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Quinta-feira, 24 de Maio de 2007

Um projecto de esquerda para Lisboa

Mais de uma centena de pessoas participou, anteontem, na apresentação pública dos candidatos da CDU à Câmara Municipal de Lisboa e das principais linhas programáticas de campanha. As cadeiras colocadas na sala não chegaram para tamanha afluência de pessoas que, com a sua comparência, quiseram participar na apresentação pública dos 36 candidatos da CDU.

Por volta das 18 horas, já com a sala a abarrotar de gente, chegou Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP. Foi aí que se verificou a primeira manifestação de confiança num bom resultado eleitoral, que se traduziu numa estrondosa salva de palmas. «CDU», «CDU», «CDU», entoavam os apoiantes da única coligação (PCP, «Os Verdes» e ID) que irá concorrer, no próximo dia 15 de Julho, ao Executivo autárquico lisboeta.

Seguiu-se, pela voz de Heloísa Apolónia, dirigente do Partido Ecologista «Os Verdes», a apresentação dos candidatos da CDU à Câmara de Lisboa. «Estão aqui os companheiros e camaradas que convosco querem trabalhar. Podemos, com toda a convicção afirmar: temos a CDU de que Lisboa precisa, a CDU como força alternativa», afirmou, depois, Ruben de Carvalho.

Numa intervenção marcada por fortes críticas ao PSD e CDS-PP, «dedicadamente apoiadas em muitas circunstâncias pelo PS e pelo BE», o cabeça-de-lista da CDU lamentou, visto que se avizinham eleições intercalares e não antecipadas, o facto de as eleições se realizarem exclusivamente para o executivo camarário e não para a Assembleia Municipal, onde quem «conduziu a Câmara ao colapso mantém maioria absoluta».

Reafirmando que serão necessárias, para os próximos dois anos, medidas de emergência, «se integradas numa visão ampla, sustentada e rigorosa de uma política abrangente no tempo e no espaço, que corresponda a um projecto de cidade justa e viável», Ruben de Carvalho lembrou que essas mesmas medidas não deverão servir «para fornecer cobertura a medidas impopulares, desnecessárias e injustas do ponto de vista de classe».

Relativamente ao momento presente e aos partidos que vão disputar estas eleições, Ruben de Carvalho lembrou que o PCP e a CDU não tiveram qualquer necessidade de dar «vassouradas» nas suas listas à Câmara.

«Temos a nossa casa, todos os cantinhos dela, impecavelmente limpos, cuidados, sem teias de aranha, os armários arrumados e neles não se descortinam esqueletos», ironizou, lembrando que o mesmo não se passa com as outras candidaturas, «sabendo, de resto, todos nós, como o PS e o PSD são, eles que ao longo de décadas têm sempre e sucessivamente estado no poder, especialmente hábeis a sacudirem a água do capote e a assobiarem displicentemente para o ar, como quem nada sabe do que aconteceu antes deles».

Mas, continuou, «se temos o orgulho de podermos afirmar que os nossos candidatos trazem ao trabalho municipal não apenas a honestidade, o trabalho e a competência impoluta de décadas e décadas, podemos acrescentar que trazem outra valia igualmente importante: a experiência, o conhecimento das realidades e dos problemas».

É por isso que a CDU não considera o seu programa de 2005 uma coisa do passado. Bem pelo contrário, «ele era, ele foi e ele continua a ser um programa de futuro».

«E é por ser um programa de futuro que, confrontando-o com os erros e desleixos destes seis anos de política de direita, nele encontramos, com a consciência de quem olha para o futuro, as medidas urgentes que no presente possam garantir a cidade justa, fraterna, desenvolvida e solidária pela qual nos comprometemos face aos lisboetas», assegurou o cabeça-de-lista da CDU.

Rita Magrinho, segunda candidata da lista, apelou ao voto na CDU, «condição indispensável à concretização de um projecto de esquerda para Lisboa».

«A CDU tem em Lisboa um património de intervenção autárquica ao serviço da cidade e da sua população: património marcado pela gestão positiva na Câmara nos anos 90, pela oposição a Abecassis e, mais recentemente, ao descalabro dos últimos seis anos», afirmou, acrescentando que «é com este património que propomos aos lisboetas uma lista composta por muitos candidatos já conhecidos porque, ao contrário de outras forças políticas, podemos orgulhar-nos do trabalho realizado pelos nossos eleitos neste mandato».

Rita Magrinho salientou ainda que a lista apresentada integra «mulheres e homens experientes em diferentes áreas e com profundo conhecimento da cidade pela sua participação autárquica na Câmara e em muitas freguesias lisboetas, em associações de moradores, associações ambientalistas, sindicais, de deficientes e em colectividades de cultura e recreio, entre outras».

publicado por cdulumiar às 12:00
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