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Domingo, 18 de Março de 2007

Deficiências em voo rasante

Os principais problemas apontados por um relatório da Navegação Aérea de Portugal (NAV), a empresa que gere o espaço aéreo nacional, alerta para que a capacidade de um eventual aeroporto na Ota se poderá esgotar ao fim de 13 anos, que o espaço aéreo do novo equipamento colide com o da base militar de Monte Real e que a capacidade máxima da infra-estrutura poderá ficar abaixo do número de 80 movimentos por hora que o Governo deseja.

Um professor do Instituto Superior Técnico, especialista em Sistemas de Transporte, diz que não está surpreendido com os problemas apontados pela NAV porque as falhas já eram espectáveis e que há um ano, numa conferência sobre o novo aeroporto, tinha alertado para os possíveis problemas de navegação, resultantes da orografia do terreno e da proximidade da base militar de Monte Real, onde estão sediados os F16.

De imediato, o ministro das Obras Públicas veio defender que o estudo da NAV apenas serve para resolver os "pequenos problemas" (?) que forem surgindo. Também a Naer veio afirmar, em comunicado, que a decisão de construir o novo aeroporto na Ota "tornou imperativos os estudos de reconfiguração da gestão do espaço aéreo nacional civil e militar". Quase em simultâneo, a NAV veio esclarecer que o estudo entregue à Naer em meados de Fevereiro apenas (?) apontava constrangimentos, que uma comissão com elementos da NAV, da Naer e da Força Aérea iria discutir esses problemas e que "qualquer localização tem de passar pelo crivo do ordenamento aéreo e em qualquer escolha há constrangimentos e obstáculos a ultrapassar".

O ministro confirmou que será criado um "grupo de trabalho com o Ministério da Defesa, envolvendo a Força Aérea, para resolver a compatibilização entre tráfego aéreo civil e militar", mas não respondeu, porém, por que é que um par de dias antes havia negado num canal televisivo ter conhecimento da existência de qualquer relatório técnico que apontasse problemas ao aeroporto da Ota 1.

Recorde-se que, actualmente, o aeroporto de Lisboa se encontra em obras de expansão, avaliadas em 380 milhões de euros, de modo a aumentar a sua capacidade dos actuais 10 milhões de passageiros/ano para os 16 milhões em 2010 2. Donde, ao se reequacionar a capacidade de resposta da Portela, parece desnecessário fugir ou criar polémicas. Seria isso sim bem mais importante, sopesar a relação custo/benefício daquele novo investimento e ter a certeza de que ele vai efectivamente beneficiar uma economia com debilidades e não enfraquecê-la ainda mais.

No entanto, o que parece tornar-se evidente é que as mais recentes bem como as anteriores deficiências entretanto detectadas para o futuro aeroporto parecem estar a ser sufocadas por voos rasantes.

1. “Estudo técnico da NAV aponta deficiências à Ota” por Mariana Oliveira, com C.V. e F.F., Público 2007-03-18

2. Ver o URL http://cdulumiar.blogs.sapo.pt/12531.html

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publicado por Sobreda às 23:57
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