Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

CDU LUMIAR

Blogue conjunto do PCP e do PEV Lumiar. Participar é obrigatório! Vê também o sítio www.cdulumiar.no.sapo.pt

CDU LUMIAR

Blogue conjunto do PCP e do PEV Lumiar. Participar é obrigatório! Vê também o sítio www.cdulumiar.no.sapo.pt

“O barco vai de saída”

Sobreda, 04.05.07

Com as devidas vénias, ao Fausto, claro, aqui se reproduz uma dedicatória a quem terá afirmado, numa declaração feita nos Paços do Concelho, ontem, pouco depois das 20h: “Com sentido de responsabilidade, tal como o comandante de um navio, não serei eu o primeiro a abandonar o barco, nem permitirei que me atirem pela borda fora” 1. Veremos.

 

«O barco vai de saída

Adeus ao cais de Alfama

Se agora ou de partida

Levo-te comigo ó cana verde

Lembra-te de mim ó meu amor

Lembra-te de mim nesta aventura

P'ra lá da loucura

P'ra lá do Equador

 

Ah mas que ingrata ventura

Bem me posso queixar

da Pátria a pouca fartura

Cheia de mágoas ai quebra-mar

Com tantos perigos ai minha vida

Com tantos medos e sobressaltos

Que eu já vou aos saltos

Que eu vou de fugida

 

Sem contar essa história escondida

Por servir de criado essa senhora

Serviu-se ela também tão sedutora

Foi pecado

Foi pecado

E foi pecado sim senhor

Que vida boa era a de Lisboa

 

Gingão de roda batida

corsário sem cruzado

ao som do baile mandado

em terra de pimenta e maravilha

com sonhos de prata e fantasia

com sonhos da cor do arco-íris

desvaira se os vires

desvairas magias

 

Já tenho a vela enfunada

marrano sem vergonha

judeu sem coisa nem fronha

vou de viagem ai que largada

só vejo cores ai que alegria

só vejo piratas e tesouros

são pratas, são ouros,

são noites, são dias

 

Vou no espantoso trono das águas

vou no tremendo assopro dos ventos

vou por cima dos meus pensamentos

arrepia

arrepia

e arrepia sim senhor

que vida boa era a de Lisboa

 

O mar das águas ardendo

o delírio do céu

a fúria do barlavento

arreia a vela e vai marujo ao leme

vira o barco e cai marujo ao mar

vira o barco na curva da morte

e olha a minha sorte

e olha o meu azar

 

e depois do barco virado

grandes urros e gritos

na salvação dos aflitos

estala, mata, agarra, ai quem me ajuda

reza, implora, escapa, ai que pagode

rezam tremem heróis e eunucos

são mouros são turcos

são mouros acode!

 

Aquilo é uma tempestade medonha

aquilo vai p'ra lá do que é eterno

aquilo era o retrato do inferno

vai ao fundo

vai ao fundo

e vai ao fundo sim senhor

que vida boa era a de Lisboa» 2

1. Ver www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=804610&div_id=291#

2. IN: “Por este rio acima”, gravado em 1982, letra e música de Fausto Bordalo Dias, no URL http://natura.di.uminho.pt/~jj/musica/html/fausto-barcoVaiDeSaida.html