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Domingo, 29 de Julho de 2007

Os (in) disponíveis (parte 6)

As eleições em Lisboa trouxeram de volta, a pretexto das candidaturas de Carmona e Roseta, a falsa questão das candidaturas intituladas de independentes e, em particular, a enxurrada de acusações e verberações aos partidos. Escusado será o esforço posto em explicar, já que a motivação será mais má-fé do que ignorância, que não só os partidos políticos são na sua origem expressões de organização de cidadãos, como a auréola de independência destas candidaturas esmorece no simples acto de verificação de ligação partidária que parte importante dos seus candidatos apresenta. Donde é de supor que a tentação de simplificação, e desonesta mistificação, do tema será seguramente explicada em muitos dos casos pelo recalcado inconformismo perante a democracia e o papel dos partidos políticos, independentemente do juízo crítico que sobre eles cada cidadão queira e deva ter o direito de fazer. O que por si torna ainda mais preocupante que alguns dos protagonistas dessas listas animem, para se afirmarem o que não são, o arsenal de argumentos dirigidos contra os partidos, apresentados como fonte de todos os males e problemas, em contraste com o depósito de virtudes que alegadamente reclamam para si.
É o caso de Carmona e dos membros da sua lista que, como se sabe, transitaram de armas e bagagens da lista do PSD pela mera circunstância de que ali não encontraram abrigo para as ambições que viram interrompidas.
E é o caso em particular de Helena Roseta e da sua agora ostentada dissidência com o PS, partido a que pertence, pela singela razão de que tendo-se oferecido para candidata, o partido ousou não considerar a oferta, vindo proclamar que os «partidos precisam de uma lição» e «asfixiam a participação». Mesmo admitindo que a acusação de Roseta, dirigida contra os partidos, de estes «não ouvirem os cidadãos» se fundamente na experiência vivida de apesar de ter gritado quanto pôde para se fazer ouvir como candidata por aquele partido, este não lhe ter dado ouvidos, a generalização é excessiva. Vinda particularmente de quem aspira e age activamente para a construção de um outro projecto político.
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publicado por cdulumiar às 14:47
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