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Quarta-feira, 9 de Maio de 2007

Hospital da Força Aérea

Os hospitais militares poderão vir a ser reduzidos de seis para dois, ficando apenas localizados em Lisboa e Porto, segundo os resultados de um estudo apresentado no final do mês passado ao Ministro da Defesa e aos chefes militares 1.

O relatório sobre a reforma da saúde militar, que foi entregue ao Ministério da Defesa com quase um ano de atraso, pois deveria ter entregue as propostas até 30 de Julho de 2006, pressupõe que “é preciso acabar com a actual estrutura de um hospital por cada ramo das Forças Armadas, para unificar a sua gestão e acabar com as redundâncias”. Ou, por outras palavras, “a dispersão de recursos é tida como sinónimo de mau serviço e despesismo” 2. Ah, cá temos a obsessão do défice.

Portugal mantém apenas seis hospitais militares. O Exército dispõe de um hospital no Porto e outro em Évora Em Lisboa, existem o Hospital da Marinha, em Santa Clara, os Hospitais do Exército, na Estrela e em Belém, e na Freguesia do Lumiar, o Hospital da Força Aérea 3.

O Hospital da Força Aérea (HFA) está instalado no complexo da Base do Lumiar, tendo sido criado em 1972. Localiza-se entre, a Nascente, o hipermercado Feira Nova, a Sul, do outro lado da Rua César de Oliveira, o hipermercado Carrefour, a Poente, a Azinhaga da Torre do Fato, e a Norte, do outro lado da Azinhaga dos Ulmeiros, o Templo Hindu, o parque dos contentores e a Quinta de Nossa Senhora da Paz.

O espaço do HFA é considerado o local mais apropriado para a eventual instalação do futuro hospital das Forças Armadas, a que se juntam as vantagens de possuir “instalações apetrechadas e modernas” e beneficiar ainda de um heliporto. Acresce também que, para alienação, as outras instalações da Marinha, no Campo de Santa Clara, e do Exército, na Estrela têm maior valor imobiliário devido à sua localização.

Curiosamente, foi neste HFA que, após ter ido esquiar para a Suíça e caído, o cidadão José Sócrates Carvalho Pinto Sousa, fez uma ressonância magnética e foi submetido a uma artroscopia. Segundo os dados conhecidos, não consta que o cidadão em causa tenha apresentado o seu cartão da ADSE, marcado consulta e ficado a aguardar por uma data na agenda do médico, militar de carreira ou na reserva, aviador ou paraquedista para ter o privilégio de ser imediatamente consultado, operado e assistido no HFA. Também não consta que tenha pago taxa moderadora.

Quando em Dezembro de 2005 se falou em reforma da saúde militar, os militares contrapuseram às razões de racionalização de custos outras vertentes consideradas essenciais que lhes não pareciam ter sido devidamente equacionadas: “1. promover a introdução das inovações tecnológicas que se revelem custo-efectivas; 2. apoiar a investigação; 3. avaliar a qualidade dos cuidados; 4. assegurar o aperfeiçoamento dos níveis técnicos dos seus profissionais e 5. procurar soluções alternativas à clássica hospitalização” 4.

O Governo parece não os ter ouvido e as chefias militares manifestaram agora a sua discordância ao ministro pela “integração dos seis hospitais militares existentes no país numa única estrutura, como propõe o relatório encomendado pelo Governo”. No que se refere a impactos financeiros decorrentes desta reforma, o ministro sempre foi adiantando que haverá igualmente “racionalização da renda hospitalar”, apesar de ainda não dispor de “dados concretos”. Haverá com certeza tempo para os obter, pois “a reforma deverá demorar dez anos a concretizar-se” 5. Pelo menos durante este tempo o Hospital da Força Aérea irá manter-se na Freguesia do Lumiar.

 

1. Ver www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=240363&idselect=90&idCanal=90&p=200

2. Ver http://jn.sapo.pt/2007/04/25/nacional/defesa_mandar_fechar_quatro_seis_hos.html

3. Ver www.tvi.iol.pt/informacao/noticia.php?id=801592

4. Ver www.revistamilitar.pt/modules/articles/article.php?id=110

5. Ver www.correiomanha.pt/noticia.asp?idCanal=0&id=239946

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publicado por Sobreda às 02:20
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