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Transcrevemos o artigo com o título "Avanço do betão sobre o verde revolta moradores" publicado no JN de hoje, dia 31 de Janeiro. A notícia reporta-se a Telheiras e à apresentação pública da versão editorial da tese de mestrado da Ana Contumélias, que terá lugar às 18 horas na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, e que aqui transcrevemos.
A caixa jornalística alerta que os «residentes acusam responsáveis pelo Urbanismo da Câmara de má gestão ambiental e desrespeito pela qualidade habitacional».
E continua... «Betão que cresce a um ritmo desenfreado e espaços verdes de qualidade que não passam do papel. Um cenário que contrasta com a mítica ideia de "aldeia na cidade" que envolve o bairro de Telheiras, e que Ana Contumélias, da Associação de Residentes de Telheiras (ART), retrata no seu livro "Um Quadradinho de Verde na Aldeia de Telheiras", que hoje é apresentado ao público.
"Nos últimos 20 anos, Telheiras cresceu pelas mãos da EPUL, a partir da promessa de que seria uma refúgio à vida da cidade e o regresso ao ambiente rural das antigas aldeias de Lisboa". Uma promessa que na opinião dos moradores "não foi cumprida".
De acordo com a representante da ART, "há mais de dez anos que os residentes têm vindo a pedir para que não sejam destruídos os espaços verdes que relembram as raízes rurais de Telheiras". "Pedimos para que sejam construídas hortas e jardins comunitários, onde todos possam aprender e onde possamos educar as nossas crianças", afirmou ao JN.
Ana Contumélias acusa administradores e responsáveis pelo urbanismo de má gestão ambiental e de desrespeito pela qualidade habitacional "O objectivo é urbanizar. E na perspectiva destes responsáveis urbanizar é construir em todos os terrenos livres, sem respeitar qualquer princípio de sustentabilidade".
A representante da ART dá o exemplo "A Quinta de Sant'Ana, que em tempos foi um vasto terreno cultivado, foi 'requalificada'. Hoje é um espaço verde, urbano e pobre em termos ambientais. Tornou-se muito mais dispendioso em manutenção, do que tivessem sido construídos no local campos de cultivo e jardinagem, que seriam entregues aos residentes e às escolas ", afirma. "Foi apenas deixado um pequeno espaço destinado ao projectado Garden Center: uma opção comercial que deixa totalmente de lado a ideia de construção de um espaço verde comunitário", destaca a representante dos moradores.
Para muitos residentes, "a transformação da Quinta de Sant'Ana foi um episódio triste e fonte de desalento". "Muitas das pessoas que tinham disponibilidade e que se mostravam animadas com o facto de poderem cultivar os seus alimentos deixaram de acreditar no projecto", conclui a representante da ART.
Promessas adiadas
Apesar dos vários projectos apresentados pelos órgãos da Câmara Municipal de Lisboa (CML), os moradores continuam descontentes. De acordo com a associação dos residentes "é inadmissível que se apresentem planos para desenvolvimento de zonas rurais, quando não há vontade para os pôr em prática". Ana Contumélias acusa os responsáveis pelo urbanismo de só pensarem na rentabilização, esquecendo-se da prometida 'aldeia dentro da cidade'. "Nem foi para a frente o projecto das hortas no espaço abandonado entre a escola nº 57 e o jardim de infância, nem sequer um clube de jardinagem que já tinha 70 inscritos". Fonte da CML garantiu, no entanto, ao JN que "o projecto de criação da hortas não está esquecido e será desenvolvido em colaboração com a EPUL". Só não adiantou foi data para o arranque.»*
Para além do conteúdo da entrevista ao JN, resta acrescentar que decorreu entretanto, entre os moradores, a recolha de assinaturas, em abaixo-assinado, contra a ameaça de novas construções na Quinta de Sant'Ana, as quais foram oportunamente entregues aos órgãos do município. Mas como os responsáveis pelo Urbanismo da Câmara têm andado mais direccionados para outro tipo de (má) gestão ambiental e "desrespeito pela qualidade habitacional", com tentativas de venda do património histórico e cultural da cidade, como é o caso da Quinta da Nª Srª da Paz, no Paço do Lumiar, os munícipes e a as suas associações - como a Associação de Residentes de Telheiras - sabem que não podem cruzar os braços.
Pois é verdade Ana, "um quadradinho de verde na Aldeia de Telheiras" não é, com toda a certeza, nem uma metáfora, nem uma utopia. Porque, numa perspectiva de desenvolvimento são e sustentável, o sonho continua a comandar a vida...
* Raquel Isidro e Bruno Castanheira, JNotícias, 2007-01-31.
IN: http://jn.sapo.pt/2007/01/31/sul/avanco_betao_sobre_o_verde_revolta_m.html
Na sequência de um Despacho do Ministério da Educação, preconizando a implementação de um programa de enriquecimento curricular para o 1.º ciclo do ensino básico da rede pública e de apoio à família, e para responder às necessidades dos munícipes, o Pelouro da Criança e Educação da Câmara Municipal de Lisboa afirmou ter celebrado protocolos com diversas entidades “de reconhecido mérito” para o desenvolvimento das Actividades de Enriquecimento Curricular a prestar aos alunos do 1.º ciclo do ensino básico dos Agrupamentos de Escolas da Rede Pública da cidade de Lisboa.
Neste sentido, nas reuniões de Câmara de 15 e 29 de Novembro de 2006, o executivo decidiu propor e atribuir a uma dessas entidades, a ‘ACIS - Aprender a crescer’, duas transferências de verbas para apoiar o desenvolvimento das referidas Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC), no valor de 48.685,50 € e 30.509,60 €, respectivamente.
Porém, passados dois meses, mais concretamente no passado dia 22 de Janeiro, a ACIS decidiu deixar de prestar, “as actividades de enriquecimento curricular que desempenhava em escolas de Lisboa - incluindo aulas de cidadania e prolongamento de horários - devido a falta de pagamento dos serviços pela CML”.
E foi à porta do Jardim Infantil do Alto do Faia, em Telheiras, que dezenas de pais ficaram a saber uns pelos outros que os colaboradores que asseguram as ATL daquele estabelecimento continuavam sem receber os respectivos vencimentos desde Setembro de 2006. Os funcionários ficaram em autogestão após a direcção da ACIS ter cumprido as suas ameaças de suspensão, caso não fosse saldada a dívida em causa. Da CML nem uma explicação prévia.
Incrédulos, os pais perguntam porque "os funcionários que acompanham os nossos filhos estão sem receber? Amanhã podemos trazer os meninos?". O receio de que ficassem privados de local onde deixar as crianças, nos dias seguintes, levou mesmo os pais a permanecer, até ao princípio da noite, junto ao estabelecimento, a fim de obterem a garantia de que os funcionários assegurariam as ATL, excepcionalmente, até ontem, dia 26 de Janeiro. E depois desta data, o que vai acontecer às crianças?
Na origem do descontentamento generalizado de monitores e encarregados de educação estará uma alegada dívida da Câmara à entidade ACIS que contratou aqueles funcionários e com a qual o município protocolou o desenvolvimento das ATL e das chamadas AEC em 27 escolas e jardins-de-infância da capital, abrangendo um universo de quase 2300 alunos.
Do lado do gabinete do vereador a ‘explicação administrativa’ é a de que «os pagamentos não se efectuaram porque a instituição não apresentou a publicação em Diário da República dos seus estatutos, nem o relatório de actividades relativo ao primeiro trimestre, como estava previsto nos protocolos». Acrescenta-se que o protocolo com a ACIS não só já teria sido rescindido, como uma outra entidade, a AJEC, iria assumir as actividades, podendo vir a incorporar os profissionais em questão.
Os monitores afirmam terem sido ameaçados para ficarem, caso quisessem receber os ordenados em atraso. Para os pais, é difícil “acreditar que a Câmara prejudique as crianças". Só que a realidade é mesmo essa. Trata-se de prioridades para a gestão camarária da capital.
Para quem não tenha estado atento, a Câmara decidiu com a Proposta nº 518/2006, e exactamente na mesma reunião de 15 de Novembro em que atribuía a primeira parcela de apoio à ACIS, uma repartição de encargos à João Lagos Sport, Gestão de Eventos, S.A, bem como a isenção de pagamento de taxas municipais, aprovando a transferência de 400 mil euros para comparticipação no apoio à promoção turística da 29ª edição do Rali Lisboa-Dakar.
Exemplo como este viria a significar, sabemo-lo hoje, que a CML, num momento em que tanto se valoriza a segurança rodoviária e em que os recursos petrolíferos estão rapidamente a exaurir-se, esteve mais interessada em rapidamente financiar com centenas de milhares de euros o Rali Lisboa-Dakar do que garantir as necessidades educacionais das crianças e das suas Actividades de Enriquecimento Curricular. E será que também ‘administrativamente’ se preocupou com, e exigiu, a publicação no Jornal Oficial dos estatutos e do relatório de actividades da organização do Rali?
Afinal o que é prioritário para esta Câmara? A sua promoção turística no estrangeiro ou o apoio aos equipamentos escolares e à educação? O ensino dos nossos filhos ou a exaltação das provas automobilísticas? Será que as crianças acabaram por ficar em dívida com o referido Rali e tiveram de o ajudar a saldar?
Faço aqui a divulgação: