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CDU LUMIAR

Blogue conjunto do PCP e do PEV Lumiar. Participar é obrigatório! Vê também o sítio www.cdulumiar.no.sapo.pt

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E agora, José?

Sobreda, 14.06.08
Os eleitores irlandeses acabaram de rejeitar o Tratado de Lisboa no referendo de 5ª fª, tendo o ‘Não’ obtido 53,4% dos votos e o ‘Sim’ 46,6%, segundo os resultados finais divulgados pela Comissão Eleitoral da Irlanda 1.
Acaba assim de cair por terra o ‘maior sucesso’ da presidência portuguesa da União Europeia no segundo semestre de 2007 e desde sempre apontado por Lisboa como a sua grande prioridade. Afinal, a perspectiva de entrada em vigor do Tratado de Lisboa a 1 de Janeiro de 2009 pensava-se que poderia por fim à ‘crise institucional’ mais prolongada do processo de integração europeia, iniciada com os referendos negativos à Constituição Europeia, tanto na França, como na Holanda, em 2005.
A eurodeputada comunista Ilda Figueiredo fez questão de felicitar o povo irlandês, “que soube resistir à pressão” em torno do ‘Sim’: “O Tratado de Lisboa acabou, foi para o caixote do lixo, como o projecto de constituição que tentou ressuscitar”. Para ela, o resultado do referendo constitui “uma significativa derrota imposta pelo povo irlandês aos projectos de aprofundamento do neoliberalismo, federalismo e militarismo que os líderes das potências europeias e grupos económicos e financeiros teimam em prosseguir”.
Ilda Figueiredo acrescentou que os que “invocam cinicamente” que “a Europa não pode ficar refém de três milhões de irlandeses, iludem deliberadamente o facto de terem impedido que muitos milhões de outros europeus pudessem ter tido voz para se oporem a este tratado” 2. Também o BE já declarou que o “Tratado de Lisboa está morto porque os irlandeses votaram por todos aqueles que o queriam fazer e não puderam”. Por sua vez, o CDS veio lembrar que agora a alternativa é “respeitar as regras do jogo, conhecidas de todos” 3. Finalmente, a líder do PSD considerou que o ‘Não’ irlandês ao Tratado de Lisboa constitui um “contratempo sério” para o processo de construção europeia e afirmou que a decisão “deve ser respeitada” 4.
Recorda-se que o primeiro-ministro (PM) admitira no debate de 5ª fª passada, no Parlamento, que o êxito do Tratado de Lisboa, a ser referendado na Irlanda, era “fundamental” para o Governo e para a sua carreira política 5.
Conhecidos os resultados, o PM português teve de vir considerar como uma “derrota pessoal” o não irlandês ao Tratado de Lisboa, embora defendendo que o processo de ratificação deveria “continuar nos outros países” “Com certeza é uma derrota pessoal para mim. É uma derrota para mim e para todos aqueles que se empenharam no Tratado de Lisboa e no projecto europeu. Todos [os líderes europeus] estarão tão desapontados quanto eu estou neste momento”, acrescentou 6.
O “porreiro, pá!” do PM, aquele que considerou um dos momentos mais importantes da sua carreira, deverá assim sair frustrado 7. Tendo considerado que, com o resultado do referendo, era a sua carreira política que estava em causa, pergunta-se: E agora, José? 8
 
8. Título de uma obra de José Cardoso Pires, de 1977.