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Quinta-feira, 1 de Novembro de 2007

Barreiras e rotundas na 2ª circular

A estrutura viária é um dos elementos fundamentais da organização e forma de uma área urbana. A hierarquia da rede viária é função da sua qualidade - principal ou distribuidora, ou secundária ou local. Ressalta ainda, como qualidade de uma rede viária, a topografia, a exposição ao sol e aos ventos dominantes, a presença de indústria ou de habitação (tipo de ocupação do território), o fluxo previsto e as expansões.

Ao abordar-se a mobilidade, deve ser incluída a proposta de circulação pedonal, de ciclovias, de circulação automóvel e de transporte pesado. Estas últimas geram fluxos de poluições sonora e atmosférica, de tempo gasto em deslocações, stress, insegurança, incidentes, acidentes e conflitualidade social.

Na definição de uma nova via implica considerar focos de poluições, segurança e isolamento, cortando o território e gerando novos hábitos e necessidades que geram isolamento e até segregação social. Para se atravessar uma via rápida, é normalmente necessário percorrer distâncias quase sempre superiores.

No caso da 2ª circular, esta via funciona como um muro, não só de carácter físico ‘obstáculo’, efectivamente é intransponível na sua grande parte, mas também como barreira de poluição sonora e atmosférica. Basta observar a orientação dos edifícios - ou voltados de costas para a circular ou protegidos por barreiras acústicas que acentuam ainda mais o carácter de barreira.

A 2ª Circular tem génese no Plano Geral de Urbanização de Lisboa do arquitecto e urbanista Meyer-Heine de 1967 (publicado em 1977). As estatísticas mostram que ao longo do seu traçado a população residente decresceu cerca de 15% entre 1991 e 2001. As freguesias com aumento populacional são a Encarnação (3,8%), o Lumiar (6,5%), a Charneca (9,8%) e Carnide (28,6%).

Há quem proponha que a 2ª circular seja transformada em via de circulação local devido a três factos em prospectiva: a (eventual) saída do Aeroporto da Portela, a entrada em funcionamento do (deficiente) Eixo Norte/Sul, o (futuro) fecho da CRIL. Parte-se do pressuposto que a conclusão destas três obras viria reduzir o volume de circulação automóvel que hoje utiliza a 2ª circular para atravessamento da cidade e eliminar quase todo o tráfego com destino ao aeroporto 1. Actualmente não é essa a realidade 2.

Como alternativa viária, a transformação da 2ª circular em via de circulação local poderia vir a permitir um outro tipo de escoamento do trânsito local, conseguido através do nivelamento de alguns cruzamentos com, por exemplo, a criação de rotundas.

Nós continuamos a apostar na entrada em funcionamento de uma Autoridade Metropolitana que reorganize eficazmente a intermodalidade entre os transportes públicos.

 

1. Ver http://arquitecturacidade.blogspot.com/2007/10/2-circular-de-lisboa-mobilidade-e.html

2. Ver http://cdulumiar.blogs.sapo.pt/148675.html

publicado por Sobreda às 03:36
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