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CDU LUMIAR

Blogue conjunto do PCP e do PEV Lumiar. Participar é obrigatório! Vê também o sítio www.cdulumiar.no.sapo.pt

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Milhares de famílias já não pagam renda

Sobreda, 12.05.09

30 mil famílias portuguesas já deixaram de pagar as prestações dos empréstimos relativos à sua habitação, estudando agora com os bancos o modo de resolver o problema.

As instituições de crédito contactadas foram unânimes em dizer que começam por “privilegiar a negociação com o cliente”, mas mesmo com a descida das taxas de juro, o endividamento excessivo ‘levam-nas’ a fazer mossa nos orçamentos familiares.
Pela primeira vez, a Associação Portuguesa para a Defesa dos Consumidores (Deco) está a receber pedidos de ajuda em que os salários em atraso são a causa da asfixia financeira. Daí até cerca de 30 mil famílias deixarem de pagar a prestação da casa foi um pequeno passo.
A estimativa baseia-se no cruzamento de dados do Banco de Portugal e do Instituto Nacional de Estatística. Em Fevereiro, havia 1,665 mil milhões de euros de crédito para habitação de cobrança duvidosa (ou seja, que não eram pagos há mais de três meses). Como o montante médio de dívida no crédito à habitação é de 55.134 euros, segundo o INE, chega-se às 30 mil famílias em incumprimento, num total de 1,9 milhões de contratos.
Aplicando o mesmo raciocínio aos números de Fevereiro de 2008, verifica-se que, nessa altura, havia 25 mil famílias com prestações da casa em falta, o que mostra um aumento de 20% num ano. Mesmo com a descida da Euribor desde Outubro do ano passado, o incumprimento não parou de aumentar.
 

Idosos deixam de aviar medicamentos por falta de dinheiro

Sobreda, 03.03.09

A falta de dinheiro está a levar cada vez mais portugueses a abdicar de medicamentos receitados pelos médicos. As farmácias entendem o problema e, muitas vezes, cedem os remédios a troco da promessa de pagamento no final do mês

“Destes medicamentos qual deles me faz mais falta?” é uma pergunta que os farmacêuticos ouvem diariamente nas farmácias muito frequentada por idosos. A directora técnica de uma farmácia conta que acaba “por lhes dar os medicamentos” e ironiza que “qualquer dia tem de mudar de ramo” porque não consegue dizer “não” quando um idoso diz que não tem dinheiro para um remédio essencial para a sua saúde.
Para facilitar o acesso aos medicamentos, muitos clientes idosos pagam no final do mês, quando recebem a pensão. “Há pessoas que entram, perguntam o preço, hesitam e acabam por não comprar. Muitas vezes, são medicamentos com preços de dois e três euros”. “O que vale é que a farmácia me deixa pagar aos bocadinhos”, diz uma idosa, que, todos os meses, faz contas de cabeça para pagar a conta na farmácia. Os 200 euros da reforma mal chegam para as despesas do dia-a-dia.
Há por isso muitos idosos que estão semanas sem tomar medicamentos, à espera que chegue o dinheiro da reforma ou então aviam apenas parte da receita. “Nós colocamos os medicamentos receitados pelo médico em cima do balcão e eles escolhem os que querem levar”, diz uma técnica de farmácia. “São pessoas muito honestas”, frisou, revelando que os idosos pagam sempre as suas contas. “O pior é os mais novos, que muitas vezes se queimam por uma ninharia”.
Os “calotes” têm aumentado com a crise. “Estou há 13 anos nesta farmácia. Nos últimos dois anos tive mais pessoas a não pagar as contas do que nos restantes onze", assegura, acrescentando que também “trabalha muito com pagamentos no final do mês” 1.
O Movimento de Utentes da Saúde 2 alerta que o corte nas despesas com a saúde é uma “realidade triste”, principalmente quando são os idosos os mais afectados. “Os idosos com pensões mais baixas vivem com muitas dificuldades. Muitas vezes adquirem o medicamento, olham para a conta e deixam ficar parte desses remédios na farmácia”, afirmou o seu porta-voz do movimento.
É uma situação “preocupante” especialmente porque são “idosos cujas defesas em termos de saúde estão em níveis muito baixos e ficam piores porque deixam de fazer a medicação necessária”.
 

Dar música com solução ‘economicista’

Sobreda, 14.02.09

Numa conferência que teve lugar em Azeitão, na passada 4ª fª, um ex-Ministro da Economia, dizendo que está a assistir à maior crise económica de sempre, fez questão de deixar um alerta aos empresários deste país: “Este é um tempo de sofrimento, mas a regra de ouro é sobreviver. Quem sobreviver, no final disto tudo, estará muito melhor”.

Começou por esclarecer que “até não me importo de receber algum em Certificados de Aforro, ou que me cortem uma parte do vencimento. Eu não posso é aceitar que a crise seja um pretexto para agravar a vida seja a quem quer que seja”.
O economista, não deixando de referir que a crise é “particularmente dura”, insurgiu-se contra a proposta apresentada pelo secretário-geral do PCP, que apontou os aumentos salariais como uma saída para a recessão em Portugal, estimulando não apenas o consumo e a economia, como o poder de compra dos portugueses.
Qual foi então a solução ‘economicista’ preconizada?
Não arriscando apontar o fim da crise, sublinhou que não tem dúvidas que quem resistir vai colher dividendos. “As empresas não dão lucros suficientes para remunerarem os accionistas aos preços a que estão capitalizadas em Bolsa”.
Passará, portanto, a solução por equilibrar os lucros dos accionistas?
Entre as previsões, o economista admite que no final da recessão, os banqueiros passem a “andar atrás” dos clientes para venderem crédito. “As taxas já estão a cair e com os spreads também vão baixar”.
Será então que é a venda de mais crédito que vai aliviar as dívidas dos já tão penhorados trabalhadores?
O economista apenas compara a actual crise a uma espécie de “purga que elimina um conjunto de erros e desconformidades” (do sistema capitalista, claro!), admitindo que ficam criadas condições que favorecem “salários mais baixos e produtividades mais altas”.
Trata-se, afinal, de repercutir a ‘voz do dono’ ou de música velha em rabeca desafinada.
 

Procurar no lixo o pão para a boca

Sobreda, 11.02.09

Restos dos supermercados que diariamente são colocados nos contentores de rua constituem a fonte de alimentação de várias famílias que, embora tendo um lar, enfrentam sérias dificuldades económicas.

Numa noite de Inverno, onde não falta a chuva, cerca das 19 horas, numa rua do centro de Lisboa, abre-se uma porta das traseiras do supermercado de uma cadeia bem conhecida. Em poucos minutos, uma empregada coloca uma dezena de contentores de lixo no passeio.
Escassos metros ao lado, uma senhora búlgara faz de conta que olha para a montra de uma sapataria. A porta das traseiras do supermercado fecha-se e, sem demoras, aproxima-se dos contentores, abre a tampa e desata a mexer no que está lá dentro. Tem fome. Não sabe falar português. Diz-nos apenas, os dedos todos na mão aberta: “Cinco filhos, cinco filhos”. Também têm fome. Num ápice, surgem dois senhores de sacos na mão, um idoso e outro de meia idade. Debruçam-se sobre o interior dos contentores, os braços agitados a revolver o lixo.
Que lixo? Os restos do dia, as sobras daquilo que ninguém comprou. E muita comida com o prazo de validade esgotado: frangos ou coelhos inteiros, peixe ou hortaliças. Pão, croissants e outros bolos, então, - ui! - são às dezenas. Ainda embalados nos sacos, com o respectivo preço, código de barras e data de validade a expirar no próprio dia.
Com os olhos sempre postos no contentor, não parecem querer grande conversa. Desconfiam. E mexem e remexem em embalagens, sacos plásticos, caixas de esferovite. A senhora búlgara, convencida de que o jornalista está ali para o mesmo, toma a iniciativa de estender o braço para lhe dar um saco de croissants.
Como na casa de um idoso, que diz receber 350 euros de reforma, não tendo orçamento para o mês inteiro. É isso que o faz vir aqui mexer em restos de fiambre, separar as fatias que se lhe deparem decentes de outras mais impróprias.
Não passam mais de quatro minutos até chegar uma senhora com os seus 70 anos e aspecto cuidado. Assusta-se com a presença de uma máquina fotográfica, mas aceita falar sob anonimato. É uma história como tantas outras: trabalhou durante décadas como empregada doméstica, nunca descontou, foi despedida e agora vive sem reforma.
“Há muita gente que vem aqui, mas diz que é para levar comida para os animais”, observa, antes de criticar aqueles “que vêm aqui mexer e deixam tudo espalhado no chão”. Diz-nos que o mais habitual é aproveitar para levar pão e massa. “Eu acho que não estou a roubar nada a ninguém”.
O fenómeno não é novo, nem tão pouco circunscrito a este estabelecimento em particular. É algo que acontece em todo o país, onde quer que a fome aperte. E há fome em muitos lados.
É esta a dura e crua realidade diária de muita gente: procurar a comida no lixo que os supermercados deixam na rua. Não são pessoas sem abrigo. É gente perfeitamente integrada na sociedade, mas que vive ‘à rasca’, com parcas reformas ou no desemprego.
 

Quem tem mentido aos portugueses?

cdulumiar, 17.01.09

O secretário-geral do PCP acusou hoje o primeiro-ministro de ter "mentido" ao povo português, servindo não a maioria que o elegeu mas os interesses dos que hoje "dramatizam uma situação de caos para o país sem Sócrates".

Jerónimo de Sousa recordou que o Governo socialista "anda há quatro anos a apregoar o sucesso económico e a modernidade da sociedade, mas termina a legislatura sem cumprir nenhum dos grandes objectivos económicos e sociais que anunciou ao país".
Afirmando que o PS conseguiu a maioria absoluta porque prometeu desenvolvimento económico, baixa de impostos, criação de 150.000 novos postos de trabalho, reformas superiores a 300 euros, o líder comunista disse que essas foram "bandeiras" que "enganaram tanta gente".
"Aqui chegados, há razão para dizer que José Sócrates mentiu ao povo português. Não cumpriu porque se pôs do lado, não da maioria que lhe deu os votos, mas do grande capital. A esses sim, serviu os interesses", afirmou.
São estes interesses que, segundo Jerónimo de Sousa, hoje "estão preocupados com o destino do Governo do PS e de José Sócrates" e "dramatizam uma situação de caos para o país sem Sócrates", desenvolvendo uma "campanha que anuncia um país ingovernável sem Sócrates".
Acusando o PS de protagonizar "a mais cínica forma de acção política" ao "dar-se ares de esquerda", Jerónimo de Sousa considerou "hipocrisia" vir garantir-se aos portugueses que "vão passar a viver melhor, com mais rendimentos em 2009, apesar da crise e da recessão económica".
"É espantoso. É, no mínimo, preciso ter lata, que, num quadro de crise, venha um ministro dizer que o ano até nem vai ser mau para os rendimentos das famílias. É quase como dizer então viva a crise", afirmou.
O secretário-geral do PCP afirmou ainda que o PS apenas espera que passe o período eleitoral para "retomar o mesmo caminho de destruição" do Serviço Nacional de Saúde, só travado graças à "luta ampla e vigorosa das populações".

Notícias Sapo.pt Lusa 17/1/2009

Uma crise sem precedentes

Sobreda, 01.01.09

O alerta vem dos presidentes da Cáritas portuguesa e do Banco Alimentar: estamos perante “uma crise sem precedentes” e “ pior ainda pode estar para vir durante 2009”.

E a dureza das palavras apenas vem apoiar a crueza dos factos. Os pedidos de auxílio das famílias à AMI subiram 20 % em 2008 e as previsões para 2009. Pelo que não são boas as notícias para o Ano Novo. A pobreza tem novos rostos e novos contornos: classe média endividada e sem futuro 1.
Há mais gente a pedir apoio, desde aqueles que eram já carenciados e estão agora pior até àqueles pertencentes à classe média mas tão sobreendividados que não são já capazes de pagar as contas ao final do mês.
O panorama negro traçado pela Cáritas é reforçado pela Assistência Médica Internacional, que enfrentou este ano um aumento de 20% dos pedidos de auxílio.
Também o Banco Alimentar dá conta de um aumento das pessoas necessitadas a quem acode, com 245 mil a pedirem apoio em 2008, mais 25 mil que em 2007. E todos sentem que “2009 vai ser um ano ainda pior” 2.
Pudera, com um minoria de ricos cada vez mais ricos e a maioria dos pobres cada vez mais pobres.
 

Café e pastéis de nata contra a crise no comércio

Sobreda, 24.12.08

Durante uma semana, 2.500 compradores de prendas de Natal na Baixa lisboeta beneficiaram da oferta de um pequeno lanche, um ‘mimo’ que partiu da Associação de Dinamização da Baixa Pombalina, a que se somam outras iniciativas individuais, mas que os comerciantes consideram inútil se a zona continuar a ser ‘maltratada’.

Ao fazer compras, em alguns casos com um valor mínimo exigido, os compradores recebiam uma senha, que podia ser usada em pastelarias locais, para receberem um café e um pastel.
“Já falámos com as pessoas e toda a gente achou uma simpatia. Falta agora recolher as senhas consumidas e saber quantas pessoas foram efectivamente às pastelarias, mas as pessoas estão bastante satisfeitas”.
São pequenas atenções como esta que, a par do profissionalismo, do atendimento pessoal e do conhecimento do produto, diferenciam o comércio tradicional dos centros comerciais, que procuram oferecer ‘tectos’, estacionamento e espaços de entretenimento, como salas de cinema, mas não simpatia personalizada.
A “loja que disser que não está com dificuldades, está a mentir, porque isto afecta todas as classes”, afirma. “A crise é enorme, não haja ilusões”, concorda o gerente de uma loja centenária loja. E, “se criarem dificuldades para se chegar aqui, não vale a pena ter as ideias mais fantásticas. O preço do estacionamento é um escândalo, se tiver um buraco à porta a CML não o tapa em 24 horas e até já estivemos três meses com os candeeiros intermitentes”.
“Todos gostaríamos de dar melhores condições aos clientes, mas isso não está nas nossas mãos”. Um café e um pastel de nata foram apenas uma forma original de “cativar pelo pormenor”. Falta agora a CML passar de intenções, planos e mais projectos para a execução de obra visível na cidade.
 

Reformados vão perder poder de compra

teresa roque, 21.12.08

Este Estudo de Eugénio Rosa alerta-nos para que a pensão média em Portugal é de apenas 404,61 Euros, sendo que o Governo só a pretende aumentar em 11 Euros. E que 83,5% dos reformados da Segurança Social recebem actualmente pensões inferiores ao SMN.

Em 4 anos de governo de Sócrates não se verificou uma melhoria sensível na situação dos reformados em Portugal, e as perspectivas futuras não são animadoras.

 

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Ano novo, preços novos

Sobreda, 21.12.08

Segundo o INE, os preços caíram 0,6% em Novembro face ao mês anterior, com a taxa de inflação homóloga a desacelerar 9 décimos, para 1,4%.

A electricidade e as rendas vão aumentar mais do que a inflação prevista para 2009, ou seja, acima de 2,5%. Este será o valor máximo de referência para os aumentos nos transportes públicos e abaixo do qual vai ficar a subida dos preços das portagens das auto-estradas (2,3%). Na prática, apesar de os preços ao consumidor estarem a descer, há sectores onde isso não se reflecte nos preços realmente pagos.
O aumento das rendas, das portagens, dos transportes e da electricidade, apesar de serem preços administrativos e não dependerem só do mercado, mas também de fórmulas de cálculo específicas, registam as maiores subidas: as rendas de casa vão subir 2,8% na maior parte do País e 4,2 nos contratos mais antigos de Lisboa e Porto. A electricidade sobe 4,3%.
Neste caso, o aumento reflecte a subida dos preços dos combustíveis fósseis (petróleo e carvão), a contribuição para as energias renováveis e para a co-geração, custos que são repercutidos na factura mensal. Por outro lado, o preço a que é vendida a electricidade não reflectiu inteiramente os seus custos, o que gerou um défice tarifário de 1,27 mil milhões de euros, que serão pagos em 15 anos, por decisão do Governo.
Noutros sectores, em que os preços são ditados pelo mercado, prevê-se que os valores se mantenham, dada a crise financeira e o abrandamento do consumo. Entretanto, os sucessivos alertas do Governo para os ‘tempos difíceis’ que se avizinham começaram já a ter reflexos no consumo, com a taxa de inflação registada em Novembro a apresentar o nível mais baixo de sempre 1.
Apenas os combustíveis deverão segurar os passes sociais. Com efeito, o Governo deverá decidir “não efectuar qualquer actualização nas tarifas de transporte público em 1 de Janeiro de 2009”.
Qual a explicação? Segundo o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, “a evolução verificada nos preços dos combustíveis nos últimos meses permite agora absorver o efeito desse congelamento como ainda fazer face aos aumentos normais derivados da inflação, justificando desta forma a manutenção do tarifário” 2.
 

Quem lucra com o bolo e quem paga as migalhas

Sobreda, 31.10.08

Face à dramática situação dos que não conseguem suportar os crescentes custos com os créditos à habitação, o PCP, que tem denunciado este sério e real problema, apresentou uma proposta no sentido de exigir a baixa das taxas de juro e de limitar o ‘spread’ (uma parte do lucro dos bancos) a 0,5%, nos contratos da CGD, garantindo, por um lado, uma redução nas prestações na ordem das dezenas de euros e, por outro, um inevitável efeito de arrastamento nos restantes bancos.

Qual a reacção do Governo e do PS? Apelidam-na de irrealista e rejeitam-na sem apelo nem agravo. Como resposta, o Governo lançou mão de um Fundo Financeiro para intervir na área da habitação. A coisa carece de ser ainda melhor compreendida, mas as pinceladas que vão sendo conhecidas desvendam já um monumental embuste.
Deixando apenas o registo de que foi este tipo de moscambilhas que deu um buraco enorme nos EUA e que foi a mola impulsionadora da actual crise do capitalismo, dá-se por boa a informação de que as famílias em dificuldades poderiam vender a sua casas a este Fundo, ficando a pagar um renda pelas mesmas, até conseguirem comprá-las de novo.
Não se conhecendo ainda em que condições é que isto se processa, nem o que acontece no caso deste fundo falir (como aconteceu aos dos EUA) a coisa é apresentada como ideal para dar um fôlego momentâneo às famílias.
Mas são só as famílias que podem vender as casas ao Fundo? Não. A banca, as seguradoras, os grandes empreiteiros e os diversos agentes imobiliários também podem vender os milhares de casas que têm paradas. Ainda por cima com um conjunto de isenções e benefícios fiscais para estas transacções, que foram os primeiros a ser anunciados.
Ou seja, o Fundo, disfarçado de obra de caridade para os mais desfavorecidos, é, na verdade, um poço sem fundo para os especuladores se livrarem de monos que não conseguem vender, nem nos leilões a preços de saldo. Para estes, é tudo lucro garantindo entradas de liquidez, com a venda de 400 mil casas nestas condições, muitas dos quais já resultaram de hipotecas de famílias que não conseguiram pagar as prestações.
Na prática, estamos aqui perante um enorme bolo que, uma vez mais, é para ser comido pelos ‘trutas’ do costume. E como o bolo é grande, vai deixar cair umas migalhas para serem apanhadas por quem realmente precisa. Mas estes, ainda assim, vão ter que pagar pelas suas próprias migalhas.