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CDU LUMIAR

Blogue conjunto do PCP e do PEV Lumiar. Participar é obrigatório! Vê também o sítio www.cdulumiar.no.sapo.pt

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Apontamentos insuficientes, por Ruben de Carvalho

teresa roque, 26.03.10

http://aeiou.expresso.pt/ruben-de-carvalho=s24888

 

O primeiro-ministro é averiguado, os administradores são demitidos e julgados, as sucatas transformam-se num vértice político de incontornável significado, os bancos têm lucros, o desemprego aumenta....

Definitivamente, a frase feita do 'fim de regime' adquire uma presença inquietante no dia-a-dia. A par e passo com outras, de recorte menos erudito, mas bastante mais contundente. E talvez mais próximas da realidade.

A Polícia Judiciária investiga a Polícia Judiciária. Não se trata de um trocadilho de gosto duvidoso: é a pura realidade imposta por uns investigadores terem encontrado documentação da sua polícia no escritório de um investigado. Com papel timbrado e tudo. A violação do segredo de justiça já ultrapassou a fase da informação confidencial e conversas telefónicas de português caserneiro: não basta a inconfidência - é necessário o documento probatório.

O PEC governamental transforma-se, de um conjunto de medidas governativas anunciadas como salvíficas, num pomo de discórdia que atravessa a sociedade portuguesa, incluindo as próprias entidades que o criaram: o Partido Socialista e o seu Governo.

Não são discordâncias pontuais. As críticas do cidadão comum adquirem o tom de indignada recusa, mas o discurso político no Governo e seu partido atinge contornos de fractura. Diz-se que se trata (só) do definitivo abandono da matriz político-ideológica do PS. Quem o diz não é irrelevante, o que é dito muito menos.

O PSD realiza um congresso para discutir questões programáticas e estatutárias. De urgência. Que tais temas se discutam 'de urgência' é todo um inventário da situação. Discutir se tal urgência é de um dia ou dois é entrar definitivamente no risível. Como se isto não fora suficiente, os delegados revelaram um tal empenho que não conseguiram votar a maioria das propostas que consubstanciavam (ou não...) as tais urgências! Como se isto já não fosse suficientemente patético, aprovaram (ainda não se sabe se em generalizada consciência ou em generalizada confusão) uma alteração estatutária que, objectivamente, não serve para nada - excepto para lançar uma demolidora discussão pública e interna que nem um perspicaz adversário seria capaz de inventar.

Os presidentes dos dois maiores municípios do país encontram-se no manuseio de uns talheres e, entre a sopa e a sobremesa, decidem da sua concordância interpartidária para demolir o quadro jurídico-político do Poder Autárquico da democracia nacional. Entretanto, trocam cromos com corridas de automóveis, aviões e festivais rock. No meio, já se vê, há uns milhões em apoios, patrocínios, despesas que transitam velozmente de Lisboa ao Porto e vice-versa, tornando inevitável a conclusão de que, pelo menos para estes convívios e acordos, o TGV não é preciso para nada.

O primeiro-ministro é averiguado, os administradores são demitidos e julgados, as sucatas transformam-se num vértice (ou num vórtice) político de incontornável significado, os bancos têm lucros, o desemprego aumenta (presume-se, porque os números são segredo de Estado mais bem guardado que o da justiça), os acordos com os professores afinal levam uma volta, são precisos médicos reformados para voltarem a trabalhar e os funcionários públicos reformam-se em massa.

Portugal, a um mês de comemorar 36 anos do 25 de Abril. Dá que pensar.

 

Ruben de Carvalho

Texto publicado na edição do Expresso de 20 de Março de 2010

CDU exige que a RTP cumpra a Lei!

cdulumiar, 23.07.09

 

 

 

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Na concentração realizada da RTP, a CDU exigiu da RTP o cumprimento da lei, que esta violou realizando apenas entrevistas aos candidatos do PS e do PSD à Câmara de Lisboa, no quadro da mega-operação de falsificação da realidade política da capital destinada a tentar convencer os eleitores que estão condenados a escolher entre dois candidatos da mesma política de direita.

 

Carta entregue à RTP durante a concentração

 

À Direcção de Informação da RTP

A RTP, no Programa “Grande Entrevista”, entrevistou sucessivamente Pedro Santana Lopes e António Costa, primeiros candidatos do PSD e do PS candidatas à Câmara Municipal de Lisboa.

Na entrevista de António Costa, a entrevistadora anunciou a abertura de um novo ciclo de debates, agora com os secretários-gerais dos partidos, dando por encerrado o ciclo com os candidatos à CML.

Estando marcadas eleições autárquicas para 11 de Outubro e estando já apresentado publicamente desde 26 de Março de 2009, o primeiro candidato da CDU à CML, Ruben de Carvalho, não é admissível a sua exclusão do ciclo de entrevistas.

Não é admissível no plano legal, porque estando marcadas eleições a RTP está obrigada a respeitar o princípio da igualdade de tratamento (Constituição da República e Lei 27/2007), tem ainda a RTP especiais responsabilidades em matéria de pluralismo e de isenção (Artº. 50º. /nº. s 1 e 2 da mesma Lei).

Acresce que a CDU não é apenas mais uma força que aparece para marcar presença em período eleitoral. A CDU tem uma história de ligação aos trabalhadores, bairros, movimento associativo e população da cidade, está ligada aos que de melhor foi feito em Lisboa nos últimos 33 anos. Foi a única força que no plano político fez frente à desastrosa política do PSD/ Santana Lopes / Carmona Rodrigues, tem um presente de combate a tudo o que é negativo e de apresentação de propostas para melhorar a vida em Lisboa.

A CDU é uma grande força autárquica em Lisboa, com dois vereadores. Preside a 8 freguesias, tendo mais de 150 eleitos nos vários órgãos autárquicos.

Ao excluir das entrevistas o cabeça der Lista da CDU e outros candidatos já anunciados, a RTP toma partido e assume-se como participante activo na tentativa de bipolarizar a campanha em torno das candidaturas do PS e do PSD, tentando fazer crer à população de Lisboa que está condenada a votar numa das duas força que no essencial defendem a mesma política, escondendo a CDU que nas eleições de 11 de Outubro se apresentará com o seu projecto como a força alternativa de que Lisboa precisa.

A CDU reclama da RTP que respeite a legalidade democrática, entrevistando Ruben de Carvalho e que cubra em pé de igualdade as iniciativas das várias forças políticas, não se escondendo debaixo do eufemismo dos critérios jornalísticos para fugir ao cumprimento da Lei a que o serviço e interesse público a obriga.

A CDU / Lisboa

 

 

O dia em que verdadeiramente caiu o fascismo em Portugal

Sobreda, 02.05.09

Há 35 anos, a Revolução de Abril conquistava em Maio, em Lisboa e no resto do País, um “conteúdo social e de esquerda”. O povo saiu à rua para ver e ouvir Álvaro Cunhal e Mário Soares juntos, unidos por um dia.

 

 

Na altura, o escritor Urbano Tavares Rodrigues, subitamente, viu-se beijado por mulheres que nunca antes tinha visto. “Elas conheciam-me, saíam do meio da multidão e vinham beijar-me: sentiam que deixavam de ser escravas”. Além dos afectos imprevistos, no “inesquecível” primeiro dia de Maio de 1974, trocaram-se flores, sorrisos, a urgência da revolta. A esquerda irrompe unida em breve namoro.
Naquele dia “em que Lisboa enrouqueceu de alegria”, o autor de ‘Bastardos do Sol’ caminhava ao lado de Álvaro Cunhal e Mário Soares, acabados de regressar do exílio. “Pensei que ali se abria o caminho para uma democracia avançada. Pensei que era possível, sou muito ingénuo”, ironiza o escritor.
A unidade da esquerda depressa se esfumava - as vias para a consolidação da democracia divergiam.
Fugaz na confluência à esquerda, com o Primeiro de Maio de 1974 declarado feriado nacional obrigatório por decreto da Junta de Salvação Nacional, é um momento decisivo na Revolução. Soares pressentiu isso no momento, e disse-o, quando usou da palavra, aos milhares de manifestantes: “No dia 25 de Abril derrubou-se, pela intervenção das Forças Armadas, o regime, o governo fascista, mas foi aqui que nós verdadeiramente destruímos o fascismo!”
Enquanto o então líder do PS chamava os partidos para “uma aliança interpartidária e civilista como motor da Revolução”, o PCP preferiu, para “além da aliança interpartidária, uma aliança com o Movimento das Forças Armadas”, bem mais óbvia e unitária.

 

 

Caminhos diferentes, e, desse modo, iriam continuar. Todavia, esse facto não retira força ao “inesquecível” Dia do Trabalhador, comemorado com imensa participação em todo o País. O povo saiu à rua, dando “um conteúdo social e de esquerda à Revolução, que não teve no início, nos cinco dias seguintes após a derrota da Ditadura” salazarista.
Ou seja: “O modelo social português, saído do 25 de Abril, nasce no Primeiro de Maio de 1974”.
A História nunca se repete. Mas, por vezes, certos reencontros parecem inevitáveis. Será possível a unidade à esquerda como em Maio de 1974? “Não é difícil conceber um novo arranjo político em Portugal. Tudo depende dos resultados eleitorais: está tudo em aberto depois das eleições de Outubro”.
 

Desfile do 25 de Abril marcado pelo descontentamento

Sobreda, 26.04.09

Milhares de pessoas desceram esta tarde a Avenida da Liberdade em direcção no Rossio no tradicional desfile comemorativo do 25 de Abril, este ano marcado pelo descontentamento face à crise económica, associado a um sentimento de descrença política.

 

 

Há a necessidade de construir “um Abril novo. Acho que a realidade do nosso país é dramática. O capitalismo fez-nos chegar ao ponto em que estamos. Neste momento muito difícil exige-se um Abril novo”.
A par das tradicionais causas de defesa da liberdade e dos direitos dos trabalhadores, o desfile acolheu este ano a defesa de novas causas como o apelo à participação eleitoral nas eleições europeias, o direito dos homossexuais à família e dos imigrantes à legalidade.
Abeirando-se da chaimite para “sentir melhor a emoção”, uma entre milhares de desfilantes diz estar “profundamente descontente”, criticando a actual “situação de miséria e desemprego” que se vive no país. “Hoje a liberdade é condicionada e até nas empresas já muita gente se retrai a falar. Estamos a viver uma democracia fascizante”.
“Emprego e salários para todos. Não ao trabalho precário”, “Democracia, liberdade e justiça são três irmãs gémeas. Umas sem as outras não têm valor. Corruptos e ladrões não”, “Niguém é ilegal. Documentos para todos”, “As famílias de Abril. Gays e Lésbicas pela igualdade” e “Falta ainda cumprir Abril”, foram algumas das frases que desfilaram na Avenida da Liberdade, ao som de músicas de intervenção.
Dirigentes de forças militares juntaram-se também ao desfile, criticando o que consideram ser o “afastamento institucional” dos militares da organização da iniciativa. “Isto é muito estranho até porque foram os militares que trouxeram a democracia aos cidadãos”, diz sublinhando o carinho que a “família militar” recebeu durante o desfile.
“Não sou uma 'habitué', esta é a primeira vez que venho. Penso que se houver maior afluência a crise pode explicá-la, porque as pessoas unem-se nos momentos mais difíceis. Aqui sentem-se de alguma forma reconfortadas e com mais esperança”.
Diz ter aproveitado o desfile para mostrar ao filho de 11 anos aquilo que se passou há 35 anos, adiantando que o desfile funciona como uma “uma lição de História”. A Avenida da Liberdade acolheu também este ano os lamentos das vendedoras de cravos, que se queixam que a crise está a dar cabo do negócio.
As principais vaias foram dirigidas aos elementos sindicais e políticos ligados ao partido do Governo.
 

Comemoremos os 35 anos da Revolução de Abril

Sobreda, 25.04.09

 

Foi com a Revolução que os trabalhadores e as populações conquistaram os seus direitos fundamentais, rompendo com um regime fascista opressor e que condenava a maioria das pessoas e o país a um inaceitável atraso social e civilizacional.
A maioria dos portugueses vivia na pobreza, não tinha acesso à educação, à saúde e à segurança social. A liberdade e os direitos sociais, sindicais e políticos conquistaram-se com Abril.
Com Abril, conquistou-se o Estado Social cuja principal função é, através dos serviços e da Administração Pública, garantir os direitos fundamentais à saúde, à educação, à segurança social, entre outros.
Os trabalhadores da Administração Pública são o motor desta missão do Estado que deve servir as populações e o país, contribuindo para o desenvolvimento social e para a justa distribuição da riqueza produzida.
Desta forma, os trabalhadores e as populações tiveram um grande progresso social e uma melhoria das suas condições de vida.
Ao longo dos 35 anos da Revolução, Portugal tem assistido à insistência do bloco central em conduzir políticas de direita, hoje desenvolvidas pelo Governo PS/Sócrates, e que têm feito o país retroceder.
Para essas políticas só há uma resposta objectiva: 25 de Abril sempre !!
 

Lembrar José Dias Coelho

cdulumiar, 19.12.08

 

JOSÉ DIAS COELHO, um jovem e talentoso escultor, com 38 anos, foi assassinado pela PIDE na Rua que agora tem o seu nome, a antiga Rua da Creche.
Por isso, hoje, dia 19 (6ª fª), vai ser lembrado o 47º aniversário do assassinato deste escultor e militante comunista pela PIDE, às 18h30 na Rua José Dias Coelho (junto à paragem da Carris), em Alcântara.
Faz hoje 47 anos, que «Na noite de 19 de Dezembro de 1961, José Dias Coelho, funcionário clandestino do PCP, seguia pela Rua dos Lusíadas. Cinco agentes da PIDE saltaram de um automóvel, perseguiram-no, cercaram-no e já na Rua da Creche, dispararam dois tiros. Um tiro à queima-roupa, em pleno peito, deitou-o por terra. O segundo tiro, foi disparado com ele já no chão. Os assassinos meteram-no no carro e partiram a toda a velocidade. Só duas horas depois, quando estava a expirar, o entregaram no Hospital da CUF.»

 

 

«Artista plástico de mérito reconhecido, José Dias Coelho aderiu ao PCP com pouco mais de vinte anos e algum tempo depois passou a funcionário clandestino. Entre muitas tarefas que desempenhou, nomeadamente a de responsável pelo Sector Intelectual de Lisboa do PCP. Da actividade de José Dias Coelho enquanto funcionário do PCP, sobressai o importante trabalho, realizado com Margarida Tengarrinha, relacionado com a falsificação de documentos de identidade necessários aos quadros clandestinos do Partido Comunista Português.»
«De todas as sementes deitadas à terra, é o sangue derramado pelos mártires que faz levantar as mais copiosas searas»: eis a legenda que José Dias Coelho escreveu na sua última gravura, criada um mês antes de ser assassinado, e representando o assassínio do operário Cândido Martins (Capilé) à frente de uma manifestação popular».
Ao relembrar-mos esta data histórica, além de pretendermos homenagear um homem de valor, pretendem ainda os comunistas de Alcântara, chamar a atenção da população em geral e em particular a da nossa Freguesia, para os perigos que põe em risco a nossa jovem democracia e as conquistas pelas quais Comunistas como Dias Coelho já lutavam no seu tempo.
Nem a história pode ser reescrita ou esquecida, nem o Capitalismo mudou a sua forma de estar no Mundo. Utilizando disfarces e dispondo das mais modernas tecnologias e formas de organização, o Grande Capital compra e manipula aqueles que “dizem ser do povo e ser de esquerda”, para atingir os mais elementares direitos das populações, dos trabalhadores e dos reformados.
Os ataques às conquistas dos trabalhadores continuam e intensificam-se. É o Pacote laboral, o Serviço Nacional de Saúde, o Ensino, os Militares, a Função Publica, os pequenos empresários e comerciantes, etc. Somos todos nós que estamos a ser atingidos por medidas que em nome da austeridade e da crise, nos colocam em situações que não se verificavam mesmo antes do 25 de Abril.
Por isto lembrar esta triste data, é importante para nós e para todos os democratas, pois nunca sabemos o que nos guarda o dia de amanhã. Ao relembrar-mos o recente passado de luta contra a tirania, assumimos com o Povo, o compromisso de estarmos à altura de continuar essa luta, na defesa os seus interesses e das suas legítimas aspirações.
Como cantava o Zeca, “A morte saiu à rua num dia assim!”

Em defesa dos Direitos Humanos

Sobreda, 17.11.08

No passado sábado, um grupo de cidadãos promoveu as comemorações do 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem pelas Nações Unidas. Este grupo já em 2007 lançara em circulação um abaixo-assinado intitulado “Pela Liberdade, pela Democracia, por Abril” assinado por individualidades como Modesto Navarro, Siza Vieira, José Saramago, e muitos outros cidadãos 1.

Na cerimónia marcaram presença o reitor demissionário da Universidade de Lisboa, António Sampaio da Nóvoa, e o antigo reitor da mesma universidade José Barata Moura.
Como afirmou o escritor e prémio Nobel da Literatura, José Saramago, à margem das comemorações do 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem pelas Nações Unidas, realizado na Reitoria da Universidade de Lisboa, “trinta direitos estão consignados ali e ao lê-los ou desatamos à gargalhada ou desatamos a chorar”. É uma realidade e que é de lamentar, pois “em todo o Mundo, os direitos humanos não contam nada. São (como) papel molhado”.
“Claro que há uma retórica comemorativa a que não se pode fugir, mas se ficamos por aí...”, disse, sublinhando que “cada vez mais é necessário comemorar os direitos do homem” uma vez que a conjuntura mundial é de crise económica” e “há milhões de pessoas desempregadas”.
“O problema que nem sempre é pacífico é o que comemoramos hoje e o que é que fazemos nos restantes 365 dias do ano”, prosseguiu, sublinhando que as comemorações da declaração Universal dos Direitos do Homem não podem ser celebradas como o 5 de Outubro em que se vai ao cemitério homenagear os que implantaram a República.
Por isso, Saramago defendeu a necessidade de organizar um “movimento social amplo em defesa dos direitos humanos”.
Já para a escritora Alice Vieira, outra das participantes na sessão, o que “parece grave” é quando os direitos humanos não são cumpridos no nosso dia-a-dia e as “pessoas normalmente nem pensam que isso é um incumprimento dos direitos humanos”.
Quando se fala em direitos humanos, “normalmente toda a gente pensa que não são cumpridos no Congo, em Darfur, na Palestina, no Iraque ou no Afeganistão e então aí estamos todos a favor dos direitos humanos quando está em causa o incumprimento e é lá longe”, disse.
Porém, “o que me preocupa e assusta muito, porque isso é o meu terreno e onde eu ando a trabalhar, é que na parte dos jovens eles nem sequer pensem o que seja o incumprimento dos direitos humanos”, referiu. “Que nem sequer pensem que quando dão pontapés, quando roubam o colega do lado, quando atiram ovos a seja quem for, tudo isso é um incumprimento dos direitos do homem”, sublinhou.
Razão por que defendeu que aquela iniciativa em curso devia estar a ser feita “nas escolas” com os jovens para lhes “explicar realmente do que é que se trata quando se fala de direitos humanos”. “Direitos humanos não é só matar pessoas, prender pessoas ou espancar pessoas lá nos confins do mundo”, mas sim aquelas “coisas muito comezinhas e muito normais a que nos vamos habituando, que se passam aqui e que é grave” 2.
 

Comemorações do 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem

Sobreda, 12.11.08

Há sessenta anos, a Assembleia-Geral das Nações Unidas aprovava a Declaração Universal dos Direitos do Homem. Um grito de esperança que a vitória dos povos sobre o nazi-fascismo impunha. A Declaração representava a aguda consciência de que em nenhuma sociedade pode haver progresso e justiça sem respeito pelos direitos do Homem.

Em Portugal os direitos humanos viram a luz do dia apenas um quarto de século depois. Com Abril, veio a esperança de um tempo novo, um tempo de paz, de liberdade, de direitos sociais e políticos que o Povo fez seus e a nossa Constituição acolheu.
Mas os Direitos do Homem não existem para serem contemplados, estão aí para serem defendidos e conquistados todos os dias, sobretudo quando se adensam novas ameaças à paz, às liberdades e à democracia.

 

Assim o entenderam mais de quinhentos intelectuais, trabalhadores das artes e das letras, da ciência e da educação, sindicalistas, trabalhadores e individualidades das mais diversas áreas e de todas as regiões do país, que neste último ano, subscreveram um abaixo-assinado no qual denunciavam e combatiam as desigualdades sociais no país, as limitações e ataques aos direitos, liberdades e garantias no exercício dos direitos constitucionais. Fizeram-se encontros em vários pontos do país e reuniões com os principais órgãos de soberania.
Neste 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem este movimento vai voltar a encontrar-se e conviver, num acto de cidadania e de luta por direitos reais e humanos de quem vive e trabalha neste país, num sobressalto de coragem e de afirmação política, cultural e cívica, contra a instalação da paralisia e do medo que estas políticas têm impulsionado, contra a vigilância policial, as perseguições sobre trabalhadores e camadas das populações do país, que estão cada vez mais mobilizadas e participativas, que lutam e ambicionam a felicidade e o bem-estar a que têm direito.
Juntos, nessa iniciativa, propõem-se partir das preocupações, da revolta, da indignação, das ideias e de propostas concretas dos cidadãos, procurando vencer uma situação de crise generalizada e cada vez mais antidemocrática e perigosa, e por isso contrária aos direitos que cada homem e mulher têm pelo simples facto de terem nascido.
Honrando o compromisso de continuar a combater de forma determinada, firme e activa, pela liberdade, pela democracia e por Abril, contam com uma participação e intervenção alargadas. Por isso, leve outros amigos também.
A sessão realiza-se no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa, Alameda da Universidade de Lisboa, dia 15 Novembro 2008, às 16 horas. No debate participam Alice Vieira, A. Borges Coelho, José Saramago, Louzã Henriques e Modesto Navarro, fazendo parte da Comissão Promotora, Dulce Rebelo, Eduardo Chitas, Guilherme da Fonseca, João Madeira Lopes, Manuel Gusmão e Modesto Navarro.
 

Democracia participativa em Carnide

Sobreda, 15.10.08

No ano passado, a Junta de Freguesia de Carnide participou em duas reuniões internacionais: de 26 a 28 de Novembro na 7ª conferência internacional do Observatório Internacional de Democracia Participativa (O.I.D.P.), que decorreu em Nanterre (Paris); e de 10 a 12 de Dezembro no 1º Encontro Mundial de Democracia Participativa que decorreu em Lyon.

No primeiro caso, a Junta, que é sócia daquele Observatório Internacional, apresentou a sua experiência no âmbito de uma distinção daquele organismo O encontro serviu para reflectir sobre várias experiências de democracia participativa existente em diversos países 1.
O segundo encontro foi mais um momento de partilha de experiências e de conhecimentos em torno da participação activa da população na vida das suas comunidades e no qual participaram mais de 1.000 pessoas oriundas de dezenas de países, entre moradores e representantes de diversas instituições 2.

 

 

Agora, a Junta de Freguesia foi distinguida pelo O.I.D.P. com uma menção especial, pelo trabalho desenvolvido na promoção da participação cidadã junto de mais de 700 crianças e jovens. O projecto foi lançado no ano lectivo passado nos jardins-de-infância e escolas de Carnide e, de acordo com informações da Junta, teve como objectivo “promover o debate em torno das prioridades para a freguesia e simultaneamente promover o conhecimento das competências de uma autarquia”.
Nesse sentido, 786 crianças e jovens fizeram um levantamento dos problemas existentes em cada bairro e em cada escola, propuseram soluções para os resolver e apresentaram-nas aos eleitos locais. Os alunos de Carnide com idades a partir dos três anos tiveram ainda oportunidade de participar em assembleias plenárias, de conhecer as instalações da Junta através de um jogo de pistas e de receber nas salas de aula a visita do seu presidente.
Segundo o autarca da CDU, o projecto vai repetir-se este ano lectivo, mas com o propósito mais alargado de “promover a discussão sobre as questões da cidadania e de fomentar a participação cidadã” 3.
Este trabalho com as crianças e jovens da freguesia tem vindo a ser desenvolvido no âmbito do Orçamento Participativo, instrumento adoptado em Carnide desde o final de 2004. Eis o porquê do reconhecimento de tão justo prémio internacional.
 

A ‘mãozinha’ e a ‘visão’ do ‘amigo americano’

Sobreda, 03.10.08
A ‘liderança’ e a «’visão»’ do embaixador dos EUA em Lisboa no pós-25 de Abril, Frank Carlucci, é vista por Jaime Gaima e Rui Machete como fundamental na pacificação do então instável cenário político português.
As reflexões do presidente da AR, e de Machete, presidente da Fundação Luso-Americana, foram feitas na noite de 3ª fª na apresentação do livro “Carlucci vs. Kissinger : os EUA e a Revolução Portuguesa», de Bernardino Gomes e Tiago Moreira de Sá (Ed. D. Quixote), que contou com a presença de protagonistas da revolução como o ex-presidente Mário Soares.
Para Rui Machete, o envolvimento de Washington dos acontecimentos em Portugal, um país da Aliança Atlântica (NATO) em plena Guerra Fria e onde o Partido Comunista demonstrava grande capacidade de mobilização, é marcado pela “divergência de perspectivas” entre o embaixador despachado para Lisboa no início de 1975 e o seu secretário de Estado, Henry Kissinger.
Para Machete, Carlucci “viu mais longe e melhor”, nomeadamente nas eleições para a Assembleia Constituinte, em que o Partido Comunista não passou de terceira força política, longe do número de deputados eleitos pelo PPD e pelo PS.
No livro, que recorre a documentos desclassificados dos arquivos norte-americanos para reconstituir como os EUA acompanharam a situação em Portugal de 1974 a 1976, Carlucci admite ter coordenado directamente todas as actividades da agência de inteligência externa norte-americana CIA em Portugal no Verão Quente de 1975.
“Tudo o que a CIA fez foi sob o meu comando. Qualquer acção que possa ter desenvolvido destinava-se a executar a política dos EUA, que era apoiar as forças ‘democráticas’ em Portugal. A CIA era parte da equipa [da embaixada] e eles faziam o que lhes mandava”, afirma o ex-diplomata na obra. Para Jaime Gama, entre Kissinger e Carlucci não havia “um antagonismo radical mas uma diversidade de visões” sobre a revolução.
A “liderança diplomática” de Carlucci, afirmou, foi decisiva no equilíbrio da postura norte-americana, que, contra a expectativa dos sectores mais intervencionistas, nunca passou de um nível «baixo», de mero apoio às forças partidárias democráticas. Ainda assim, afirmou, os EUA “mantiveram todas as opções em aberto”, até porque “não se podia prever totalmente os desenvolvimentos do processo político em Portugal”. Gama considerou “extraordinário” o contributo dado pela obra mas não deixou de observar a “omissão” das relações entre os EUA e Portugal sobre Angola e a descolonialização.
Bernardino Gomes evocou palavras do antigo embaixador norte-americano, vincando o carácter único da revolução portuguesa, que se converteu numa transição para a democracia “sem derramamento de sangue”. “A obra apresentada é, no entanto, uma visão sobre a posição dos EUA durante a implantação da democracia portuguesa e não uma história da revolução portuguesa”, esclareceu o autor.
“A obra resume as dificuldades da política externa americana numa época importante da Guerra Fria, onde Portugal esteve no centro da situação”, comentou o dirigente do Instituto Português de Relações Internacionais, Carlos Gaspar, também presente na cerimónia. Tiago Moreira de Sá deixou um apelo para que em 2009, a propósito dos 35 anos do 25 de Abril, seja aproveitada a “oportunidade para divulgar a História” do período.
Este trabalho resulta de quatro anos de investigação nos EUA e em Portugal, através da consulta de arquivos e de muitos documentos norte-americanos desclassificados, e aborda todas as fases da revolução portuguesa - o 28 de Setembro, o golpe de 11 de Março, o Verão Quente e o 25 de Novembro.
Num país à beira da guerra civil, no Verão Quente, os autores consideram que o PS, liderado por Mário Soares, chegou mesmo a “pedir ajuda militar” - pedido esse recusado - e que só terá chegado passado o 25 de Novembro, com a entrega de material para a tropa de choque 1.
Ou seja, para os mais atentos não há aqui qualquer novidade. É afinal a confirmação do que já muitos há muito tempo sabiam: a ingerência americana no nosso país era bem real e com pedidos internos expressos, dos mesmos que viriam a meter o socialismo na gaveta e apagando a ‘luz ao fundo do túnel’. Ainda há quem tenha memória curta?