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Quarta-feira, 4 de Abril de 2007

Focos de Poluição

 

Não lhes bastava a enorme poluição atmosférica e sonora, os moradores das freguesias de Alvalade, Campo Grande, Lumiar e São João de Brito têm mais um foco maléfico para a saúde: uma incineradora de orgãos humanos, placentas e seringas instalada no Hospital Júlio de Matos.

Mais de 60% dos resíduos perigosos provenientes de todos os hospitais do país são aqui incinerados. Especialistas da Quercus afirmam que as emissões poluentes serão altamente cancerígenas. Os responsáveis da incineradora não desmentem esta afirmação, nem as suas consequências, apenas reduzem o número das prováveis vítimas. Será que não havia outro local no país que esteja menos poluído e habitado para instalar esta incineradora? 1

No dia 29 de Junho de 2006, explodiu neste centro de incineração uma caldeira. Logo no dia 7 de Julho o Grupo Municipal deOs Verdesapresentou um Requerimento na AML sobre a “Incineradora de Resíduos Perigosos no Hospital Júlio de Matos” 2, moção fortemente contestada pela administração hospitalar 3. Consequências para a saúde pública? Ninguém teve conhecimento.

Novo problema no final da semana passada. A Inspecção-Geral do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAOT) ordenou o encerramento da incineradora do Hospital Júlio de Matos por alguns dias, por ter apresentado emissões de dioxinas e furanos 30 vezes acima do limite admissível. O elevado nível de emissões resulta numa “situação de perigo grave para a saúde e ambiente”, pelo que foi determinada a suspensão do funcionamento da incineradora de resíduos hospitalares até que seja garantido o cumprimento dos valores legalmente estabelecidos.

As dioxinas e furanos são subprodutos gerados em processos químicos e de combustão, onde se inclui a incineração de resíduos. Os efeitos da exposição a estes compostos na saúde humana envolvem alterações no sistema imunológico, reprodutor e endócrino, podendo, em maiores concentrações, apresentar características cancerígenas, adianta a IGAOT. Recorde-se que a incineradora do Hospital Júlio de Matos está a funcionar com uma licença… provisória (!!) atribuída pela Direcção-Geral de Saúde. O licenciamento definitivo só será atribuído depois de verificado se estão a ser cumpridas as condições impostas pelo secretário de Estado do Ambiente, na declaração de impacto ambiental favorável que deu à requalificação daquela unidade de queima 4.

A administração do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) defendia já em 2005 sobre os resíduos perigosos que “não podemos correr o risco de os enviar para um aterro e provocar um problema de saúde pública. Um novo incinerador deveria ser construído no norte do País para evitar os custos e riscos do transporte dos lixos para Lisboa” 5. Mas a indecisão mantém-se.

A queima de resíduos nesta incineradora, a única em Portugal que trata resíduos hospitalares perigosos, esteve suspensa entre Junho e Novembro do ano passado, devido a uma explosão 6.

Agora volta de novo a encerrar (temporariamente) por ter ultrapassado os valores permitidos por lei. Será que (infelizmente) não há duas sem três?


1. Ver o URL http://jornalpraceta.no.sapo.pt/index.html

2. Ver o URL http://pev.am-lisboa.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=18&Itemid=32

3. “Incineradora em Lisboa só queima lixo obrigatório por lei” Público 2006-08-11

4. “Requalificação da Central de Incineração de Resíduos Hospitalares do Parque de Saúde de Lisboa”, Setembro de 2004

5. Ver o URL http://dn.sapo.pt/2005/04/13/sociedade/lixos_hospitalares_exportados.html

6. Ver o URL www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1289658 

publicado por Sobreda às 00:17
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