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Terça-feira, 1 de Setembro de 2009

IEFP e INE sobre o desemprego: um esconde dados, o outro não

O problema do desemprego em Portugal está a atingir uma tal gravidade que nunca é demais falar sobre ele. E isto até pela insensibilidade social revelada por este Governo que continua a recusar alargar o subsídio de desemprego a mais desempregados, quando o número daqueles que não recebem subsídio de desemprego é já superior a 200.000.

Embora tanto o IEFP como o INE procurem ocultar a verdadeira dimensão do desemprego em Portugal, no entanto têm comportamentos diferentes: o IEFP oculta dados, enquanto o INE não o faz.
O número oficial de desempregados divulgado pelo INE - 507,7 mil no 2º Trim. de 2009 - não inclui a totalidade dos desempregados. Existem muitos desempregados que não são considerados naquele número oficial de desempregados.
Mas o número que não é considerado é também divulgado trimestralmente pelo INE, assim como a justificação para não serem considerados. Assim, de acordo com o próprio INE, não foram incluídos, no 2º Trimestre de 2009, 125,5 mil desempregados.
Apesar de não serem considerados, como esse número é divulgado, qualquer pessoa pode fazer o cálculo. Assim, de acordo com o INE, o número de desempregados no nosso País não era de 507,7 mil mas sim 635,2 mil, o que aumenta ainda mais a gravidade do problema. Infelizmente a maioria dos órgãos de comunicação social não chamaram a atenção da opinião pública para esse facto colaborando assim, objectivamente, com o Governo na intenção deliberada que este tem em ocultar a extrema gravidade da situação.
Comportamento diferente tem o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). Nos primeiros sete meses eliminou, dos ficheiros dos Centros de Emprego, 303.662 desempregados, o que dá uma média de 43.380 desempregados por mês.
Uma análise mais fina por concelhos mostra que, com aquela eliminação, o IEFP tem até conseguido diminuir o número de desempregados em vários concelhos.
E isto apesar de, segundo o INE, o próprio desemprego oficial ter aumentado entre o 1º trimestre de 2009 e o 2º Trimestre de 2009, a nível do País, de 495,8 mil para 507,7 mil. Portanto, o IEFP faz um milagre: - quando o desemprego aumenta por todo o País, este Instituto, tutelado pelo Ministro do Trabalho, consegue-o baixar nas estatísticas que publica.
E o IEFP procura ocultar essa eliminação. A prová-lo está o facto de que na “Informação Mensal do Mercado do Emprego”, que divulga mensalmente com os dados sobre o desemprego registado, não constar nem o número de desempregados que são eliminados todos os meses dos ficheiros dos Centros de Emprego nem as razões dessa eliminação.
E isto apesar de várias entidades já o terem solicitado (por ex. a CGTP que tem representantes no concelho de Administração), e também vários deputados da Assembleia da República. É claro o propósito do IEFP em querer ocultar essa eliminação, que permite baixar significativamente o número de desempregados colaborando deliberadamente com o Governo na intenção de esconder a gravidade da situação.
 
Ler o estudo “Comportamentos diferentes do INE e do IEFP sobre os dados do desemprego” do economista Eugénio Rosa
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publicado por Sobreda às 00:11
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