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CDU LUMIAR

Blogue conjunto do PCP e do PEV Lumiar. Participar é obrigatório! Vê também o sítio www.cdulumiar.no.sapo.pt

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Saúde pública em perigo

Sobreda, 20.04.07

Segundo um epidemiologista da Universidade de Coimbra, envolvido também na comissão independente para o estudo da co-incineração, o reinício da laboração da incineradora de resíduos hospitalares do parque de saúde de Lisboa, sito no Hospital Júlio de Matos, na ‘fronteira’ entre o Campo Grande e o Lumiar, é visto com muita preocupação. Depois de ter sido suspensa no dia 28 de Março, altura em que foram detectadas dioxinas e furanos 30 vezes superiores ao admissível, a queima estava prevista ser retomada esta quinta-feira.

O especialista alerta no entanto que, aquilo que foi classificado de episódio pontual, pode voltar a repetir-se, e dá exemplos de algumas das consequências deste tipo de emissões para a saúde pública no longo prazo. “Há riscos, nomeadamente certas formas de doenças tumorais, assim como alterações hormonais porque, quer queiramos quer não, essas substâncias actuam como disrruptores endócrinos capazes de provocar alterações fisiológicas sobretudo nas crianças e nas grávidas” 1.

A Quercus, por seu lado, recorda que este não é o primeiro acidente grave nesta estrutura. “Deve haver uma auditoria ao próprio equipamento já que não é normal haver tantos acidentes. Esses níveis de emissão mostram o mau funcionamento da unidade ou que os próprios resíduos não se adaptam ao tipo de tecnologia de tratamento”. A Quercus diz sempre ter contestado a localização desta incineradora numa zona residencial de Lisboa. O Fórum Cidadania Lx alerta também que "vai agitada e pode ser perigosa a vida deste equipamentoo" 2.

A porta-voz do conselho de administração do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) esclarecera, no final do mês passado, que a decisão do Ministério do Ambiente para o encerramento seria respeitada e que, enquanto a incineradora estivesse parada iria accionar o plano de contingência, que passaria pela exportação dos resíduos. Entretanto, o SUCH protestou e pediu novas análises, que se realizaram no início deste mês. Depois de conhecidos os dados das análises às emissões provocadas pela incineração procedeu à substituição dos filtros, estando agora autorizada a retomar a queima de lixos hospitalares, por despacho assinado ontem pela Inspecção-Geral do Ambiente.

Porém, o epidemiologista, não tem dúvidas de que a emissão de dioxinas é sempre perigosa, mesmo que os efeitos não se façam sentir de imediato. “Qualquer teor de dioxinas que possa ocorrer em locais que haja pessoas a viver é um perigo, mas com 30 vezes superior àquilo que a lei permite é inqualificável”, e que, aliás, este tipo de unidades não pode estar dentro das zonas urbanas 3.

Os Verdes” já alertaram mais do que uma vez para este problema 4. E este especialista também não tem qualquer dúvida quanto à urgência de encerrar a central de incineração do Parque de Saúde de Lisboa, lembrando que várias incineradoras hospitalares foram já encerradas em diversas zonas do país.

Assim sendo, porque esperam os Ministérios da Saúde e do Ambiente perante esta ameaça à saúde pública? Por um acidente bem mais grave?

 

1. Ver www.rr.pt/InformacaoDetalhe.aspx?AreaId=11&SubAreaId=39&SubSubAreaId=79&ContentId=204255

2. Ver http://cidadanialx.blogspot.com/2007/04/incineradora-do-jlio-de-matos-em-lisboa.html 

3. Ver www.rr.pt/InformacaoDetalhe.aspx?AreaId=11&SubAreaId=23&SubSubAreaId=53&ContentId=201948

4. Ver notas de rodapé ao artigo http://cdulumiar.blogs.sapo.pt/23860.html