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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Escolas e sindicatos desvalorizam declarações do Ministério

Três dias após a manifestação de Lisboa, o Ministério diz-se disponível para não aplicar os dados da avaliação nos próximos concursos de colocação. A oferta em nada muda a avaliação em si e os professores consideram-na mesmo uma ‘falácia’.

Trata-se de “uma cortina de fumo”. A frase é da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), que resume assim a reacção das estruturas e movimentos dos professores à proposta feita ontem pelo secretário de Estado adjunto e da Educação de não considerar as avaliações de desempenho para efeitos dos próximos concursos de colocação de professores, em 2009.
O que está em causa é apenas o adiamento, por quatro anos, de uma das consequências que o Governo pretende associar a estas classificações - a sua consideração, a par da formação e da antiguidade, para as listas hierárquicas que ordenam os professores que concorrem à colocação nas escolas.
Segundo os representantes dos professores, o problema é que até essa aparente abertura é discutível: “O que o Ministério fez foi um reconhecimento de que, na prática, nunca poderia aplicar as avaliações aos concursos de 2009, porque só um número muito reduzido de professores [12 mil, a título experimental] foram avaliados no último ano lectivo. E mesmo que a presente avaliação corresse lindamente, só daria resultados em Junho, já depois dos concursos”.
De resto, para o sindicalista, as estruturas que integram a “plataforma” docente irão “evidentemente” recusar a proposta, que continua a basear-se num princípio de que discordam: “Na prática, não é nenhum sinal de boa vontade. É o retomar de uma imposição que os sindicatos não aceitam, porque inclui as avaliações nas listas graduadas é injusto” 1.
Entretanto, várias escolas, um pouco por todo o país, continuam a suspender a avaliação de desempenho.
Depois da escola melhor classificada no ‘ranking’ nacional, agora foi a vez da Escola Secundária Luís de Camões, em Lisboa, mais conhecida por Liceu Camões, onde ficou também suspensa a avaliação de desempenho de docentes. A decisão foi tomada pela maioria dos professores, que defendem que se está na presença de um modelo não exequível.
Os professores avaliadores demitiram-se mesmo de funções, por não conseguirem levar avante o modelo do Ministério. Dizem que as orientações do Ministério são confusas, incoerentes e que, ainda por cima, estão em constante mudança 2.
 
1. Ver http://dn.sapo.pt/2008/11/12/sociedade/sindicatos_desvalorizam_tentativa_ap.html
2. Ver www.tvi.iol.pt/informacao/noticia.php?id=1012268
publicado por Sobreda às 01:54
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