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CDU LUMIAR

Blogue conjunto do PCP e do PEV Lumiar. Participar é obrigatório! Vê também o sítio www.cdulumiar.no.sapo.pt

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Governo projecta demolir parte do Pavilhão Carlos Lopes

Sobreda, 26.12.08

Poderá parecer um inconcebível pesadelo pós-natalício, mas o Governo anunciou na 3ª fª a remodelação do Pavilhão Carlos Lopes, para ali instalar o Museu Nacional do Desporto, autorizando os gabinetes de arquitectura a poderem habilitar-se, durante o programa preliminar do projecto, a planear a sua transformação, sendo “livres de propor a demolição parcial” do edifício.

O programa, elaborado pelo Instituto do Desporto, refere que o Pavilhão Carlos Lopes “está inserido numa zona abrangida pelas servidões administrativas do património classificado sujeito a parecer do Instituto do Património”. Pelo que, “qualquer intervenção obriga a manter inalteradas as fachadas e a cobertura no que se refere à composição geométrica e forma da estrutura”.
Todavia, o documento assegura também que “será possível demolir parcialmente o edifício e utilizar na cobertura e nas fachadas novos materiais, com características mais resistentes”, apenas “mantendo os elementos mais estruturantes da memória” do Pavilhão, bem como de proporem a instalação do Museu “em construção nova, fora do perímetro e área do edifício existente”, embora no Parque Eduardo VII.
Como é possível um Pavilhão inaugurado em 1923, que possui peças ornamentais inspiradas no barroco joanino do Convento de Mafra, como marcenarias, cantarias, painéis de azulejo e estatuária, ser assim delapidado?

 

 

O imóvel foi concebido pelos arquitectos Guilherme e Carlos Rebelo de Andrade e Alfredo Assunção Santos para representar Portugal na Exposição Internacional do Rio de Janeiro de 1922, finda a qual foi desmontado e transferido para Lisboa. Três décadas mais tarde, chegou a ser equacionada a sua demolição. Depois de ter servido de palco a eventos desportivos e a concertos, foi encerrado há cerca de cinco anos, por falta de condições. O interior encontra-se em estado de decadência, tendo parte dos seus emblemáticos azulejos, feitos na Fábrica de Louças de Sacavém, sido roubada.
Mas foi neste espaço, logo após a revolução de 1974, que os lisboetas vibraram com a vitória portuguesa no campeonato mundial de hóquei em patins. Uma memória que ficará cada vez mais longínqua.
Quanto aos custos, o Governo não revela os valores estimados. Certo é que se trata de uma parceria entre a CML, proprietária do Pavilhão, e o Governo, cabendo à autarquia investir parte das verbas do Casino de Lisboa que lhe cabem por lei, num montante inferior a cinco milhões de euros. Todavia, se o Pavilhão for desvirtuado da sua função, as verbas do Casino deixarão de ali poder ser investidas.
Por tudo isto, a entrega do imóvel municipal ao Governo tem sido contestada pelas forças da oposição na CML, quer por se desconhecerem contrapartidas da cedência para a autarquia, quer porque o Governo também pretende vender as instalações do Complexo Desportivo da Lapa, local onde se previa o embrião original deste Museu, temendo-se que a população do bairro fique privada da prática de desporto 1.
De tal modo que até existe uma petição exigindo que o Pavilhão Carlos Lopes “volte a estar ao serviço da prática desportiva de Lisboa” 1. Para os lisboetas pende mais um equipamento a juntar à “vasta colecção de equipamentos desportivos fechados em Lisboa”. Pior parece impossível.