas com o sol, porque o dia nascia quando a actividade laboral e estudantil se encontrava a trabalhar há algumas horas, o que implicava maior consumo de energia durante a manhã”.

Segundo a EDP, “a mudança da hora não trás vantagens nem inconvenientes” para os consumos. Para a empresa, quando a hora é mudada, “não se verificam alterações de consumos na casa dos portugueses, nem na iluminação pública, porque é comandada por célula fotoeléctrica”.

Mas para alguns portugueses a adaptação ao novo horário é uma dura realidade. O não poder aproveitar o fim da tarde numa esplanada para relaxar, ou dar um passeio e o facto de se chegar a casa com a sensação de que é muito tarde e já não há luz para aproveitar o resto do dia, traz a sensação de que o dia é menos rentável.

“É como viver um jetlag, porque há uma descoordenação de hábitos”, explicou uma médica especialista do sono. “Vai ter efeitos diferentes se a pessoa é matutina ou vespertina”, acrescentou. Os portugueses vão despertar com maior claridade, sem ter de ligar as luzes, mas regressar a casa de noite, depois de um dia de trabalho ou de escola. “Isto é um problema sobretudo para as crianças, que se levantam muito cedo e chegam a casa de noite”, confirmou a neurologista.

No entanto, para a especialista “bastam 48 horas” para o corpo, biologicamente, se adaptar à nova realidade. “O mau estar nos primeiros dias após a mudança de hora é normal, porque as pessoas estão a habituar-se às diferenças de luz”, explicou a especialista. Para além disso, há a sensação de que há a necessidade de acender as luzes mais cedo e usar mais tempo a luz artificial.

 

Ver Lusa doc. nº 7629270, 24/10/2007 - 12:08

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publicado por Sobreda às 00:37
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