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CDU LUMIAR

Blogue conjunto do PCP e do PEV Lumiar. Participar é obrigatório! Vê também o sítio www.cdulumiar.no.sapo.pt

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Vasco Granja o divulgador de BD e animação

Sobreda, 05.05.09

Vasco Granja (Fot. Bruno Barbosa)

 

Divulgador de banda desenhada e do cinema de animação em Portugal, Vasco Granja morreu ontem aos 83 anos, informou fonte do Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem. Vasco Granja, que conduziu na RTP mais de um milhar de programas dedicado à animação e foi o último director da revista Tintim, morreu de madrugada numa clínica de cuidados continuados em Cascais.
“Cinéfilo impenitente” e militante do Partido Comunista Português, Vasco Granja foi detido duas vezes pela PIDE por organizar sessões de cinema, muitas delas com filmes que ia buscar por conta própria às embaixadas em Lisboa.
Iniciando as emissões com um saudoso “olá amiguinhos”, Vasco gravou cerca de mil programas entre 1974 e 1990, onde apresentou personagens como Bugs Bunny e a Pantera Cor-de-Rosa, mas também a animação que havia para lá das portas do castelo de Walt Disney. No entanto, a maioria destes programas, intitulados ‘Cinema de Animação’, terá sido apagada dos arquivos da televisão pública.
Através do programa, o público juvenil, agora adulto, tinha oportunidade de ver, por vezes sem compreender, histórias de bonecos de plasticina, sombras chinesas ou com ursos de peluche animados. A televisão deu-lhe um maior reconhecimento público mas o interesse pelas histórias aos quadradinhos surgiu muito tempo antes, quando Vasco Granja lia as revistas ‘O Mosquito’ e ‘Tic-Tac’ e passava horas nos cineclubes.
Autodidacta e curioso, Vasco Granja passou a frequentar os festivais de BD no estrangeiro e organizou ciclos de cinema de animação, dois dos quais para os detidos na Cadeia do Linhó. Integrou por duas vezes o júri do festival de Angôuleme, em França, e em 1960 participou no primeiro Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy.
Teve vários empregos que alimentavam o vício da banda desenhada, numa casa de fotografia, numa tabacaria ou Armazéns do Chiado e, finalmente, na livraria Bertrand, onde permaneceu quase trinta anos e dirigiu a revista Tintin. E é a ele que se deve a publicação de Corto Maltese, de Hugo Pratt pela Bertrand.
Foi ainda determinante no arranque do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, que o homenageou com um troféu de honra em 1996. Vasco Granja, que durante muitos anos ficou conhecido como “o pai da pantera cor-de-rosa”, nasceu a 10 de Julho de 1925, em Campo de Ourique, Lisboa, fez apenas o ensino primário, casou e teve uma filha. Dizia que o seu herói era o Bugs Bunny.
O corpo do divulgador de BD estará em câmara ardente a partir das 18h30 de hoje na capela da Damaia, na Amadora. O funeral realiza-se terça-feira a partir das 15h para o Cemitério de Rio de Mouro, Sintra, onde o corpo será cremado.