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Sábado, 24 de Maio de 2008

Desigualdades sociais revelam um país de injustiças

O relatório social europeu aponta Portugal como o país mais desigual da Europa a 25 (Bulgária e Roménia, que entraram em 2007, ainda não contam para o caso), utilizando o índice Gini, que atribui ao país 41% de desigualdade (o ideal de igualdade é de 1%), enquanto a Suécia se fica pelos 22,5%.
O resultado para Portugal não surpreende, pois há vários anos que o Eurostat, que mede a desigualdade através da relação entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres, coloca também o País no fim da tabela europeia, com um valor na ordem dos 8.
O que surpreende, e sobretudo choca, é que não se sinta grande evolução, apesar de várias políticas sociais postas em prática por sucessivos governos. Como se o País tivesse que pagar por, ao longo da sua história no século XX, não ter sido nem uma grande potência económica, como a Alemanha, nem um modelo de Estado-Providência, como a Suécia, nem um caso de igualitarismo comunista como a Eslovénia (um exemplo de sucesso).
Um país desigual é um país injusto. E se ninguém prega hoje a igualdade absoluta, a verdade é que a injustiça é para ser combatida. E Portugal continua a ser socialmente injusto, mesmo que o actual Governo lembre que os dados são de 2004 e que, entretanto, houve já alguns progressos 1.
Uma representante da U.E. já veio entretanto [numa entrevista televisiva apresentada ontem] contradizer o Governo português, relembrando que os dados referentes a 2004 se mantinham para 2006, tendo mesmo piorado no escalão etário dos jovens e crianças 2.
Segundo um relatório da Comissão Europeia, Portugal é o segundo país da UE onde o risco de pobreza infantil é maior. A subida do desemprego, o baixo nível de vida e a elevada taxa de abandono escolar são factores que explicam este retrato negro. Recorda-se que uma em cada cinco crianças portuguesas está exposta ao risco de pobreza, o que faz de Portugal o país da U.E., a seguir à Polónia, onde as crianças são mais pobres ou correm maior risco de cair nessa situação 3.
Também o coordenador do estudo “Um Olhar Sobre a Pobreza” não tem dúvidas: os baixos salários são um problema grave, que contribui para a pobreza em Portugal. É preciso aumentar os ordenados e democratizar as empresas 4.
 
1. Ver www.dn.sapo.pt/2008/05/23/editorial/desigualdades_sociais_revelam_pais_i.html
2. Ver http://dn.sapo.pt/2008/02/25/sociedade/situacao_piorou_desde_o_ultimo_relat.html
3. Ver http://dn.sapo.pt/2008/02/25/sociedade/um_quinto_criancas_risco_pobreza.html
4. Ver http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1329698
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publicado por Sobreda às 00:28
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