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Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

Lisboa é a região do País com mais desigualdades

Mais de dois terços (71%) das famílias residem em áreas urbanas.

Uma família portuguesa gasta, em média, 17.607 dos 22.136 euros que ganha por ano.
Depois de pagar a casa, água, luz e electricidade, a alimentação, os transportes ou a saúde resta-lhe 377 euros por mês.
Os portugueses gastam, em média, 997 euros por ano em cultura e lazer.
As despesas feitas em restaurantes ou cafés sobem para 1800 euros anuais.
10,7% da população não tem máquina de lavar roupa e apenas 1% não tem frigorífico.
Mais de metade das casas tem leitor de CD e 44% computador.
Mas, contas feitas, cada agregado familiar tem 12,5 euros para gastar por dia.

 

 

Estes indicadores, referentes aos anos de 2005 e 2006 - quando os rendimentos dos portugueses ainda cresciam a uma média de 2,1% -, resultam do Inquérito às Despesas das Famílias (IDEF) divulgado, na 3ª fª, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Em risco de pobreza estão, pelo menos, 16% dos portugueses. É no Norte e na Madeira onde há mais casos, “estimando-se que em cada uma destas regiões cerca de 19% da população tenha um rendimento inferior ao limiar de pobreza”. Mesmo assim, o INE encontrou uma ligeira melhoria em relação a 2000, quando 18% estava nesta situação.
É em Lisboa que as pessoas têm ordenados líquidos mais altos, mas é também na capital que as despesas são maiores. Nesta região é onde há as maiores desigualdades de rendimento – 37% no índice que retrata a disparidade da distribuição, quando a média nacional é de 34%. Refere o INE que de 1999 para 2005 a riqueza do País ficou melhor distribuída, tendo agora este índice diminuído um ponto percentual.
A habitação é responsável pela maior fatia dos pagamentos feitos pelas famílias (26,6%). Os filhos fazem subir para 50% a despesa, mas a maioria dos agregados (58%) não inclui crianças ou jovens 1.
Ainda segundo dados do relatório do IDEF, os habitantes da região de Lisboa são os portugueses que, em média, usufruem de um rendimento anual mais elevado. Mas a capital e seus arredores são o espaço geográfico do País onde se registam maiores desigualdades.
Em Lisboa a desigualdade de rendimentos ascendia aos 37%, sendo mesmo a única região do País que ultrapassava a média ponderada. Apesar de ser a zona geográfica com menos recursos, o Alentejo era o sítio onde as desigualdades eram mais baixas, atingindo apenas 29%.
E embora os lisboetas e seus vizinhos tenham auferido, em 2006, mais 9.000 euros que os alentejanos - com um diferencial que vai dos 27.463 para os 18.276 euros -, os habitantes da região da capital só gastam, em média, mais cerca de 6.600 euros por ano do que os que moram nas grandes planícies, ou seja, 20.715 euros contra 14.067.
Por outro lado, os portugueses gastam cada vez mais em habitação e menos em vestuário e calçado. Quando comparados com o inquérito realizado em 2000, os dados agora avançados demonstram que a despesa com habitação levava cerca de 20% do rendimento enquanto que, seis anos mais tarde, sorvia 27%. Já a roupa e os sapatos passaram de 7% na despesa total para apenas 4% nos cinco anos que intervalam os dois inquéritos. Nos últimos anos, a habitação terá mesmo ultrapassado a alimentação no peso percentual das despesas familiares 2.
 
1. Ver www.correiodamanha.pt/noticia.aspx?contentid=36D05827-B318-4503-8B9D-0B240D732AD9&channelid=00000010-0000-0000-0000-000000000010
2. Ver http://dn.sapo.pt/2008/08/13/economia/lisboa_regiao_pais_mais_desigualdade.html
publicado por Sobreda às 00:42
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