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Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

O papel das associações de utentes dos serviços de saúde

Com base no resultado de uma investigação feito pelo Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, as associações de doentes possuem já uma expressão “bastante significativa” em Portugal, mas ainda não têm a atenção correspondente da sociedade.
Os resultados dos inquéritos realizados aos responsáveis das associações “indicam que se trata de um universo associativo com fraca profissionalização e com recursos limitados”, factores que “são contrabalançados pelo forte peso do voluntariado e pelo papel fundamental desempenhado pelos familiares dos doentes”.
Os investigadores concluíram que existem 100 organizações que “desempenham um papel fundamental de apoio e complementaridade aos cuidados de saúde em Portugal”, embora tenhamos “um universo de actores no campo da saúde que não tem tido a atenção correspondente”, observaram os investigadores.
De acordo com um deles, o universo das associações de doentes “é bastante significativo, com alguma pujança”, apesar do associativismo em Portugal não ter a expressão de países como a França, e é um fenómeno que tem a ver com a democratização da sociedade portuguesa, visto que surgiu nos últimos 30 anos (91% das existentes) 1.
Com efeito, “a intervenção dos utentes nas unidades de saúde é, hoje em dia, cada vez mais indispensável. É indispensável porque constitui uma forma de fiscalização permanente da gestão dessas unidades e da sua adequação tanto ao interesse público como ao interesse das populações e é indispensável também porque constitui um elemento de reivindicação de melhores condições dessas unidades de saúde, mas que é essencial para que as populações abrangidas por cada unidade de saúde tenham uma voz activa e uma participação importante na defesa de melhores condições nos centros de saúde e nos hospitais que as servem (…)
Por isso, “Do que precisamos é de uma política que possa apoiar estas associações de utentes, mas que possa também ouvir as suas reivindicações, respeitá-las e fazer com que a política de saúde seja, de facto, uma política para resolver os problemas de acesso aos cuidados de saúde, para resolver as desigualdades que continuam a existir no acesso aos cuidados de saúde, para diminuir os gastos que as populações já têm com os seus cuidados de saúde - e que cresceram nos últimos anos -, e para defender o Serviço Nacional de Saúde como instrumento indispensável e principal para a garantia do direito à saúde previsto na Constituição 2.
 
1. Ler http://dn.sapo.pt/2008/08/15/sociedade/associacoes_doentes_relevancia.html
2. Ver www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=530&Itemid=581
publicado por Sobreda às 00:35
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