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Domingo, 26 de Abril de 2009

O prenúncio do 25 de Abril no último Avante! clandestino

A ‘sublevação’ de 16 de Março foi um dos temas de destaque na primeira página do último Avante! clandestino, publicado em Abril de 1974. Com o título “Aliar à luta antifascista os patriotas das Forças Armadas”, o órgão oficial do PCP desmonta a ‘Conversa em Família’ do presidente do Conselho, que desvaloriza o levantamento militar das Caldas.

Na sua alocução televisiva, dias depois do golpe, o presidente do Conselho aparece descontraído como se nada de anormal tivesse acontecido no País. No entanto, informa o Avante!, na madrugada de 16 de Março, “ele teve o cuidado de se refugiar no reduto de Monsanto”. E não ocupou sozinho esse refúgio: com ele foi o presidente da República “e outros mais das suas respectivas camarilhas” seguiram-lhe os passos.
Sinal evidente de que o regime, mergulhado numa crise profunda agora a estender-se às Forças Armadas, teria os dias contados.
Num documento do “movimento dos oficiais”, aponta-se uma solução para afastar a crise. “Sem a democratização do País não é possível pensar em qualquer solução válida para os gravíssimos problemas que se abatem sobre nós”.
Perante este cenário, a Comissão Executiva do PCP classifica de “importante e urgente” a tarefa de incorporar e associar “à luta antifascista do povo português os soldados e marinheiros, os sargentos e os oficiais honestos”.
Numa palavra, desenhava-se, dias antes da Revolução de Abril, a aliança do povo com “todos os verdadeiros patriotas das Forças Armadas”. Este “poderoso exército político”, lê-se ainda no Avante!, porá um ponto final nas “guerras coloniais, derrubará a ditadura fascista e conquistará as liberdades democráticas”.
No mesmo texto, apelava-se à libertação “imediata” de todos dos presos políticos, à “cessação das torturas e a dissolução da PIDE/DGS”.
Outra notícia da primeira página denuncia, precisamente, a “escalada da tortura” sobre os antifascistas no estertor da ditadura. Além da tortura do sono, “que chega a prolongar-se por semanas”, em simultâneo, estavam a tornar-se sistemáticos “os selváticos espancamentos a chicote ou a cavalo-marinho”.
 
 
35 anos depois, as ameaças às liberdades conquistadas fazem ‘corar’ os cravos vermelhos da Revolução.
 
Ver http://dn.sapo.pt/especiais/interior.aspx?content_id=1208154&especial=Arevolu%E7%E3odeAbril&seccao=POL%CDTICA
publicado por Sobreda às 02:03
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