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Quinta-feira, 24 de Julho de 2008

Esquadras da PSP com ordem de despejo

O ministro da Administração Interna inaugurou antes de ontem, de uma assentada, as novas instalações da Divisão de Trânsito (DT) da PSP de Lisboa, no local onde também funcionará a esquadra da Alta de Lisboa. Mas na DT há viaturas por reparar, a área de vestiários está instalada onde deveria ser o ginásio e o frigorífico e microondas partilhado pelo efectivo funcionam na garagem.
Conduzido pelo director nacional da PSP numa visita guiada à DT, sita na avenida Maria Helena Vieira da Silva, na Freguesia no Lumiar, o ministro não passou pelas mesmas áreas que os jornalistas fotografaram.
De entre todas as deficiências encontradas o director só se pronunciou sobre a avaria das viaturas, admitindo que “algumas viaturas estão inoperacionais, situação que a curto prazo deve ser resolvida”. No lote de viaturas encostadas por falta de verba para reparação estão as cinco bombas adjudicadas ao programa Provida e que não circulam desde Agosto do não passado.
O comandante metropolitano da PSP de Lisboa referiu que na origem do impasse na reparação dos veículos está a transição entre a ex-Direcção-Geral de Viação e a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, pois, segundo argumenta, “aguarda-se que as viaturas passem para a posse da PSP” 1.
Mas os problemas estão bem longe de se ficar aqui. As esquadras de Telheiras e da Musgueira, também no Lumiar, ficaram no mesmo dia (3ª fª) sem carros para responder a qualquer ocorrência ou fazer patrulha. Tudo porque os carros ‘novos’ que poderiam servir para substituição tiveram que ficar à porta da nova esquadra da PSP na Alta de Lisboa.
Segundo fonte da PSP, o carro patrulha da esquadra da Musgueira avariou cerca das 13h e pouco depois avariou o da esquadra de Telheiras. “Pedimos à secção auto um carro de substituição, mas não tinham. Só podemos ir a ocorrências perto, às outras tem de vir um carro de outra esquadra”.
A nova esquadra da PSP foi ‘oferecida’ pela autarquia e erguida pelos construtores dos prédios da zona, tendo chegado a estar destinada à sede do Comando da PSP de Lisboa e depois a uma eventual 6ª Divisão. E quando foi anunciado que, afinal, seria ali instalada a DT, os moradores revoltaram-se e a inauguração prevista foi adiada dois meses.
Mas ainda na 3ª fª, a escassos minutos da cerimónia, os polícias foram informados de que ali também iria funcionar a esquadra instalada na Av. João Crisóstemo. A partir do final do mês, a DT vai ter de dividir a esquadra com os 15 elementos de serviço na 17ª Esquadra 2.
Ou seja, também a 17ª Esquadra da PSP, sedeada na Avenida de João Crisóstomo, em Lisboa, vai fechar. A ordem de despejo, solicitada pelo proprietário do edifício, deve ser cumprida até final do mês. Edifício onde a PSP fez obras há um ano (gastando 150 mil euros), e que deverá agora ser transformado num hotel. O efectivo será transferido para duas outras esquadras da zona.
A direcção nacional da PSP confirmou a extinção da esquadra da Avenida de João Crisóstomo, que já funcionou como sede da 3ª Divisão (a actual sede desta de polícias que ali trabalham serão distribuídos pela esquadra do Rêgo (31ª) e pela que funciona junto ao Palácio da Justiça (a 21ª).
Sobre os motivos que levam a polícia a abandonar uma das áreas mais densamente povoadas de Lisboa (na zona da Avenida da República) apenas foi feito o comentário de que “não há condições”. Alguns polícias da 17ª lamentam a situação, não tanto por estarem a abandonar um local que “poucas condições oferece”, mas porque acabam por ser transferidos para um sítio “igual ou pior”: “A esquadra do Rêgo também é alugada, aos donos de um palacete vizinho. Os tectos estão a cair e não tem capacidade para receber em condições os polícias que vão para lá”, adiantou um dos agentes contactados.
Por isso, meia centena de polícias da esquadra da João Crisóstomo serão distribuídos por duas outras, uma das quais é alugada e tem estado a cair últimos anos, já que muitos têm sido os edifícios que a PSP tem abandonado por acção dos respectivos proprietários. As rendas pagas são elevadas mas, na maior parte dos casos, as condições de habitabilidade são muito deficientes. “Não há condições para ninguém trabalhar, com os tectos e as paredes a cair, sem espaço para estacionar os carros e, em alguns sítios, até com ratos”, adiantou um oficial da 3ª Divisão da PSP.
A falta de dinheiro faz com que a PSP tenha vindo a aceitar a saída de alguns locais. Há um ano, na impossibilidade de efectuar as reparações, iniciou-se a transferência da maior parte dos serviços (sobretudo oficinas) que se encontravam na Rua de Santa Marta (Divisão de Trânsito). O efectivo encontra-se agora na Alta de Lisboa, num edifício que, segundo os polícias, embora novo, não tem espaço suficiente 3.
 
1. Ver www.correiodamanha.pt/noticia.aspx?contentid=940D46FA-B306-4E80-B642-800EF7FED745&channelid=00000010-0000-0000-0000-000000000010
2. Ver 24 Horas, 2008-07-23
3. Ler artigo de José Bento Amaro IN Público 2008-07-23
publicado por Sobreda às 01:04
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