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CDU LUMIAR

Blogue conjunto do PCP e do PEV Lumiar. Participar é obrigatório! Vê também o sítio www.cdulumiar.no.sapo.pt

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Eu vi um sapo !

Sobreda, 04.02.08
O Ministério da Educação está prestes a aprovar o fim do ensino público especializado das Artes do Espectáculo (música, teatro, dança, etc.) em Portugal, por meio do fecho de todos os Conservatórios, tanto o Nacional como os Regionais. No caso da Escola de Música do Conservatório Nacional (EMCN), uma escola que existe há já 175 anos e tantos compositores e músicos reconhecidos se formaram, a ameaça imediata é o fecho para a maior parte dos seus alunos.
Não só o ensino mas também a cultura em Portugal fica em risco. Nunca o nosso país se mostrou tão vanguardista quanto agora. Dir-se-ia até que o (des)Governo do nosso país é o mais perfeito objecto de arte contemporânea: nunca, até agora, os políticos deste planeta vestiram tão surpreendentemente o papel de actores de artes performativas, criando verdadeiros ‘happenings’ dialécticos, verdadeiras demonstrações de surrealidade e grandes demonstrações de demagogia ludibriantemente hipócrita, ignorante e non-sense.
Haja por isso, antes de mais, aplausos. É que o Ministério argumenta pretender alargar a música a todas as crianças do primeiro ciclo (mais de um milhão e meio de alunos), que terão talvez (e já com muito sorte) duas horas semanais de ‘aulinhas’ extra-curricularmente enriquecedoras. Para que não haja péssimos professores suficientes, quanto mais professores minimamente competentes, isso não é problema. O Ministério quer… e pronto.
Haja, depois disto, mais aplausos. Com a anterior medida, pretende então o Ministério extinguir, por completo, a iniciação musical ministrada nos Conservatórios, para economia de recursos, é claro.
Não importa que os Conservatórios deixem de poder formar músicos como os que formou ao longo de 170 anos, músicos esses que constituem o corpo artístico de maior qualidade do país. Não importa que as ditas ‘aulinhas’ do primeiro ciclo, onde porventura os meninos irão aprender a cantar “O balão do João” ou o “Eu vi um sapo” e mais meia dúzia de cantigas enternecedoras, nada e rigorosamente nada tenham a ver com a especialização e exigência do ensino dos Conservatórios.
Não importa sequer que, depois, só se possa entrar no Conservatório com uma idade bem mais avançada que o cientificamente ideal, nem que, para que possam entrar com a preparação que não tiveram e que desde sempre se exigiu, os pais desses alunos especialmente dotados tenham de pagar balúrdios a escolas privadas que os preparem.
Ora haja, ainda e cada vez com mais ímpeto, redobrados aplausos. O Ministério decidiu que o regime supletivo não funciona. Decidiu e está decidido. Mas antes do bisar dos aplausos, detenhamo-nos neste ponto. Como tal, reduzirá o Conservatório ao regime integrado.
Depois sim, aplaudam furiosa, derisória e freneticamente. De preferência… pateando fortemente, claro!