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CDU LUMIAR

Blogue conjunto do PCP e do PEV Lumiar. Participar é obrigatório! Vê também o sítio www.cdulumiar.no.sapo.pt

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Chegada do Metro ao aeroporto deverá valorizar terrenos da Portela

Sobreda, 06.08.09

A chegada do Metro de Lisboa ao Aeroporto da Portela, prevista para o primeiro semestre de 2011, deverá valorizar os terrenos onde está instalada a infra-estrutura, com encerramento previsto para 2017 e respectiva deslocalização para Alcochete.

O plano de expansão da linha Vermelha do Metropolitano de Lisboa até à Portela, um investimento de 220 milhões de euros, inclui a construção de três novas estações - Moscavide, Encarnação e Aeroporto - e mais 3,6 quilómetros de rede.
É o próprio presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) quem afirma que o “património imobiliário” existente naquela zona “vai beneficiar com a chegada do metro. Pelo património já construído nestas zonas é difícil antever qualquer tentativa ou qualquer tentação especulativa no plano imobiliário, sendo certo que o património imobiliário ali existente vai beneficiar com a chegada do metro”.
Os terrenos do aeroporto da Portela prometem assim gerar polémica quando a infra-estrutura for desactivada, em 2017, recuperando o diferendo entre a autarquia lisboeta e os familiares dos antigos proprietários relativamente à propriedade dos 500 hectares.

 

 

A CML tem reclamado a propriedade dos terrenos, que começaram a ser expropriados em 1937, afirmando que alguns já era municipais e que outros foram expropriados para a construção do aeroporto.
Mas os familiares dos antigos proprietários, por seu turno, reclamam a titularidade, alegando que foram expropriados com a justificação de que os terrenos seriam usados para fins públicos.
Com a desactivação do aeroporto, inaugurado há quase 67 anos, caberá à autarquia lisboeta decidir qual será o futuro dos terrenos, para os quais o PDM só prevê a construção de infra-estruturas aeroportuárias naqueles terrenos.
 

Um aeroporto cercado de pombais

Sobreda, 26.01.09

Em 2007, o Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves recebeu 126 notificações de casos de ‘Bird Strikes’ registados nos aeroportos portugueses. Só na Portela foram 51 choques de aves com aviões no Aeroporto Internacional de Lisboa.

Os pilotos garantem que a maioria das situações não é reportada e alertam que a Portela está “completamente cercada” de pombais, pelo que, aos olhos dos aviadores, a quantidade de pombais junto ao Aeroporto de Lisboa assemelha-se a uma “bateria anti-aérea”: as aves que rondam as pistas são uma “ameaça” à segurança de passageiros e tripulação.
“A existência de aves pode provocar problemas, como o que aconteceu recentemente em Nova Iorque”, avisa o comandante responsável pelo Departamento de Segurança de Voo da Associação Portuguesa dos Pilotos de Linha Aérea (APPLA), para quem estes dados são apenas “uma pequena percentagem do verdadeiro número de embates com pássaros”.
Em Lisboa, quase todos os pilotos já tiveram “uma situação de embate com um pássaro ou avistamento e quase embate”. Consciente do perigo, a ANA - Aeroportos de Portugal fez um levantamento do número e localização de todos os pombais existentes nos arredores. O mapa foi enviado para o Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC), entidade reguladora, e apresentado no final do ano passado à APPLA.
Os pilotos ficaram “assustados”. “Estamos completamente cercados de pombais. Assustou-nos a todos a sua quantidade e localização. Aterramos sempre com uma série de pombas a voar em redor do aeroporto, é uma bateria anti-aérea”, critica o comandante da APPLA, explicando que, para um piloto, tentar desviar-se dos pássaros é uma manobra difícil quando se está a aterrar ou a descolar e, muitas vezes, as aves também não o conseguem fazer a tempo, “lembrando que estes choques podem provocar danos nas superfícies de voo dos aviões, vidros e até motores”.
Na Associação Columbófila do Distrito de Lisboa (ACDL) estão registados cerca de 5.000 pombos-correio. Além destes, existem ainda os pombais ilegais, uma realidade reconhecida pelas Câmaras de Lisboa e de Loures.
Para a ACDL, a ameaça real não é o pombo-correio mas sim os pombos errantes. “Lisboa tem milhares de pombos que se formam em bandos e vão à procura de comer”. De acordo com a autarquia lisboeta, são cerca de 20 mil.
Para afugentar as aves da rota dos aviões, o gabinete de segurança da ANA tem experimentado vários sistemas, desde canhões de gás que emitem explosões sonoras, sistemas de ultrasons só audíveis pelos pássaros e alguns falcões, que assim que são soltos afastam toda a passarada. Na ANA, os investigadores estão também a conceber uma tecnologia que recorre a um laser de cor verde que, dizem, afugenta os pássaros.
 

Empresários querem Portela para aviões de negócios e TGV

Sobreda, 21.12.08

Os empresários decidiram juntar-se e aprovar a intenção de vir a ser construída a futura estação central de Lisboa, servindo os comboios de alta velocidade, nos terrenos da Portela, quando o aeroporto for desactivado em 2017 e deslocalizado para o Campo de Tiro de Alcochete.

O argumento é que este projecto poderá ser viável, técnica e financeiramente, segundo conclui um estudo desenvolvido pela Adfer - Associação Portuguesa para o Desenvolvimento do Transporte Ferroviário, a pedido da AIP - Associação Industrial Portuguesa, e que contou com o apoio da CIP - Confederação da Indústria Portuguesa e da AEP - Associação Empresarial de Portugal, apresentado numa sessão promovida, na 5ª fª,  pela Adfer e subordinada ao tema ‘A nova estação central de Lisboa’.
O estudo prevê ainda que a Portela mantenha “funções aeroportuárias limitadas à aviação geral e à aviação de negócios”. Mas a AIP pretende que o actual terminal de passageiros seja aproveitado para realizar o check-in avançado do novo aeroporto de Lisboa, que ficará ligado à Portela por um novo serviço aéreo designado por ‘vertiport’ (aeronaves de descolagem vertical).
Ou seja, para além de funcionar como ponto de chegada e de partida do TGV e dos comboios suburbanos, as três associações empresariais defenderam, para o local, a construção de um novo centro de feiras e congressos de Lisboa nos terrenos do aeroporto, bem como a instalação de um pólo tecnológico.
Fonte da Adfer considerou mesmo que uma das principais vantagens da Portela seria a de permitir a construção de uma estação de ‘raiz’, ao contrário da decisão do Governo, que aprovou a expansão da actual Gare do Oriente. O projecto poderá contar com o apoio da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo.
Ainda segundo o estudo, a estação na Portela ficaria ligada à linha de cintura, na zona do Areeiro, e atravessaria todo o Vale do Chelas, em paralelo à Avenida Gago Coutinho, com duas linhas ferroviárias - a de alta velocidade e a convencional, sempre em túnel, só voltando à superfície dentro dos terrenos do aeroporto.
O argumento é que esta ligação teria como principal vantagem o facto de se desenvolver numa zona plana, reduzindo não só o tempo de viagem, mas também o volume de obras necessárias. Sobre o facto de o projecto poder vir a atrasar o desenvolvimento da rede de alta velocidade, a mesma fonte da Adfer questiona a ‘pressa’ do Governo em avançar com um projecto ‘questionável’ 1.
Mas a assim ser, as tarifas baixas - a esmagadora maioria dos voos - iriam para Alcochete, e os ‘jets’ privados beneficiariam de ficar perto do centro da capital.
Entretanto, recorda-se que o executivo camarário sempre tem defendido a ocupação dos desactivados terrenos da Portela por um espaço verde, e que o novo PDM deveria contemplar a zona do aeroporto da Portela como futuro ‘pulmão verde’ da cidade, depois da desactivação da infra-estrutura aeroportuária 2.
 

Lisboa não é competitiva

Sobreda, 17.08.08

O turismo tem uma voz mais activa desde que (a Confederação) está na concertação social?

- Sem dúvida. Tem a vantagem imediata de dar voz ao turismo na discussão dos problemas nacionais. Para ultrapassar os obstáculos, é preciso mudar o paradigma do turismo e da economia. E aumentar a competitividade dos destinos, sobretudo de Lisboa (…) Lisboa tem de se tornar competitiva enquanto capital de negócios. Pode vir a ser a 5ª ou 6ª cidade europeia nesta matéria (…)
A situação da TAP, com 136 milhões de euros de prejuízos no primeiro semestre, preocupa-o?
- Estivemos no mês passado com a administração da TAP e os dois pontos que nos preocupam (atrasos e perdas de bagagens) melhoraram espectacularmente. O problema não era das instalações da Portela. O pior é estarmos num extremo da Europa, dependentes da acessibilidade aeroportuária, sem alta velocidade. A partir de Outubro/Novembro vai haver grande redução de voos da TAP e de outras companhias para cá. Perder 136 milhões é muito, mas não quer dizer nada. Será muito pior a redução de voos. A TAP sabe muito melhor do que eu o que há a fazer.
A TAP já devia ter sido privatizada?
- Como as companhias estão, a tendência era quase a contrária: ser nacionalizada. Mas isso ela já é. Estamos sempre ao lado da consolidação. Há sempre a impressão de que há assuntos cruciais para o nosso desenvolvimento que são pensados em cima da crise, sem um estudo aprofundado, como os sectores estratégicos da nossa economia.
Sou claramente contra a privatização da CGD, fazem-nos falta alguns símbolos de independência nacional (…) Na capital, o investimento planeado para a Frente Ribeirinha precisa de consistência e viabilidade económica.
As intervenções na zona ribeirinha podem ajudar esse objectivo?
- Gosto dos projectos, mas falta o evidente para o empresário: a viabilidade económica. Não temos dinheiro para aquilo. Falta uma ideia económica forte, que dê a certeza de que se ganha valor com aquele projecto e se cria riqueza para toda a gente.
É um plano teoricamente bom, mas economicamente inviável?
- Como está apresentado, não há ninguém que ponha dinheiro naquilo. O mundo que eu conheço é a Câmara de Lisboa sem dinheiro, que vai ter eleições dentro de ano e meio. Se arrancar com uma ideia ‘Lisboa, capital de negócio’, agregada a este projecto, que faça empresas de fora (??) instalarem-se cá, com terrenos que passam a valer o dobro nesse caso, aí acredito que tudo aquilo é possível.
 

Extracto da entrevista ao presidente da Confederação do Turismo Português IN www.semanarioeconomico.com/entrevista/entrevista_index.html

Adjudicação dos trabalhos para o Novo Aeroporto

Sobreda, 14.08.08

A localização do novo aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete foi aprovada em Conselho de Ministro em de 8 de Maio passado e o calendário do Governo aponta 2017 como data prevista para a entrada em funcionamento do Novo Aeroporto.

 

A NAER acaba agora de adjudicar os primeiros trabalhos do Novo Aeroporto às empresas Artop e Geocontrole que serão responsáveis, respectivamente, pelas áreas de cartografia e geotecnia e prospecções no terreno, anunciou ontem a empresa responsável pelo projecto. Em comunicado, a NAER informa que os trabalhos no Campo de Tiro de Alcochete “estão agora a arrancar, pretendendo-se que estejam concluídos antes do final do ano”.
Os trabalhos de cartografia, geotecnia e prospecções no terreno surgem após os estudos preliminares efectuados pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), no âmbito da Avaliação Ambiental Estratégica, que determinou a localização do novo aeroporto em Alcochete em detrimento da zona da Ota.
Actualmente, a NAER está a desenvolver o seu trabalho para o Novo Aeroporto actuando em quatro áreas: caracterização do Campo de Tiro de Alcochete (que inclui, por exemplo, estudos cartográficos e sondagens geotécnicas), desenho do novo aeroporto, acessibilidades para pessoas, para mercadorias e ambiente.
Para estes trabalhos, estão pré-qualificadas 21 empresas, nacionais e estrangeiras, que estão a ser convidadas a apresentar propostas de prestação de serviços à medida que os trabalhos vão tendo início. Apesar de já existirem empresas pré-qualificadas, a NAER deixa a lista aberta a outras empresas que entretanto decidam candidatar-se.
As principais conclusões dos trabalhos de caracterização deverão estar prontas no final do primeiro trimestre de 2009, de modo a que a construção do novo aeroporto arranque em 2011, prevendo-se a conclusão das obras cinco ou seis anos, de acordo com a NAER 1.
Fica ainda por resolver o destino dos terrenos da Portela. Ideias não faltam, mas os projectos conhecidos até ao momento são contraditórios entre si. Não menos grave é a contaminação dos solos e da água subterrânea, infiltrado, durante anos, com combustíveis e materiais poluentes 2.
 
1. Ver Lusa doc. nº 8650996, 13/08/2008 - 13:53

2. Ver http://pev.am-lisboa.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=68&Itemid=36

O futuro da Portela

Sobreda, 17.01.08
O actual presidente da CML não questiona o encerramento do aeroporto da Portela, embora defenda que “a escolha da localização para o Novo Aeroporto de Lisboa (NAL) era competência do Governo”.
Para Lisboa afirma que sempre pediu “um acesso fácil, rápido, cómodo e barato” entre o centro da cidade e a nova infraestrutura, fosse qual fosse o local escolhido, considerando ainda ‘positivo’ que o processo de decisão esteja, finalmente, a concluir-se. No entanto, a visão para o futuro da Portela passa pelo desejo de vir a ser “um pulmão verde” para a cidade, admitindo que zonas já construídas possam ser reutilizadas com o mesmo fim.
Por isso a CML analisou ontem, em reunião extraordinária, o estudo do LNEC que indica o Campo de Tiro de Alcochete como a melhor localização para o novo aeroporto de Lisboa. Em cima da mesa esteve ainda a Terceira Travessia do Tejo, ou seja, a ponte prevista para entre Chelas e o Barreiro 1.
Entretanto, a Associação Profissional dos Urbanistas Portugueses (APROURB) já veio alertar que “não se pode permitir a especulação imobiliária nestes terrenos (Portela). É preciso um plano urbanístico para esta nova área, não esquecendo a revisão do PDM que está a decorrer”.
Com o desmantelamento da Portela, depois de construído o NAL, a maior parte deste terrenos deve ser de utilização pública, “mas sem perder novas oportunidades de infra-estruturas que possam aparecer (…) devolvendo o espaço às pessoas”. “Deve ser um parque urbano com outros equipamentos que fazem falta à cidade”.
É essencial, por exemplo, “estabelecer um equilíbrio desta área com o Parque de Monsanto”, mas também não esquecer que “a zona tem bairros degradados e recentes urbanizações e é preciso fazer esse remate com as zonas marginais 2.
Em suma, é preciso desde já travar a especulação imobiliária naquela zona, com os arredores já tão urbanisticamente sobrecarregados, vide a Alta do Lumiar, salvaguardando-se os terrenos ocupados pelo actual aeroporto para uma utilização pública colectiva.
 
2. Ver Lusa doc. nº 7892109, 14/01/2008 - 14:13

Volte-face

Sobreda, 11.01.08
O primeiro-ministro anunciou ontem a decisão preliminar de escolher Alcochete para construir o novo aeroporto internacional de Lisboa (NAL). O estudo encomendado pelo Governo ao LNEC concluiu que a localização do NAL em Alcochete é do ponto de vista técnico e financeiro “globalmente mais favorável” do que a Ota e recomenda ainda ao Governo que a opção por Alcochete seja acompanhada pela construção de uma ponte rodo-ferroviária Chelas-Barreiro.
Logo a seguir, o primeiro-ministro evidenciou as diferenças apontadas pelo LNEC ao nível dos sete factores críticos entre Ota e Alcochete para a escolha do novo aeroporto. “A maioria dos factores críticos tende para Alcochete, nomeadamente quatro do total de sete: segurança, eficiência e capacidade das operações do tráfego aéreo; sustentabilidade dos recursos naturais e riscos; competitividade e desenvolvimento económico e social; e avaliação financeira”. Perante estes dados, Sócrates disse não haver agora “margem para dúvidas qual a opinião técnica do LNEC” 1.
Todavia, a ex-ministra do Ambiente Elisa Ferreira, que em 1999 escolheu a Ota em detrimento de Rio Frio como localização do novo aeroporto internacional, defendeu hoje que a opção por Alcochete deve ressalvar eventuais danos irreversíveis para o ambiente. “Ao contrário do que aconteceu com a Ota, a opção por Alcochete está a ser tomada sem ter sido feito um estudo de impacte ambiental”. A actual deputada socialista do parlamento europeu defendeu uma reserva da opção Alcochete: “Podem surgir surpresas ambientais quando for concluído o estudo de impacte ambiental. Se surgir um grande dano ambiental irreversível, o governo deve recuar na opção por Alcochete” 2.
Ou seja, poderá acontecer um terceiro volte-face! E sobre a reabilitação dos terrenos da Portela nada ainda se diz. Entretanto, a própria NAER acaba de alterar o seu sítio na web e retirar a referência à Ota da sua página principal 3.
Para o PCP, a escolha do Governo por Alcochete em detrimento da Ota “sustentada em pareceres técnicos, é a correcção de um erro”. “Não é mal assumir e corrigir um erro. A autocrítica (por parte do Governo) já está verificada”. Quanto ao futuro, para os comunistas, é preciso um “combate à especulação”, a ANA deve ter “um papel estratégico” e “não deve haver precipitações” quanto ao aeroporto da Portela, mantendo-o “em funcionamento” 4.
Para “Os Verdes” o processo do NAL está “descredibilizado”, e consideram que tomar qualquer decisão antes dos estudos de impacte ambiental “é um crime político”, sendo a “prova provada” de que existem alternativas de construção, pelo que se deve “pegar em todas as possíveis para promover estudos de impacte ambiental muito rigorosos e só depois tomar uma decisão política em função dos resultados” 5.
Até os ambientalistas da Quercus admitem apresentar queixa à Comissão Europeia e ao Ministério Público caso o Governo avance com o NAL de Alcochete sem estudar o impacte ambiental de “todas” as localizações propostas para o NAL, pois “parece que o estudo de impacte ambiental vai incidir apenas sobre a opção de Alcochete, sem contemplar todas as outras opções em cima da mesa” como a Portela mais Alcochete ou mais Montijo e a OTA”. No caso de o estudo de impacte ambiental estratégico incidir apenas sobre Alcochete, a Quercus vai avançar com uma queixa à Comissão Europeia e ao Ministério Público.
Concordando com “Os Verdes”, a Quercus considera que “a lei exige que o estudo de impacte ambiental incida sobre todas as opções. O procedimento normal seria fazer o estudo e apresentar a opção definitiva depois. Temos esperança que o primeiro-ministro tenha manifestado apenas a sua preferência por Alcochete e que vá ainda ver o impacte das várias opções, para depois escolher a localização”, adiantou o presidente da Quercus.
Também à semelhança do PCP, os ambientalistas pedem ainda que o Governo imponha medidas cautelares imediatas que travem a especulação imobiliária dos terrenos de Alcochete. “E estas medidas cautelares têm agora de ser a sério, e não como as tomadas para a Ponte Vasco da Gama. É preciso impedir alterações dos Planos de Desenvolvimento Municipal, para travar a especulação imobiliária”, adiantou outro dirigente da Quercus 6.
Entretanto que desespera cpm este ziguezagueante impasse é a Comissão Europeia que já advertiu para a urgência de uma decisão definitiva sobre o futuro aeroporto de Lisboa, e para que o projecto se desenvolva no quadro dos fundos estruturais da UE destinados a Portugal entre 2007-2013.
Bruxelas sublinha que afinal o Governo português ainda “não tem uma posição pré-estabelecida sobre a localização” do NAL, pelo que o executivo comunitário indicou que, “como é hábito, devem ser realizados todos os estudos necessários de modo a que a Comissão possa apreciar a oportunidade de financiamento do projecto pelos 'fundos de coesão' e decidir em consequência”. E Bruxelas adverte que “uma decisão definitiva deve ser tomada nos prazos mais rápidos, se é desejo realizar este projecto no quadro da programação dos Fundos Estruturais e do Fundo de Coesão para 2007-2013, onde está previsto actualmente”. Em Novembro passado, Bruxelas já decidira destinar 69 milhões de euros para estudos e obras do NAL, no âmbito do programa Redes Transeuropeias de Transportes 7.
Pelo que, como novos volte-faces e a manterem-se os avanços e recuos do Governo português, até os fundos comunitários ‘jamais’.
 

Decisão sobre aeroporto adiada para Fevereiro

Sobreda, 06.12.07
O LNEC adiou para meados de Janeiro de 2008 a entrega do estudo comparativo sobre o Novo Aeroporto de Lisboa, que estava previsto para 12 de Dezembro. O adiamento é explicado pelo LNEC com a necessidade de mais tempo para compatibilizar os estudos fragmentados que estão a ser elaborados por vários especialistas, não apenas portugueses, mas também estrangeiros.
O estudo do LNEC deveria ser apresentado na 4ª fª da próxima semana, mas sendo adiado para meados de Janeiro, remete para Fevereiro a decisão do Governo sobre a localização do futuro aeroporto de Lisboa.
Espera, por isso, que este adiamento seja sinal de que o LNEC está a comparar todas as alternativas. Para o PCP “este adiamento vem confirmar a complexidade dos estudos que estão em causa e o facto da posição do Governo estar a ser precipitada quando no princípio deste ano procurou forçar uma posição num determinado sentido” 1.
Nos últimos meses, o LNEC tem feito vários estudos parcelares, pelo que agora, para a redacção do documento final, precisa de harmonizá-los. E foi para realizar esta tarefa que pediu mais tempo ao Governo.
O LNEC estará, pelo menos, a fazer um estudo comparativo entre a Ota e Alcochete, um estudo próprio que nada tem a ver com os outros que têm sido apresentados 2. Desconhece-se se a viabilidade de manutenção ou não da Portela acabará entretanto também por ser considerada neste estudo comparado.
 

Estudos comparativos sem critério

Sobreda, 29.11.07
O PCP lamentou ontem que o Governo não tenha promovido, desde o início, regras e critérios para um estudo comparativo das várias hipóteses de localização para o novo aeroporto de Lisboa.
Sobre o estudo da Associação Comercial de Porto divulgado na 3ª fª passada e que aponta como melhor opção para o novo aeroporto de Lisboa a continuação e rentabilização dos actuais investimentos em curso na Portela, o deputado Bruno Dias escusou-se a fazer comentários, alegando que o grupo parlamentar comunista ainda não teve ocasião de o ler.
“Desde o princípio que o PCP tem afirmado que não temos complexos nem recusamos opções à partida”. Mas “o facto do Governo ter recusado analisar as várias opções faz com que aconteça isto, que entidades privadas se disponibilizem para financiar estudos. Somos enredados numa discussão que poderia ser mais séria”.
Para o deputado, esta proliferação de estudos financiados por entidades privadas pode conduzir a “uma situação pouco transparente e pouco clara”. “O Estado tem de ter uma estratégia, o Governo tem de promover estudos para uma opção que é determinante para o país”.
Só que “o Governo deveria ter, desde o início, estudado regras e critérios para estudos comparativos”, acrescentou, considerando que o “interesse nacional” tem de estar acima de tudo.
 
Ver Lusa doc. nº 7750815, 28/11/2007 - 15:55

Rosalinda se aterrares na Portela...

Sobreda, 02.11.07

Aeroporto de Barajas, Madrid. Impecavelmente limpo e organizado, com uma tangível preocupação de promoção da Espanha e dos produtos espanhóis. Ali não se brinca. Sabe-se que a imagem do País começa e acaba nas primeiras e nas últimas impressões do viajante.

Aeroporto da Portela, uma hora depois. Um autocarro recebe os passageiros. Empoleirados nos varões, iniciam um supliciante percurso de braços esticados, dorsos hirtos e pernas instáveis, suportando, com a firmeza possível, a sinuosidade do traçado, por entre aviões, contentores, outros autocarros, escadas, cargas, etc. Segue-se a interminável espera das malas, numa gare atulhada de papéis e de restos de etiquetas que alcatifavam um chão já sem memória da última limpeza. A incúria, a sujidade, o desleixo estão patentes em todo o lado. Não apenas no lixo espalhado. Em tudo.

Poderá dizer-se que a ANA não investe na reforma do Aeroporto atenta a iminência da aprovação do novo. Mas, o que é certo e indesmentível é que a inauguração do anunciado virá longe e, por enquanto, em local e prazo incertos. Até lá, milhões de pessoas utilizarão a Portela. E formarão a sua ideia de Portugal conhecendo, e sofrendo, o actual Aeroporto Internacional de Lisboa.

Porventura lobrigarão a imagem correcta do País. Ou terão a surpresa de descobrir que este é um pouco menos desorganizado e caótico do que o Aeroporto que os recebeu. Eis mais uma singularidade portuguesa: conseguimos aparentar ser ainda piores do que realmente somos.

Entretanto, um leitor comentou também a péssima gestão do aeroporto de Lisboa.

Mais parece uma tenda, dando uma imagem muito negativa sobre o país. Atafulham-se os passageiros em autocarros em condições que nem para gado seriam aceitáveis. Quinze minutos para passar o controle de fronteiras. Quarenta minutos de espera pela bagagem. Falta de informação adequada e coordenada quando se desembarca, sem instalações condignas. Más ligações entre o aeroporto e a cidade para quem queira evitar a roubalheira e abuso de muitos taxistas.

Para quem chega, as primeiras impressões sobre Portugal são negativas. Para quem parte, a roubalheira praticada pelas lojas e bares do aeroporto não deixa saudades. Falta de profissionalismo quando se pede apoio a algum funcionário incomodado por lhe interromperem a conversa pessoal ou o prazer do cigarro que não deveria sequer ser admitido. A impressão geral dum pequeno grupo que recentemente levei a Portugal é que o aeroporto nem é melhor nem pior do que aquilo que, por vezes, designamos de terceiro mundo. A ANA terá muito a fazer se quiser dar a imagem dum aeroporto civilizado, e o ICEP deverá acordar e despertar para o muito que pode e deveria fazer no aeroporto 1.

Adaptando o poema de Fausto Bordalo Dias: Rosalinda se aterrares na Portela, se tu fores ver os aviões, cuidado não te descaia o teu pé de catraia em lixo e óleo sujo à beira do aeroporto 2. Tem cuidado...

 

1. Ler José Luís Seixas IN Destak 2007-10-31, p. 27

2. Ler http://natura.di.uminho.pt/~jj/musica/html/fausto-rosalinda.html