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CDU LUMIAR

Blogue conjunto do PCP e do PEV Lumiar. Participar é obrigatório! Vê também o sítio www.cdulumiar.no.sapo.pt

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A comunicação social é um trampolim para o poder - Um «saco de gatos» ou os «buracos» de Sócrates

teresa roque, 27.03.10
 

O tema central de uma das reuniões anuais do Fórum Económico Mundial realizada em Davos em 2006 consistiu na clarificação do conceito de «imperativo criativo». Esta ideia é actualmente cultivada pelos filósofos da globalização e consagra o princípio de que os responsáveis capitalistas devem desprezar todas as decisões, ferramentas e quadros de referência que os orientaram até há dez anos e imaginar novas estratégias que permitam fazer tábua rasa de quaisquer preconceitos, aplicando métodos que sejam simplesmente adequados à concretização dos objectivos alcançar.

É o pragmatismo levado às últimas consequências. Sem se atender sequer a normas éticas que condicionem ou impeçam a acção. É isto que representa, nas sociedades contemporâneas, a «chave do sucesso».
Sócrates e os seus ministros pegaram nesta «regra de oiro» sofregamente, mandaram a Constituição às urtigas e passaram a governar «à moda de Davos». Os resultados estão à vista. Oportunismo e mais oportunismo. Buracos e mais buracos. Portugal mais parece um passador do que um Estado de direito. Honra seja feita a Sócrates e aos que o apoiam na sua missão de devastar o País.
O escândalo recente que continua a engordar e a produzir bons lucros privados foi baptizado com o título poético de «Face Oculta». Trata-se, na realidade, de um tacho sem fundo. A conspiração envolve grandes grupos económicos, redes de bancos, offshores, órgãos da comunicação social, fundações, políticos e governantes, sociedades secretas ou semi-secretas, agentes da corrupção, instituições como a Maçonaria e a Igreja, empresas públicas, etc., etc., etc. Tem como objectivo final a conquista do controlo dos sectores-chave da comunicação social. Ainda há poucos meses tudo parecia correr sobre rodas mas sobreveio a crise, levantou-se a ponta do véu e o oportunismo desonesto transformou-se num «saco de gatos».
Para branquear culpados, logo se disse que o plano escondido se reduzia a alterar linhas editoriais e a aplicar as regras do mercado. Mas revelou-se, no decurso das primeiras investigações, que ele era muito mais perverso. Ainda que o imbróglio da «Face Oculta» tenha raízes recentes, ele enquadra-se perfeitamente nos parâmetros do «imperativo criativo» e vem de longe, teve uma «incubação» de muitos anos e foi apadrinhada por forças poderosas. Há velhos dossiês que atestam esta antiguidade. Por exemplo, quando em 1990 a Rádio Renascença quis comprar para a Igreja o direito a um canal televisivo e depois se contentou com o acesso ilimitado ao Canal 2, pago pelo Estado. Instalou-se, foi alargando o peso da sua presença e agora não há praticamente programas que ela não domine e afirma que o fenómeno é puramente português, argumento que os noticiários da sociedade civil provam ser redondamente falso.
Enquanto escutas e pressões políticas se verificavam entre nós, verificava-se casos semelhantes noutros países do mundo capitalista. Por exemplo, ainda em 1991, a TVI vendeu 15% do seu capital à Fininvest de Berlusconi. A comunicação social é, e sempre foi, um trampolim do poder.
Um outro álibi frequentemente invocado por todos os comparsas desta nova comédia é de que agem em defesa da «liberdade de expressão», o que também não é verdade. Porque concentrar poderes, reduzir o leque das opiniões expressas, praticar o proteccionismo e cultivar alianças secretas, jamais conduziu ao respeito pela liberdade de expressão. Veremos em breve (ou talvez não!) como acaba esta vergonhosa telenovela cujo termo ainda se adivinha vir longe.

Retalhes da comunicação social

Seria benéfica e urgente a publicação de um «Livro Branco» sobre a acelerada concentração de poderes na área da imprensa escrita portuguesa, sobretudo a partir da década de 90. E não ficar pela imprensa escrita: pôr-se em paralelo o que vem acontecendo nessa área e o que continua a verificar-se nos sectores do audiovisual e da radiodifusão. Iríamos constatar como também aí existem operações concertadas, longamente reflectidas, de controlo absoluto desses subsectores da comunicação social. Passo a passo mas aceleradamente, enquanto a TV do Estado é cedida aos interesses privados, as rádios subordinam os seus «conteúdos» ao que lhes é fornecido pelas poderosas agências internacionais dominadas pelas políticas e poderes mundiais da «internacional do dinheiro». E todo o audiovisual é instrumentalizado pelo poder capitalista que o utiliza como meio de propagação das suas ideologias. Esta orientação centralizadora tem na Igreja um dos seus principais veículos.
Teria ainda grande interesse identificar as forças políticas, religiosas e empresariais que são agentes destes processo de intoxicação estrutural, bem como os homens e mulheres que preenchem os seus quadros políticos. Constataríamos que, independentemente da passagem do tempo, as forças de intervenção mobilizadas para esta guerrilha têm sempre as mesmas origens e são servidas por gerações de financeiros que se revezam mas que visam, permanentemente, os mesmos objectivos: concentrar, privatizar, dominar, aumentar os lucros e substituir-se às funções do Estado. O banquete é lautamente servido aos grandes senhores, perante o olhar espantado dos plebeus que pagam para ver com os seus olhos como é voraz o apetite dos poderosos. As «faces ocultas» contêm e desenvolvem em si mesmas estes factores cuidadosamente omitidos e procuram, discretamente, desmobilizar resistências, maquilhar a realidade e distrair o povo das lutas essenciais contra a pobreza, o desemprego e contra a apropriação privada e posterior destruição do aparelho produtivo do Estado. A fachada principal desta «face oculta» (tal como as fachadas de outros embustes político) não pode já enganar ninguém. Mas importa esclarecer e desmontar definitivamente esses ciclos viciosos.

As farsas e os farsantes

Nesse sentido, convém não deixar passar em claro os traços essenciais de toda esta teia conspirativa. Um a um, até onde for possível chegar. Como no caso de este já referido plano de domínio da informação. Em primeiro lugar, importa não esquecer que o grande bolo que está na base da «Face Oculta» é a TVI cuja maioria do capital é da Rádio Renascença, da União das Misericórdias, das IPSS e das ONG, da sociedade civil, das fundações católicas, em suma, do Patriarcado da Igreja. Em segundo lugar, convém recordar que a Prisa (o gigantesco grupo espanhol interessado na compra da TVI) tem negócios mundiais que a ligam intimamente aos mais poderosos bancos da esfera de influência católica, tais como o Santander, o Popular, o Deutsch Bank, o J.P. Morgan e muitos outros. Isto para salientar que as transacções da «Face Oculta» não giram apenas em torno de finanças «domésticas» mas são alvos financeiros com interesse para a banca mundial. À imagem do que já aconteceu em Espanha ou em Itália. Em terceiro lugar, que reaparecem em palco, neste espectáculo ao vivo que é a «Face Oculta», duas sociedades secretas – a Maçonaria e o Opus Dei. O Opus Dei, numa natural posição de força e através de meios de intervenção ligados aos bancos do Vaticano, às empresas que domina e a homens seus colocados nos grandes centros de decisão da política e do dinheiro. A Maçonaria está também, claramente, no negócio da TVI. A sua presença, para além de se afirmar nos circuitos habituais das empresas e dos grupos bancários, traduziu-se na compra de um grande lote de acções da Media Capital pela Ongoing. O homem forte da Maçonaria nestes negócios chama-se Nuno de Vasconcellos. Dirige a Ongoing Strategy Investments, uma holding da família Rocha dos Santos, e simultaneamente é Mestre Venerável da Loja Mozart, a mais poderosa formação financeira da Maçonaria portuguesa. A Loja Mozart forma um influente triângulo de poder com outras duas lojas congéneres: a Mercúrio e a Brasília. Conta a revista Sábado, num artigo de opinião assinado por António José Vilela, em Dezembro de 2008, ainda a «Face Oculta» não era falada: «É no recato das paredes deste trio de lojas, fundadas na orla da Grande Loja Legal de Portugal/ Grande Loja Regular de Portugal, que chefes de gabinete de ministros, deputados, advogados, membros dos serviços secretos, assessores diplomáticos e empresários, se encontram regularmente».
Sem dúvida que estes elementos de informação nos poderão ajudar a potenciar a enorme importância do dossiê «Face Oculta». São elementos de informação esclarecedores da verdade do que se está a passar, tanto mais que acrescentam que esta teia passa por quatro poderosas organizações civis: a Associação de Amizade Portugal/Estados Unidos, a Revista Segurança e Defesa, o Instituto Transatlântico Democrático e o Instituto Luso-Árabe para a Cooperação. Cai por terra, pois, a ficção de que o projecto investigado na «Face Oculta» não tem extensões internacionais.
No outro prato da balança situa-se o Opus Dei. Joga com a posição ambivalente da Igreja face à Maçonaria. A Igreja distingue duas maçonarias: a boa é a Maçonaria Regular que evoluiu, abandonou os erros teológicos e hoje é, em geral «respeitadora das religiões e até recusando ateus», nas palavras da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais; a outra, a , é a Maçonaria Irregular, «laicista, ateísta e anticlerical». A Igreja não fala com a maçonaria má mas com a boa pode negociar. E as lojas portuguesas interessadas nesta operação fazem parte desta ala boa da Maçonaria. É assim que nomes sonantes da Igreja e do Opus Dei não recusam sentar-se à mesa com mestres, veneráveis e vigilantes maçons. Noutra ordem de ideias, noutro sentido, retenha-se que Opus Dei e Maçonaria têm canais abertos de comunicação permanente com os órgãos do poder. A afirmação não é gratuita e são muitos os nomes de personalidades que exercem cargos públicos de direcção e os órgãos da comunicação social apontam como membros das duas instituições confessionais.
Será especulativo aceitar como hipótese que o que está verdadeiramente em curso em todo este enredo é a tal «incubação» de um enlace, na área da informação, de um poderoso bloco constituído pela Maçonaria, pelo Opus Dei, pelo mundo empresarial e pelos próprios órgãos do poder político? Não há, de momento, possibilidade de fundamentação desta eventualidade. Mas ela é possível. A verificar-se constituiria para Sócrates uma inesperada saída do atoleiro em que está metido. A Igreja e a Maçonaria veriam a sua influência política acrescida. Os grandes empresários teriam a possibilidade de aumentar os lucros e de criar entre a opinião pública atingida por uma comunicação social controlada uma imagem favorável.
Veremos o que virá a acontecer. Não esquecendo a luta contínua no plano das realidades e a força dos trabalhadores, a sua vitória final apenas depende da sua capacidade para afirmarem unidade e organização. Cada vez menos o povo acredita nas promessas dos farsantes no poder. «Chefes de gabinete de ministros, deputados, advogados, membros dos serviços secretos, assessores diplomáticos e empresários» ... e bispos – acrescente-se – dormem todos na mesma cama.

 

Jorge Messias

Jornal " AVANTE " de 25.03.2010

É falso que o salário mensal no sector Público seja superior ao do Privado

Sobreda, 26.08.09

Na semana de 13/17 de Julho de 2009, os órgãos de comunicação social e as TVs acabaram por colaborar numa gigantesca operação de manipulação da opinião pública.

Para isso, foi utilizado um estudo divulgado no Boletim Económico - Verão de 2009 do Banco de Portugal, que, segundo os autores da notícia, provava que “os funcionários públicos auferem um salário mensal claramente acima dos seus congéneres do sector privado e o diferencial aumentou ao longo do tempo, passando de 50% em 1996 para quase 75% em 2005”.
Desta forma, ficaria justificada a política deste Governo contra os “privilegiados” da Administração Pública (uma ajuda para a campanha eleitoral de Sócrates), por um lado, e, por outro lado, preparava-se já a opinião pública para que o futuro Governo continuasse a reduzir as condições de vida destes trabalhadores.
Uma análise objectiva de todo o estudo do Banco de Portugal, e não apenas de alguns dados retirados do seu contexto, revela que a notícia dada pelos media é falsa.
Na pág. 65 do referido estudo, encontra-se a passagem anterior que foi utilizada pelos media no seu ataque à Administração Pública. Mas logo a seguir, na pág. 66, do mesmo estudo chama-se a atenção que “os diferenciais brutos que temos vindo a referir podem ser indicadores erróneos de desigualdade salarial, já que remunerações mais elevadas podem ser justificadas, por exemplo, por uma maior dotação de capital humano”, ou seja, por uma maior escolaridade e qualificação. E logo na mesma página do estudo refere-se que “a proporção de funcionários públicos que reportam educação universitária ronda os 50% em 2005, enquanto no sector privado esta corresponde a pouco mais de 10%”.
Mas tudo isto foi ocultados pelos media.
Utilizando os valores dos rendimentos auferidos pelos trabalhadores por conta de outrem de acordo com o seu nível de escolaridade obtidos através do “Inquérito às despesas das famílias 2005/2008” realizado pelo INE, e tendo em conta a percentagem de trabalhadores no sector público e no sector privado em cada nível de escolaridade, conclui-se que só o efeito da escolaridade mais elevada que existe na Administração Pública, explica que o salário médio ponderado anual nesta seja superior em 58% ao do sector privado.
Por outras palavras, devido ao facto de 50% dos trabalhadores da Administração Pública terem formação superior, enquanto no sector privado são apenas 10%, e como os trabalhadores com formação superior auferem, em média, um salário muito mais elevado do que aqueles que apenas possuem o ensino básico ou secundário, o salário médio ponderado na Administração Pública teria de ser superior em 58% ao do sector privado.
Mas as razões das diferenças salariais não resultam apenas do efeito escolaridade. Na pág. 68 do estudo reconhece-se “que a disparidade salarial bruta entre os dois sectores apresentada na última secção é largamente explicada pelas diferenças nas características da mão-de-obra”.
Assim, segundo o estudo divulgado pelo Banco de Portugal, devido a essas características verifica-se, “em termos do salário mensal, que a diferença passou de 10% em 1996, para 15% ou um pouco mais na década que se seguiu” (pág. 68), portanto valores muito inferiores aos 50% e 75% divulgados pelos media. E mesmo esta diferença 15% não corresponde à realidade.
Em 2006, o governo de Sócrates, contratou a CAPGEMINI, que é uma das maiores empresas do mundo de serviços de consultoria, para fazer um “Estudo Comparativo de Sistemas de Remuneração entre os Sectores Público e Privado”. E as conclusões a que esta empresa chegou desagradaram o Governo de tal forma que ele fez desaparecer o estudo apesar do seu elevado custo para o erário público (em 2006, na Assembleia da República, durante o debate do Orçamento do Estado, em que participamos, solicitamos ao Ministro das Finanças que fornecesse o estudo aos deputados, o que ele recusou).
É que, segundo o estudo da CAPGEMINI, por categorias profissionais as remunerações dos trabalhadores da Administração Pública eram inferiores aos do sector privado (…)
Os salários dos trabalhadores da Administração Pública são, em média, inferiores em -25,9% do sector privado segundo o próprio estudo do Banco de Portugal. E no período 2005/2008, a desigualdade salarial agravou-se ainda mais, pois os salários na Função Pública aumentaram apenas 7,5%, enquanto os do sector privado subiram 13,5%.
A questão que se coloca agora é esta: Terão os órgãos de comunicação que divulgaram aquela notícia falsa, manipulando assim a opinião pública, a honestidade de a corrigir informando com objectividade os seus leitores?
 
Ler o estudo “As mentiras utilizadas pelos media na manipulação da opinião pública” do economista Eugénio Rosa IN www.eugeniorosa.com/default.aspx?Page=4129

Uma operação à maneira

teresa roque, 15.08.09

O «critério informativo» dominante nos média do grande capital é a defesa da política de direita – seja ela praticada pelo PS ou pelo PSD, com ou sem CDS/PP ou Queijo Limiano.
Se o proprietário de um dado órgão de comunicação está satisfeito com o partido de serviço à política de direita, esse órgão será o seu fiel propagandista; se, pelo contrário, por esta ou aquela razão, não está satisfeito com a prestação desse partido, então o órgão criticará o partido de serviço e fará propaganda ao outro...
Por força desse critério, constitui prioridade complementar desses média o ataque sistemático a quem combata a política de direita – daí o tratamento de excepção, pela negativa, aplicado ao PCP e à CDU; daí o tratamento de excepção, pela positiva, a tudo o que eles pensem que pode impedir ou limitar o avanço do PCP/CDU: daí, então, a intensa e permanente campanha de propaganda em favor do BE...
Um aspecto curioso é o que tem a ver com a diversidade de expressões que, pela força das circunstâncias, esse «critério informativo» assume. E nesse aspecto, pode dizer-se que a imaginação criadora de quem dirige os média dominantes é incomensurável, surpreendendo-nos todos os dias pelo grau sempre mais elevado de desvergonha e de insulto à inteligência dos seus leitores.
É o caso desta espectacular operação propagandística em curso visando a caça ao voto para o PS – ou seja: para a política de direita praticada pelo PS – iniciada na terça-feira com a publicação pelo Jornal de Notícias de um artigo de José Sócrates, intitulado «Uma escolha decisiva».
Trata-se de uma peça de propaganda – aliás, mal enjorcada, de baixo nível inteligencial e de seriedade mais do que duvidosa - na qual o primeiro-ministro tenta vender o exemplo «positivo» do seu Governo, remetendo para o «negativo» tudo o que provém daquilo a que, impropriamente, chama «oposição».
A operação prosseguiu na quarta-feira, no Diário de Notícias: aí, foi a vez de José Lello repetir o chefe, num artigo «Boas Novas», onde nos garante, vejam bem!, que «a economia está mais sólida e com maior capacidade» e blá-blá-blá.
Veremos quais os órgãos de comunicação que se seguem...

 

José Casanova

Publicado no jornal " AVANTE " de 13.08.2009 

A propaganda dos média dominantes

cdulumiar, 21.06.09
«Os média dominantes - propriedade do grande capital - deliraram com o resultado eleitoral do BE. Igual delírio se apossou dos comentadores, analistas e politólogos que, com lugar cativo nesses média, ali exercem a profissão de propagandistas da política de direita.
Percebe-se: sentiram como obra sua a subida eleitoral daquele partido; viram compensados os esforços que, nesse sentido, têm vindo a desenvolver desde há dez anos; verificaram que a intensa intervenção propagandística em favor do BE que levaram a cabo na campanha eleitoral, tinha resultado.
Esses mesmos média e esses mesmos propagandistas - todos ao serviço da política de direita que tão bem serve os interesses do grande capital - ficaram visivelmente desagradados com o resultado obtido pela CDU.
Percebe-se: depois de anos e anos de ataques desenfreados ao PCP; depois de múltiplas proclamações decretando o seu declínio irreversível; depois de sucessivas certidões de óbito autenticando a sua morte e funeral; depois de, na última campanha eleitoral, terem atingido o grau extremo da abjecção no tratamento da CDU; depois de tudo isso, eis que a notável subida eleitoral da CDU, com o espantoso aumento de 70 mil votos, faz em cacos todo o seu incansável trabalho propagandístico e remete-os à fúnebre condição de cangalheiros frustrados, de melancólicos gatos-pingados sem tarefa no horizonte.
Destas duas realidades incontestáveis - o delírio deles com o resultado do BE e a raiva deles com o resultado da CDU - emergem, incontornáveis, duas perguntas: porquê esta simpatia, este carinho, este apoio ao BE, por parte dos média do grande capital e dos seus propagandistas da política de direita?. E porquê este ódio, esta raiva, este ataque cerrado e sistemático ao PCP e à CDU, por parte desses mesmos média e desses mesmos propagandistas?
As respostas a tais perguntas são óbvias - e conduzem-nos à inevitável conclusão de que os votos obtidos pela CDU são os únicos que, de facto, vêm dar mais força à luta contra a política de direita e por uma política de esquerda. E é isso que, afinal e em síntese, explica a raiva deles face ao resultado da CDU - e o regozijo deles face ao resultado do BE».
Avante 18/06/2009

Vasco Granja o divulgador de BD e animação

Sobreda, 05.05.09

Vasco Granja (Fot. Bruno Barbosa)

 

Divulgador de banda desenhada e do cinema de animação em Portugal, Vasco Granja morreu ontem aos 83 anos, informou fonte do Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem. Vasco Granja, que conduziu na RTP mais de um milhar de programas dedicado à animação e foi o último director da revista Tintim, morreu de madrugada numa clínica de cuidados continuados em Cascais.
“Cinéfilo impenitente” e militante do Partido Comunista Português, Vasco Granja foi detido duas vezes pela PIDE por organizar sessões de cinema, muitas delas com filmes que ia buscar por conta própria às embaixadas em Lisboa.
Iniciando as emissões com um saudoso “olá amiguinhos”, Vasco gravou cerca de mil programas entre 1974 e 1990, onde apresentou personagens como Bugs Bunny e a Pantera Cor-de-Rosa, mas também a animação que havia para lá das portas do castelo de Walt Disney. No entanto, a maioria destes programas, intitulados ‘Cinema de Animação’, terá sido apagada dos arquivos da televisão pública.
Através do programa, o público juvenil, agora adulto, tinha oportunidade de ver, por vezes sem compreender, histórias de bonecos de plasticina, sombras chinesas ou com ursos de peluche animados. A televisão deu-lhe um maior reconhecimento público mas o interesse pelas histórias aos quadradinhos surgiu muito tempo antes, quando Vasco Granja lia as revistas ‘O Mosquito’ e ‘Tic-Tac’ e passava horas nos cineclubes.
Autodidacta e curioso, Vasco Granja passou a frequentar os festivais de BD no estrangeiro e organizou ciclos de cinema de animação, dois dos quais para os detidos na Cadeia do Linhó. Integrou por duas vezes o júri do festival de Angôuleme, em França, e em 1960 participou no primeiro Festival Internacional de Cinema de Animação de Annecy.
Teve vários empregos que alimentavam o vício da banda desenhada, numa casa de fotografia, numa tabacaria ou Armazéns do Chiado e, finalmente, na livraria Bertrand, onde permaneceu quase trinta anos e dirigiu a revista Tintin. E é a ele que se deve a publicação de Corto Maltese, de Hugo Pratt pela Bertrand.
Foi ainda determinante no arranque do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, que o homenageou com um troféu de honra em 1996. Vasco Granja, que durante muitos anos ficou conhecido como “o pai da pantera cor-de-rosa”, nasceu a 10 de Julho de 1925, em Campo de Ourique, Lisboa, fez apenas o ensino primário, casou e teve uma filha. Dizia que o seu herói era o Bugs Bunny.
O corpo do divulgador de BD estará em câmara ardente a partir das 18h30 de hoje na capela da Damaia, na Amadora. O funeral realiza-se terça-feira a partir das 15h para o Cemitério de Rio de Mouro, Sintra, onde o corpo será cremado.
 

Críticas à programação da RTP

Sobreda, 10.04.09

O ‘Relatório Intercalar’ da Entidade Reguladora da Comunicação (ERC), para avaliação do pluralismo político-partidário do serviço público de televisão, chama (finalmente!!) a atenção para “alguns desequilíbrios” na informação da RTP.

Após várias queixas da oposição contra a RTP pela “falta de equidade partidária”, a ERC emitiu um plano de avaliação do pluralismo político-partidário do serviço público de televisão. O objectivo do relatório intercalar é “identificar desvios, em alguns casos significativos, face aos valores-referência atribuídos ao Governo e aos partidos políticos com e sem representação parlamentar”.
Os principais desvios dos valores-referências definidos pela ERC são atribuídos à informação não diária, nomeadamente aos programas ‘Prós e Contras’ e ‘Grande Entrevista’, bem como aos comentários ‘As Escolhas de Marcelo’ e ‘As Notas Soltas de Vitorino’.
O programa Prós e Contras, que suscitou uma queixa formal do CDS pela sua não participação em consecutivas edições, é criticado pela “ausência de representantes do PCP, CDS-PP, BE, “Os Verdes” e de partidos sem assento parlamentar (...), quando comparada com a presença de representantes do Governo e do PSD”.
Quanto aos comentários políticos, a ERC destaca a “bipolarização formal do comentário político (entre PS e PSD), que indiscutivelmente afecta, de modo significativo, o padrão de cumprimento das obrigações do serviço público de televisão nesta matérias”. A RTP, enquanto serviço público de televisão, “não deu mostra aparente de uma efectiva vontade e disposição para alterar este estado de coisas”, remata o plano de avaliação.
O Governo, em conjunto com o PS, apresenta uma presença de “56,9% no modelo ponderado, ultrapassando o valor referência de 50%”. Por seu turno, os partidos sem representação parlamentar, que deveriam ter uma presença mínima de 2% segundo os valores-referência da ERC, não chegam a 0,8% de participação nos blocos informativos.
 
Ler Mariana D'Orey IN ‘Jornalismo Porto Net’, 2009-04-06

Quando a RDP não fala verdade

Sobreda, 24.03.09
Nem sempre a generalidade da comunicação social atenta nas justas queixas da CGTP-IN, mas, no caso presente, honra seja feita, a crónica que a seguir se transcreve era inevitável, perante a ‘malvadez’ e a colagem a uma campanha que mais parece ter sido encomendada à medida pelo próprio Governo.
«O caso de Eduarda Maio surpreende pela crueza. O conteúdo manipulatório do anúncio da subdirectora de Informação da RDP tem uma falta de sofisticação que é irritante. Com total despudor, os principais centros de indústrias de cultura do Estado coligaram-se para dar ressonância à reacção governamental ao protesto.
Sócrates considerou as manifestações de rua politicamente manipuladas. Dias depois do pronunciamento do primeiro-ministro, RTP e RDP, em total sinergia, acrescentam um efeito adicional para potenciar a mensagem do chefe do Governo: manifestações de rua são incómodas e atrasam a vida a quem quer trabalhar. São manifestações "contra" quem “quer chegar a horas”, acaba a dizer uma das mais altas responsáveis da informação do Estado em Portugal. Esta afirmação de Eduarda Maio não é feita num comentário a notícias do dia, num editorial ou num espaço de opinião, o que seria trabalho jornalístico legítimo.
A propaganda anti-sindical surge toscamente disfarçada num spot promocional da Antena 1, transmitido pela RTP. Face a isto, é muito difícil ao Governo socialista dizer que não interfere na informação prestada pelo Estado. As dúvidas sobre a postura jornalística de Eduarda Maio depois do seu divertido panegírico “Sócrates o Menino de Oiro” dissipam-se com esta participação na urdidura de marketing político em que se confronta a legitimidade do protesto com o slogan da ditadura que a melhor política é o trabalho
Este último incidente denuncia que a deriva totalitária do regime atingiu em quatro anos um descaramento intolerável para a democracia parlamentar, mesmo desnaturada por uma maioria, que a nossa cultura/incultura política provavelmente não comporta.
Assim, usando a legitimidade eleitoral como uma espécie de carta branca para a bizarria, os órgãos de Estado desdobram-se em propaganda e repressão que trouxeram a desordem ao sector público e a insegurança ao sector privado. Nesta maneira de estar no poder de José Sócrates, os pseudópodes da criatura maioritária vão cobrindo tudo com um manto de opacidade e intimidação que deforma e perverte.
As reformas conduzidas pelos mesmos chefes do antigamente, sobre quem a bênção socialista terá feito descer o espírito da modernidade, exigem seguidismos amorfos e ameaçam com processos disciplinares e degredo os dissidentes.
Mas agora que as dúvidas são muitas e a rua já grita, não basta silenciar os números do descontentamento porque eles estão à vista. É a altura do contra-slogan.
Tal como a Emissora Oficial no passado, RDP/RTP prestam-se uma vez mais à tarefa de defender regimes à custa de propaganda pensada e executada com o mesmo zelo com que o SNI coordenava, na Emissora Nacional, o programa do salazarismo ‘Rádio Moscovo não fala verdade’. O título deste programa da era de Sócrates é: A CGTP não deixa trabalhar. Como sempre, apresenta-o a Direcção de Informação da RDP».
 
Ler Mário Crespo “Rádio Moscovo não fala verdade” IN http://jn.sapo.pt/Opiniao/default.aspx?opiniao=M%E1rio%20Crespo

Anúncio da Antena 1 é ataque ao sindicalismo

Sobreda, 23.03.09

A Intersindical decidiu apresentar queixa contra um ‘spot’ da rádio pública a criticar a realização de manifestações. O secretário-geral Carvalho da Silva fala mesmo em “atitude de subserviência” ao Governo.

Com efeito, a RTP está a emitir um ‘spot’ publicitário de promoção à informação da rádio Antena 1, que contém críticas negativas sobre as manifestações, pelo que o anúncio vai motivar uma queixa formal da CGTP ao Conselho de Opinião da RTP, estando a central sindical a analisar também levar o caso a outras entidades de regulação.
O anúncio de meio minuto apresenta carros parados e, num deles, com o rádio ligado na Antena 1, a jornalista Eduarda Maio - uma das principais vozes da rádio pública e autora do livro ‘Sócrates: O Menino de Ouro do PS’, a biografia autorizada do primeiro-ministro lançada em 2008 - diz ao condutor que há ali uma manifestação. Quando este lhe pergunta contra quem é o protesto, a jornalista responde-lhe que é contra ele e “contra quem quer chegar a horas”.
“Isto não é apenas uma crítica velada, é um ataque expresso ao sindicalismo”, acusa o secretário-geral da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, dizendo ainda acreditar que só “por pura coincidência a voz off do anúncio é a da autora do livro de valorização do primeiro-ministro”, a qual já foi protagonista da anterior campanha da Antena 1, em que se sentava ao lado dos ouvintes para simbolizar a proximidade da estação com o auditório.
Carvalho da Silva lembra que o direito de manifestação é um direito constitucional. “A concepção individualista apresentada no spot não configura a missão de serviço público a que a rádio pública está adstrita, antes parece reflectir uma atitude de subserviência a posições de incómodo manifestadas pelo Governo relativamente à contestação das suas políticas”.
No caso do anúncio, numa fila de trânsito, um condutor impaciente tem o rádio na Antena 1 e ouve-se a voz da jornalista: “Daqui a pouco vamos em directo para o Parlamento, vamos acompanhar o debate desta tarde na Assembleia da República”. Depois diz as horas e começa a dialogar directamente com o condutor impaciente. Diz-lhe que não vale a pena seguir por aquela rua, que está cortada porque há uma manifestação.
“E desta vez é contra quê?”, pergunta-lhe o condutor. “Bom, pelos vistos é contra si”, acrescenta a jornalista. “Sim, sim, contra mim...”, suspira o condutor, ao que Eduarda Maio acrescenta: “Pois, contra quem quer chegar a horas”.
Nos últimos dias, CGTP e Governo trocaram recados sobre a manifestação que, na semana passada, juntou 200 mil pessoas em Lisboa contra as políticas económicas e sociais do Governo. Para a Intersindical, o ‘spot’ trata-se de uma situação desprestigiante, deliberada e vergonhosa.
 

Verborreia política

Sobreda, 21.02.09

O ministro dos Assuntos Parlamentares considerou, nesta 5ª fª, ser “inaceitável” (?) que a promoção feita pela RTP1 à sua entrevista com Judite de Sousa tivesse em som as suas palavras “malhar na direita” e disse esperar um pedido de desculpas daquela televisão, manifestando deste modo o seu incómodo à jornalista.

A 6 de Fevereiro, numa sessão de apresentação da moção do primeiro-ministro ao Congresso do PS, o dirigente socialista (e ministro dos Assuntos Parlamentares) disse gostar de “malhar na direita”, deixando também críticas aos partidos à esquerda do PS.
“Eu cá gosto é de malhar na direita, e gosto de malhar com especial prazer nesses sujeitos e sujeitas que se situam, de facto, à direita do PS. São das forças mais conservadoras e reaccionárias que eu conheci na minha vida e que gostam de se dizer de esquerda plebeia ou chique. Refiro-me, obviamente, ao PCP e ao BE”.
Na RTP, “ainda não me pediram desculpas mas eu estou certo de que não sairei daqui sem que me peçam desculpas”.
[Já cá faltavam mais uma ‘pontinha’ de pressão política e de censura].
 

Entidade reguladora avalia a falta de pluralismo político-partidário na informação diária

Sobreda, 01.10.08

 

O Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) adoptou, em 24 de Setembro, o Relatório Intercalar de Avaliação do Pluralismo Político Partidário no Serviço Público de Televisão, relativo ao primeiro semestre de 2008, dando assim cumprimento ao Plano de Avaliação do Pluralismo Político-Partidário no Serviço Público de Televisão.
O Relatório abrange os serviços de programas RTP1, RTP2, RTPN, RTP Madeira e RTP Açores 1.
No relatório de avaliação do pluralismo político-partidário da estação pública, relativo ao primeiro semestre do ano, agora divulgado, a ERC alerta para a possibilidade de serem tomadas “medidas adicionais” e aconselha a RTP a promover uma representação mais plural nos programas de comentário político “no curto prazo”. Uma situação que já tinha sido criticada pela entidade no relatório relativo a 2007.
A ERC conclui que pode mesmo vir a tomar medidas contra a RTP, caso esta mantenha programas de comentário político afectos apenas ao PS e ao PSD. Em causa estão ‘As Escolhas de Marcelo Rebelo de Sousa’ (PSD) e ‘Notas Soltas de António Vitorino’ (PS), ambos exibidos na RTP 1.
O documento alerta ainda para o facto de se manter inalterada “a maior duração do programa ‘As Escolhas de Marcelo’, diferença amplificada - e agravada - pelo facto de, por um lado, a RTP Madeira reexibir estes programas e, ainda mais de destacar, a RTP N reexibir apenas o programa ‘As Escolhas de Marcelo’” 2, bem como a falta de pluralidade na exposição dos pontos de vista de outros partidos com representação parlamentar, como o PCP, “Os Verdes” e o BE.
Em comunicado, o PCP considera que este relatório só vem confirmar “o quanto longe está a RTP do cumprimento do pluralismo na comunicação social e quanto próxima está da promoção da política de direita, onde a presença esmagadora de PSD e PS (…) constituem um importante factor de condicionamento da vida democrática nacional” 3.