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Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

O TRATADO DO GRANDE CAPITAL

 

 

Dia da Independência segundo o calendário português, o 1º de Dezembro foi, este ano, dia de entrada em vigor de um Tratado – chamado de Lisboa – que constitui, em primeiro lugar e acima de tudo, um verdadeiro atentado à independência e à soberania nacional. A data não terá sido escolhida de propósito, assim em jeito de provocação organizada ou de humilhação pensada, já que quem toma tais decisões pouco ou nada sabe de Portugal e da sua História, apenas lhe interessando que os governos indígenas sejam fiéis executores das ordens dos mandantes que, lá na Europa, dizem como é. Mas lá que a coincidência é digna de registo, é.
Em 1640, ao fim de 60 anos de ocupação, o povo português, lutando, recuperou a sua independência – e o traidor Miguel de Vasconcelos foi devidamente defenestrado; em 2009, os partidos dos governos que há trinta e três anos levam por diante a política de direita, deitando às urtigas a Constituição da República Portuguesa, vendem a independência nacional ao grande capital europeu e aclamam-se como heróis - sem saberem (ou sabendo?) que a História se encarregará de lhes proporcionar a devida defenestração.
É certo que a Lei Fundamental do País – ainda com inequívocos sinais de Abril, não obstante as muitas machadadas antidemocráticas que lhe foram infligidas por sucessivas revisões – nunca foi cumprida por nenhum dos sucessivos governos PS e PSD (às vezes com o CDS/PP atrelado) que têm vindo a flagelar o País e o povo desde que, em 1976, o primeiro governo PS/Mário Soares, aliado à direita, iniciou a política da contra-revolução de Abril. Mas o passo agora dado nessa matéria vai mais longe do que todos os anteriores, na medida em que deposita parte grande da independência e da soberania de Portugal nas mãos dos mais vorazes e predadores inimigos dos povos e institucionaliza o facto.

A «grande vitória para Portugal» anunciada pelo primeiro-ministro José Sócrates – «Porreiro, pá», disse ele, com a satisfação da tarefa cumprida, ao outro tratante, Durão Barroso, já então a viver dos rendimentos da tarefa cumprida de apoiante do morticínio do povo iraquiano – é uma vitória negra… Isto é: vitória, sim, mas para aquela reduzidíssima minoria de portugueses que identifica Portugal com os seus lucros pessoais e cujo patriotismo é tanto maior quanto maiores forem esses lucros.
Para os trabalhadores e para o povo, isto é, para a imensa maioria dos portugueses, este Tratado significa mais política de direita, que o mesmo é dizer mais desemprego, mais precariedade, mais injustiças, mais desigualdades, mais pobreza, mais miséria, mais fome.
Peça importante de um processo que vem de longe, o Tratado agora em vigor é o resultado de uma imposição do grande capital internacional, concretizada pelos conselhos de administração dos seus interesses, que são os vários governos em exercício nos países desta espécie de sucursal do imperialismo norte-americano que é a União Europeia.
Com efeito, com este Tratado, o processo de construção desta União Europeia do grande capital dá novos e perigosos passos em frente: a UE consolida-se como bloco económico e político de carácter imperialista, reforça consideravelmente a sua vertente militarista, o neoliberalismo é instituído como doutrina económica – o que significa, em resumo, a institucionalização das políticas que estão na origem da crise actual e da grave situação social hoje existente. E, com tudo isso, mais e mais graves problemas futuros para os trabalhadores e o povo.
E não apenas para os trabalhadores e o povo português, mas para os trabalhadores e os povos de todos os países da Europa.

Para além de tudo isto, este Tratado é o exemplo acabado do conceito de democracia em que assenta todo o processo de construção da chamada União Europeia.
Levado a votos uma primeira vez, em 2005, foi abertamente rejeitado pelos povos de França e da Holanda, num inequívoco sinal do que o esperava noutros referendos. Apavorados, os euro-democratas de serviço fizeram o que sabem fazer: exibiram a democracia de que são capazes: procedendo a uma ligeiríssima operação cosmética ao texto, amanharam à pressa uma segunda edição do mesmo, mantendo o essencial do seu conteúdo, a saber: a sua matriz neo-liberal, federalista e militarista.
Entretanto, à cautela, proibiram os referendos – apesar de a sua realização fazer parte das promessas com as quais caçaram o voto dos eleitores.
Assim, estes euro-vassalos-do-capital de fachada democrática puseram a nu o que querem dizer quando, em tremidinhos de voz, proclamam o sufrágio universal como pilar básico da democracia: eleições, sim, mas só quando têm previamente assegurada a sua vitória; se houver a mínima dúvida quanto aos resultados, não há referendo para ninguém...
O processo de congeminação e concretização desta UE é, todo ele, uma sucessão de atropelos à democracia e à liberdade de escolha dos cidadãos.

À entrada em vigor deste Tratado e às suas consequências previsíveis, responderão os trabalhadores e os povos dos países da União Europeia com o prosseguimento da luta pela soberania dos seus países, pelos seus direitos políticos e sociais, enfim, pela democracia. Pela sua parte, o PCP afirma perante os trabalhadores e o povo que não se resignará face aos inúmeros condicionamentos da vida democrática que este Tratado implica.
Para os comunistas portugueses este Tratado é mais um motivo para prosseguir e intensificar a luta por uma ruptura com a política de direita e pela conquista de uma política de esquerda ao serviço dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País.

 

«Este Tratado é mais uma razão para continuar e intensificar a luta contra a política de direita»

 

Publicado no jornal "AVANTE" de 04.12.2009

 

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publicado por teresa roque às 07:13
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Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Veja quem mais tem trabalhado na União Europeia

grafico_comparativo.jpg 

 

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publicado por Sobreda às 01:29
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Domingo, 31 de Maio de 2009

Basta de políticas de direita!

O desemprego, em sentido restrito, atingiu, no último trimestre de 2008, 7,8% do total da população activa e, em sentido lato, atingiu 574.200 trabalhadores, 10,1% da população activa. No mesmo período, 882 800 trabalhadores tinham um contrato a prazo e o trabalho precário atingiu 32% do total do emprego por conta de outrem. Para agravar a situação, e de acordo com a Eurostat, os salários reais dos trabalhadores portugueses tiveram nos últimos quatro anos uma quebra acumulada de menos 1,5%.

Ainda segundo dados oficiais, dois milhões de portugueses têm um rendimento inferior a 366 euros por mês, o que torna Portugal no país mais desigual da União Europeia.
A grave situação que o País enfrenta, motivada pelos sucessivos governos de direita, repercute-se no sector primário da nossa economia (agricultura, silvicultura e pescas), que representa hoje apenas 2,4% do Valor Acrescentado Bruto Nacional. Só nos últimos quatro anos, por exemplo, foram abatidas 844 embarcações (cerca de 10,7% da frota pesqueira). Por outro lado, em igual período, as importações de produtos alimentares aumentaram 20,4%.

 

 

A crise tem responsáveis
● Foram o PS, o PSD e o CDS-PP que estiveram no Governo – dez anos de governo PSD/Cavaco, seis anos de governo PS/Guterres e dois anos de governo PSD/CDS-PP/Durão/Santana/Portas, quatro anos de Governo PS/Sócrates – e que constituíram maiorias na Assembleia da República e no Parlamento Europeu, ao longo dos últimos 23 anos;
● PS, PSD e CDS-PP estão de acordo quanto ao essencial das políticas da União Europeia:
 Aprovaram o federalismo, o neoliberalismo e o militarismo na UE;
 Aprovaram todos os tratados da CEE/UE (Acto Único, Maastricht, Amesterdão, Nice) e a proposta da dita «constituição europeia», agora transformada em «Tratado de Lisboa»;
 Aprovaram a livre e desregulada circulação de capitais, a liberalização dos mercados e a crescente financeirização da economia;
 Aprovaram a Política Agrícola Comum e a Política Agrícola das Pescas e as suas sucessivas reformas;
 Aprovaram o Pacto de Estabilidade e a Estratégia de Lisboa, com as suas consequências no desemprego, na redução dos salários, na desregulação das relações laborais, no corte do investimento na saúde, educação, entre outros;
 Aprovaram as liberalizações e privatizações dos serviços públicos;
 Aprovaram um alargamento da UE sem que fossem avaliadas as consequências para Portugal e garantidos os meios financeiros e os instrumentos adequados à defesa dos interesses nacionais;
 Aprovaram a liberalização do comércio mundial.
 
Portugal, ao fim de 23 anos, caracteriza-se por:
● Aumento do desemprego e da precariedade;
● Baixos salários, reformas e pensões;
● Crescente desregulamentação do horário de trabalho;
● Desrespeito pelos direitos dos trabalhadores;
● Aumento da dependência externa;
● Crescente endividamento externo;
● Domínio dos monopólios e crescente controlo da economia pelo capital estrangeiro; pelas maiores desigualdades sociais, índices de pobreza e de abandono escolar;
● Divergência económica com a média da UE;
● Crescentes assimetrias regionais e desertificação do interior do País.
 
23 anos depois de ter aderido à União Europeia, Portugal está hoje mais dependente, mais injusto e menos soberano.
publicado por Sobreda às 09:20
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Sexta-feira, 11 de Julho de 2008

Abandono escolar em Portugal

Portugal é dos países europeus com piores resultados em abandono escolar e onde menos alunos completam o secundário, revela um relatório da União Europeia sobre os objectivos para a Educação até 2010, definidos na Estratégia de Lisboa.
O relatório de 2008 sobre os sistemas de educação da U.E. é baseado num conjunto de dezasseis indicadores e cinco valores de referência e “confirma passos lentos mas consistentes” no conjunto da U.E., através da comparação de 18 países em áreas consideradas chave, como a conclusão do ensino secundário, o abandono escolar, a falta de competências de literacia, formação em matemática, ciências e tecnologias e participação de adultos em programas de aprendizagem ao longo da vida.
De acordo com o documento ontem divulgado, Portugal e Malta são os piores no que refere ao abandono escolar, com taxas de 36,3% e 37,6%, respectivamente, em 2007. Neste campo, os melhores resultados foram obtidos pela República Checa, Polónia e Eslováquia, todos com taxas abaixo dos 10%.
Também na conclusão do ensino secundário Portugal e Malta são os países com menos resultados, numa lista em que os melhores são, de novo, República Checa, Polónia, Eslováquia e Eslovénia. Segundo o relatório, só 53,4% da população portuguesa entre os 20 e os 24 anos completou o secundário.
O relatório destaca também os baixos resultados obtidos nos marcadores relacionados com as competências de leitura no conjunto da UE.
Entre os pontos a trabalhar, o relatório realça ainda que um em cada sete jovens na UE entre os 18-24 anos (seis milhões) só tem o ensino obrigatório ou menos, uma em cada sete crianças com quatro anos não está envolvida num plano de educação e persistem as desigualdades de género: os rapazes têm mais necessidades de educação especial e menos competências de leitura e as raparigas continuam com piores resultados na matemática e estão menos representadas nas ciências e tecnologias.
 
Ver http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=101069
publicado por Sobreda às 00:33
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Terça-feira, 1 de Julho de 2008

Presidente polaco recusa assinar Tratado de Lisboa

O novo (?) Tratado, que visaria, eventualmente, facilitar o funcionamento das instituições de uma UE a 27, e que substitui o projecto de Tratado Constitucional rejeitado em 2005 em referendos em França e na Holanda, tem de ser ratificado por todos os Estados membros para que possa entrar em vigor.

Todavia, o presidente polaco acaba de anunciar que não assinará o Tratado de Lisboa, sustentando que ele está agora “sem substância” depois da recusa dos eleitores irlandeses em ratificá-lo. “Por agora, a questão do tratado está sem substância”, afirmou o presidente conservador polaco ao diário Dziennik, segundo a edição digital do jornal.
Embora o parlamento polaco o tenha ratificado em Abril, a aprovação do Tratado tem de ter a assinatura do presidente. “A afirmação segundo a qual não há União se não houver Tratado não é séria”, acrescentou o presidente polaco.
As declarações do presidente polaco constituem, assim, mais um golpe importante para os esforços do presidente francês que pretendia circunscrever o problema da ratificação à Irlanda, durante a sua presidência da UE que hoje começou 1.
Recorda-se ainda que o primeiro-ministro português admitira durante o debate quinzenal na Assembleia da República, que o êxito do Tratado de Lisboa que estava para ser referendado na Irlanda, era “fundamental” para o Governo e para a sua carreira política.
“O Tratado de Lisboa é absolutamente fundamental para o Governo e fundamental para a minha carreira”, afirmou o chefe do Governo, acrescentando que fez “tudo” o que estava ao seu alcance “para que o resultado na Irlanda fosse positivo”, tendo os líderes do Parlamento português manifestaram o seu ‘espanto’ por esta afirmação.
Mas foi com a deputada de “Os Verdes” que a troca de palavras com o PM foi mais dura. “Foi por isso que foi negado um referendo aos portugueses, para não pôr em causa a carreira política de José Sócrates?”, questionou Heloísa Apolónia 2.
 
1. Ver http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=352974&visual=26&rss=0
2. Ver http://osverdesemlisboa.blogspot.com/2008/06/porreiro-p.html
Temas:
publicado por Sobreda às 09:19
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Sábado, 14 de Junho de 2008

E agora, José?

Os eleitores irlandeses acabaram de rejeitar o Tratado de Lisboa no referendo de 5ª fª, tendo o ‘Não’ obtido 53,4% dos votos e o ‘Sim’ 46,6%, segundo os resultados finais divulgados pela Comissão Eleitoral da Irlanda 1.
Acaba assim de cair por terra o ‘maior sucesso’ da presidência portuguesa da União Europeia no segundo semestre de 2007 e desde sempre apontado por Lisboa como a sua grande prioridade. Afinal, a perspectiva de entrada em vigor do Tratado de Lisboa a 1 de Janeiro de 2009 pensava-se que poderia por fim à ‘crise institucional’ mais prolongada do processo de integração europeia, iniciada com os referendos negativos à Constituição Europeia, tanto na França, como na Holanda, em 2005.
A eurodeputada comunista Ilda Figueiredo fez questão de felicitar o povo irlandês, “que soube resistir à pressão” em torno do ‘Sim’: “O Tratado de Lisboa acabou, foi para o caixote do lixo, como o projecto de constituição que tentou ressuscitar”. Para ela, o resultado do referendo constitui “uma significativa derrota imposta pelo povo irlandês aos projectos de aprofundamento do neoliberalismo, federalismo e militarismo que os líderes das potências europeias e grupos económicos e financeiros teimam em prosseguir”.
Ilda Figueiredo acrescentou que os que “invocam cinicamente” que “a Europa não pode ficar refém de três milhões de irlandeses, iludem deliberadamente o facto de terem impedido que muitos milhões de outros europeus pudessem ter tido voz para se oporem a este tratado” 2. Também o BE já declarou que o “Tratado de Lisboa está morto porque os irlandeses votaram por todos aqueles que o queriam fazer e não puderam”. Por sua vez, o CDS veio lembrar que agora a alternativa é “respeitar as regras do jogo, conhecidas de todos” 3. Finalmente, a líder do PSD considerou que o ‘Não’ irlandês ao Tratado de Lisboa constitui um “contratempo sério” para o processo de construção europeia e afirmou que a decisão “deve ser respeitada” 4.
Recorda-se que o primeiro-ministro (PM) admitira no debate de 5ª fª passada, no Parlamento, que o êxito do Tratado de Lisboa, a ser referendado na Irlanda, era “fundamental” para o Governo e para a sua carreira política 5.
Conhecidos os resultados, o PM português teve de vir considerar como uma “derrota pessoal” o não irlandês ao Tratado de Lisboa, embora defendendo que o processo de ratificação deveria “continuar nos outros países” “Com certeza é uma derrota pessoal para mim. É uma derrota para mim e para todos aqueles que se empenharam no Tratado de Lisboa e no projecto europeu. Todos [os líderes europeus] estarão tão desapontados quanto eu estou neste momento”, acrescentou 6.
O “porreiro, pá!” do PM, aquele que considerou um dos momentos mais importantes da sua carreira, deverá assim sair frustrado 7. Tendo considerado que, com o resultado do referendo, era a sua carreira política que estava em causa, pergunta-se: E agora, José? 8
 
1. Ver www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=320228
2. Ver http://sic.aeiou.pt/online/noticias/pais/080613_tratadodelisboa.htm
3. Ver http://diario.iol.pt/internacional/tratado-irlanda-referendo-ue/962322-4073.html
4. Ver http://dianafm.com/index.php?option=com_content&task=view&id=11313&Itemid=2
5. Ver http://sic.aeiou.pt/online/noticias/pais/20080612E+fundamental+para+a+minha+carreira+politica.htm
6. Ver http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=97835
7. Ver http://diario.iol.pt/internacional/tratado-irlanda-referendo-ue/962322-4073.html
8. Título de uma obra de José Cardoso Pires, de 1977.
Temas: ,
publicado por Sobreda às 01:03
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Sábado, 2 de Fevereiro de 2008

Medalha de bronze no desemprego

Portugal despediu-se de 2007 com a maior taxa de desemprego da Europa, logo a seguir à Espanha e à Eslováquia.
De acordo com os números de Eurostat tornados públicos no fim do mês passado, o desemprego em Portugal no mês de Dezembro voltou a ficar nos 8,2%, uma taxa inalterada face aos resultados de Outubro e de Novembro. Ou seja, a terceira mais elevada entre os 27 membros da UE.
Num ano em que quer a UE, quer a Zona Euro, conseguiram baixar as suas taxas de desemprego, Portugal viu o problema agravar-se. Embora ainda não se conheçam os números do INE para a taxa de desemprego que fechou o ano de 2007, parece já claro que o Governo vai voltar a falhar as previsões que inscreveu no Orçamento de Estado.
Dito de outra forma, enquanto a taxa de desemprego da Zona Euro permaneceu nos 7,2% e na UE a 27 a taxa de desemprego desceu de 6,9%, em Novembro, para os 6,8%, no mês em análise, há um ano Portugal ocupava o 7º lugar no ranking dos países europeus com maior taxa de desemprego, hoje encontra-se num (des)honroso 3º lugar numa lista liderada pela Eslováquia (10,8%) e pela Espanha (8,6%).
Ao Governo já só falta ganhar a medalha de... cortiça.
 
Ler www.jornaldenegocios.pt/default.asp?Session=&CpContentId=310542
Domingo, 13 de Janeiro de 2008

Bruxelas expõe bairros degradados de Lisboa

Uma exposição fotográfica em Bruxelas, sobre problemas de habitação social na UE, ilustrada em um terço com imagens de bairros degradados de Lisboa, suscita diferentes leituras por parte de deputados europeus portugueses.
A exposição ao ar livre, realizada oficialmente entre 6 e 21 de Dezembro, mas ainda patente na Place du Luxembourg, no ‘bairro europeu’ de Bruxelas, visa sensibilizar para os problemas de habitação na UE, através de fotos de bairros degradados e sem-abrigo de três cidades europeias: Bruxelas, Budapeste e Lisboa. Lisboa é basicamente ilustrada com fotos de imigrantes africanos a viver em situação de pobreza.
Por isso alguns eurodeputados portugueses do denominado bloco central trocam agora acusações, mostrando-se indignados com o conteúdo da exposição. Consideram ser “vergonhoso” que, numa Europa a 27, tenham sido escolhidas apenas estas três cidades - Budapeste com 14 fotos, Lisboa com 12 e Bruxelas com oito - e “esquecidas outras grandes cidades europeias”, e que a mostra fotográfica ocorra logo a seguir “à saída da presidência portuguesa da UE”.
Porém, não sentem vergonha por terem sido os seus governos, em Portugal, a não terem tomado as medidas inadiáveis para inverter a situação de pobreza de cerca de 2 milhões de pessoas. Se assim tivesse sido, se calhar estas imagens já não fariam sentido.
 
Ver http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/e71eee059ece3dc1f832af.html
publicado por Sobreda às 09:25
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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008

Socialistas decidem boicotar o Tratado

Afinal a ratificação do Tratado de Lisboa vai mesmo ser boicotada pelos deputados socialistas. Sim, é mesmo verdade. Só que se trata dos socialistas… franceses.
Em França, o Governo vai à pressa proceder a uma revisão constitucional prévia à ratificação parlamentar do Tratado de Lisboa, apresentando um projecto de Lei para uma revisão constitucional (que será submetido à Assembleia Nacional francesa, no dia 15, e ao Senado, Câmara alta, no dia 29), antecipando deste modo a discussão do novo Tratado.
Só que a oposição socialista (e algumas franjas da direita) criticam a decisão presidencial de preterir o referendo popular à aprovação por via parlamentar do Tratado de Lisboa. Por isso, o líder dos socialistas franceses, recordando os chumbos francês e holandês do projecto de Constituição Europeia, em 2005, declarou que os seus militantes não irão a Versalhes.
E lembram que nas passadas eleições presidenciais francesas, a então candidata socialista havia pugnado pela realização de um referendo para ratificar o que viria a ficar conhecido como Tratado de Lisboa. Por isso, o PS francês recorda que “o projecto de Constituição Europeia foi rejeitado em referendo e não tem sentido participar na prévia revisão constitucional quando estamos contra a ratificação por via parlamentar do Tratado de Lisboa” 1.
Ah, mas tudo isto se passa em França. Porque, em Portugal, o Governo socialista decidiu dar o dito por não dito e rasgar as suas promessas eleitorais de promover um referendo, optando por uma ratificação simples no Parlamento 2. Afinal ainda há socialistas que cumprem as suas promessas eleitorais, mas não de certeza em Portugal.
 
1. Ver http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=74678
2. Ver http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1316005&idCanal=12
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Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008

Romper com as políticas neoliberais

Sempre que se aproxima o início de um novo ano, queremos acreditar que algo pode mudar, que algo pode ser melhor. Infelizmente, do que já se ouviu do primeiro-ministro, descontando os auto-elogios a que nos vai habituando, o que temos é mais do mesmo. Muita propaganda, a multiplicação de promessas para alguns, referidas como se fossem para todos, mas mais nada.
Quem está atento ao que se passa, e ouve as pessoas, sabe que os reformados continuam com reformas muito baixas, e mesmo aqueles que julgam estar nas condições a quem a propaganda promete novos apoios, depressa descobrem que, afinal, não conseguem receber nada. O mesmo se passa com os jovens que tinham apoio para renda de casa. Agora descobrem que, afinal, só lhes resta ficar sem casa, por que não têm mais direito a subsídio.
Quanto ao desemprego, é a sua manutenção que se anuncia, acompanhado de maior precariedade no emprego com a ameaça de nova alteração da legislação laboral para facilitar os despedimentos sem justa causa, seguindo as orientações da União Europeia e da flexigurança, que o novo Tratado de Lisboa quer reforçar, criando novos mecanismos de repressão e dando cobertura a uma maior fragilização dos direitos sociais.
Também no plano financeiro, a nível comunitário, o que aí temos para 2008 são valores inferiores aos previstos no acordo do Quadro financeiro 2007/2013, relativamente a 2008. Aliás, tal como aconteceu no anterior Quadro financeiro 2000/2006. No essencial, todas as propostas para o Orçamento comunitário de 2008 vão ao encontro das exigências dos países ‘ricos’, que impõem como limite os cerca de 1% do RNB comunitário, reduzindo, assim, a sua comparticipação no mesmo.
Por tudo isto, em 2008, iremos continuar a viver fortes tensões sociais, em Portugal e em diversos países da UE.
Por isso, consideramos essencial a ruptura com as políticas neoliberais, federalistas e militaristas da UE e a necessidade de um orçamento comunitário que, entre outros aspectos, tenha como base as contribuições nacionais de acordo com a riqueza relativa de cada país, e dê prioridade a uma função redistributiva, assumindo como prioridade a implementação de políticas que promovam uma real aproximação dos níveis de desenvolvimento económico dos diversos países e a efectiva melhoria das condições de vida dos trabalhadores e das populações.
 
Ler Ilda Figueiredo IN www.semanario.pt/noticia.php?ID=3810
publicado por Sobreda às 01:14
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Domingo, 16 de Dezembro de 2007

O ‘underground’ da Cimeira

Da recente cimeira UE-África houve pormenores que ficaram por contar - forças de segurança a passarem fome, polícias perdidos, elementos das comitivas desaparecidos e com o avião na placa à espera para levantar voo -, mas de tudo isto a opinião pública nada soube.
A começar pelo mega-jantar no Palácio da Ajuda. Os elementos responsáveis por zelar pela segurança das comitivas também tinham prevista a sua refeição para aquele local, mas apenas foram acautelados 130 jantares para… mais de 500 pessoas. Houve quem passasse fome, uma vez que estava impedido de abandonar o Palácio sem as respectivas comitivas.
O apertado plano de segurança, que garantiu sem incidentes a estada dos líderes de 80 países, obrigou à deslocação para Lisboa de algumas centenas de agentes da PSP. Vieram de todo o país e foram eles que abriram caminho no trânsito da capital, mesmo sem conhecerem nenhuma das ruas por onde conduziam as delegações.
Não se estranhou, por isso, que algumas comitivas tenham ido parar aos hotéis errados, ou até mesmo que os próprios polícias se tenham perdido dos restantes elementos da delegação que tinham à sua responsabilidade. Por um motivo simples: as viaturas que transportavam os líderes e respectivos acompanhantes andavam muito mais rápido do que os carros da polícia, alguns não ultrapassando os 150 Km/h (será que os radares dispararam e a CML vai cobrar a multinha da ordem?).
E também estes agentes de segurança ficaram com muitas razões de queixa relacionadas com a sua alimentação: é que quem veio de longe teve de pagar a comida do seu próprio bolso.
Apesar de o primeiro-ministro ter declarado que a cimeira foi um sucesso, na hora do regresso aos seus países alguns aviões permaneceram na placa do aeroporto esperando horas pelos elementos das delegações… que se encontravam desaparecidos 1.
Provavelmente às compras em centros comerciais e rodeados de "uma dezena de seguranças que fechavam o acesso aos corredores das compras" aos habituais clientes  2.
 
1. Ver Mundo à Sexta 2007-12-14, p. 5
2. Ver www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=269902&idselect=93&idCanal=93&p=200
publicado por Sobreda às 00:01
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Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007

Em busca do Cesário perdido

Agora que a minha biografia de Cesário Verde está nas livrarias, apeteceu-me regressar aos locais onde ele vivera.
Sob o sol deste Outono tão doce, comecei o passeio pela Baixa pombalina, admirando as ruas por ele percorridas, parando, a certa altura, no Terreiro do Paço, onde, sem êxito, procurei sentir o cheiro a maresia, as sombras e o bulício. Irritada com as infindáveis obras do Metropolitano, fui até à Rua dos Fanqueiros, onde o seu pai tinha a loja para a qual ele organizava a contabilidade, mas o trânsito impediu-me a contemplação. Subi a Avenida da Liberdade, até ao começo da rua do Salitre, onde na meninice vivera. Imaginei-o a brincar junto ao coreto que está agora na Estrela. Dei um pulo até ao jardim: as árvores estavam lindas, o solo renovado e o gradeamento reposto. Finalmente, desci até à sua casa na Rua das Trinas, olhando, ao fundo, o Tejo: “Lodoso o rio, e glacial, corria” (…)
No domingo seguinte, fui até ao Paço do Lumiar onde, numa casa cor-de-rosa, Cesário morreu. Semanas antes, escrevia a Macedo Papança: “As melhoras, as próprias melhoras que os medicamentos chamam e espicaçam com o aguilhão da sua química e que eu estimulo com a aguilhada da minha vontade, essas mesmas vão ronceiras, moles, a passo de boi, muito devagar, muito devagar”. No final, interrogava-se: “Chegam-me dúvidas, descrenças, terrores do futuro”. Depois de ter visto morrer, de tuberculose, uma irmã e um irmão sabia o que era "a horrível aniquilação".
Sem trânsito, o local parece uma aldeola oitocentista. No largo de S. Sebastião, um par de velhotas meteu conversa comigo. Expliquei-lhes ao que vinha, perante o que, cépticas, me afirmaram que aquilo de o poeta ter ali morrido – “até lá tinham posto uma placa, um disparate de que nem vale a pena falar” - era uma treta, pois toda a gente sabia que o tal Cesário falecera em Odivelas. Do que deveria tratar, disseram-me, era do restauro da capelinha, uma jóia datando do século XVI.
Muitos responsáveis - ministros, secretários de Estado e autarcas - pensam que a compra do edifício onde um escritor viveu é uma prova de cultura, sem se darem ao trabalho de investigar se há qualquer coisa para meter lá dentro. No que diz respeito a Cesário, o que o Estado deve fazer não é adquirir imóveis, mas contribuir para que, através de boas traduções, os estrangeiros possam conhecer a sua poesia.
Por tudo isto, é de Cesário Verde, e não do Tratado de Lisboa, que Portugal se deve orgulhar.
 
Ler Mª F. Mónica IN Público 2007-12-04, p. 39
Uma breve nota biográfica do poeta pode ser consultada em http://portugues12ano.blogspot.com/2007/12/biografia-cesrio-verde.html
publicado por Sobreda às 03:03
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Apupos eurocépticos

Sócrates viveu ontem em Estrasburgo o momento mais agitado enquanto presidente do Conselho da UE, durante a proclamação da Carta de Direitos Fundamentais, ao enfrentar uma manifestação de eurodeputados contestatários do Tratado de Lisboa. O primeiro-ministro foi forçado a adiar o início da sua intervenção no Parlamento Europeu e a interrompê-la devido aos apupos e gritos de ordem de vários deputados.

Falando aos jornalistas, o secretário-geral do PCP pronunciou-se sobre essa manifestação, dizendo estar em causa “o comportamento de alguns deputados”.

“Não posso falar em nome de ninguém. Apenas posso falar em nome do meu partido e dos meus deputados. O PCP prefere o debate e o combate político, o esclarecimento consciente, sério e fundamentado, acompanhado naturalmente de uma intervenção de cidadãos”, sublinhou o secretário-geral comunista, que fez ainda questão de frisar que o PCP não se identifica “com qualquer acção que desvie a questão central”: a necessidade de um referendo ao Tratado da UE 1.

O PCP defende que o país tem de debater o seu futuro na Europa e, por isso, o seu secretário-geral destaca a importância de uma consulta popular. O referendo é essencial para os comunistas e, se houver votação, o PCP fará campanha pelo “não”, porque considera que este é um mau Tratado para Portugal 2.

Também no seu Conselho Nacional do passado sábado, dia 8, “Os Verdes” informaram que “tomaram a decisão de não estar presentes na cerimónia de assinatura do Tratado Europeu em sinal de protesto, denunciando o folclore que irá decorrer no próximo dia 13 no Mosteiro dos Jerónimos, como a primeira acção de campanha a favor da ratificação de um Tratado que caminha para uma Europa federal e militarista, com perda de soberania para Portugal e um cada vez maior afastamento dos centros de decisão face aos cidadãos”.

Os Verdes” divulgaram que continuarão a “exigir que o Governo cumpra o seu compromisso eleitoral de realização do Referendo à revisão do Tratado Europeu” 3.

 

1. Ver http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=313581&visual=26

2. Ver www.rr.pt/InformacaoDetalhe.aspx?AreaId=11&SubAreaId=55&ContentId=229267

3. Ver www.osverdes.pt/index01.html

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publicado por Sobreda às 02:59
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Os buracos de Lisboa onde a Europa pode tropeçar

Tal como o asfalto das ruas da capital portuguesa, também o Tratado de Lisboa apresenta “buracos” que prometem gerar dores de cabeça quando, em 2009, se começarem a levar à prática as mudanças que estão agora a ser acordadas.
A ‘pax institutionalis’ prometida pelo Tratado de Lisboa pode ser mais curta do que se pensa, e há já quem esteja a coçar a cabeça à procura de soluções para os vazios deixados nas entrelinhas do novo texto. É o caso do embaixador da Eslovénia junto da UE (país que em 2008 sucede a Portugal na presidência europeia), que calcula existirem “mais de 40 disposições” a necessitar de clarificação antes de o Tratado entrar em vigor, previsivelmente em 2009.
A criação do cargo de presidente permanente do Conselho Europeu, em substituição das presidências semestrais rotativas, é a grande inovação do Tratado de Lisboa, mas consequentemente, é aquela que se encontra envolta na neblina mais densa.
 
Ler Eva Gaspar IN www.negocios.pt/default.asp?Session=&SqlPage=Content_Economia&CpContentId=307549
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publicado por Sobreda às 02:55
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Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2007

O corrupto e o corruptor

O presidente da UE dizia, há dias que, por força do seu cargo, tem de se relacionar com pessoas com as quais a sua mãe não gostaria de o ver. Falava de África, e do Zimbabué em particular, mas podia perfeitamente dizer o mesmo (quereria?) dos presidentes dos EUA ou da Rússia.
A questão é que a política de hoje não é comandada por princípios, mas pelo dinheiro, pelos negócios.
Qualquer pessoa com um mínimo de princípios, para seguir a lógica do presidente da EU concordará que a cimeira UE-África reuniu em Lisboa alguma da fina-flor da ralé da política internacional, tornando a nossa capital, por estes dias, um dos lugares mais mal frequentados do mundo.
No reino da hipocrisia que é a política, os sorrisos e apertos de mão trocados em Lisboa foram francos e sinceros. Tão francos e sinceros como se tivessem sido trocados por um político inglês que, por ficar em casa, não merece o estatuto de mais sério do que os outros, porque não faltam exemplos na política britânica da mesma hipocrisia. Não se dá ele, e todos os outros, com a China, por razões sobejamente conhecidas? E as mãezinhas deles, aprovarão?
Enfim, na Europa, os políticos europeus gostam de se dar ares de bons princípios. À luz do Ocidente, são capazes de ser melhores. Mas nem por isso têm bons princípios. Consulte-se o recente inquérito europeu - repito, europeu -, promovido por uma ONG, que concluiu que partidos políticos, parlamentos e tribunais são os organismos mais corruptos.
O que fica de fora deste polvo? Que dirão as nossas mães do mundo que estamos a construir? Que ninguém duvide: para haver alguém corrupto é porque houve um ou mais corruptores.
 
Ler J. L. Pereira IN http://jn.sapo.pt/2007/12/09/preto_no_branco/no_reino_hipocrisia.html
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publicado por Sobreda às 02:23
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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007

Tratado da confusão

Convidado para o debate sobre Globalização e Igualdade Social - uma iniciativa promovida pelo Governo Civil de Coimbra - o antigo Presidente da República criticou, domingo à noite, em Coimbra, o texto final do tratado europeu, que será assinado em Lisboa na próxima 5ª fª.
Mário Soares não teve pejo a apontar que “o Tratado de Lisboa não é muito especial. Naquilo que conheço, o tratado é muito confuso. Nem é pequeno nem é claro. É o mais confuso possível”.
Sobre o fenómeno da globalização, criticou duramente a vertente neoliberal, cujo primado do dinheiro e do mercado “está a arrastar-nos para uma situação gravíssima, a de pôr em perigo a própria civilização ocidental”.
 
Ver http://dn.sapo.pt/2007/12/10/nacional/soares_que_tratado_e_o_mais_confuso_.html
publicado por Sobreda às 02:51
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Sábado, 27 de Outubro de 2007

Uma constituição surrealista

Disfarçar que o tratado reformador da UE não é a velha Constituição só para não ter que submeter o texto a referendo é ‘surrealista’, escrevia ontem o semanário The Economist no seu editorial.  O semanário compara o ocorrido com o famoso quadro surrealista do belga René Magritte que representa um cachimbo e em que aparece por baixo uma legenda a dizer ‘Ceci n' est pas une pipe’ (Isto não é um cachimbo).

Mais ‘surrealista’ que a atitude dos políticos que negam que o novo texto seja uma constituição é a reacção de alguns votantes da Europa continental, que antes protestavam contra o anterior esboço de constituição e ‘agora encolhem os ombros’. “Menos de uma semana depois, comenta a revista, muitos dos conjurados de Bruxelas renunciaram já ao subterfúgio, assegurando que, no fim de contas, se trata de uma constituição”.

Para o semanário britânico, independentemente do que cada um possa pensar sobre o texto, “trata-se de uma farsa, que tem para além disso consequências que rebaixam a Europa”. “No fim de contas trata-se da maior economia do mundo, e dentro de dez anos, o ‘arranjo’ acordado em Lisboa poderá ter um forte impacto no modo de actuar da EU”, adverte o The Economist.

A revista sublinha que “em vez de simplificar a arquitectura legal da UE, devolver alguns poderes aos Estados membros e fazer a política mais inteligível para os votantes, fez-se exactamente o contrário”.

“A opacidade do novo tratado não é um mero acidente, mas a sua razão de ser. Depois de não ter conseguido persuadir os votantes com frases ribombantes e pouco habitual sinceridade (...), os líderes europeus regressaram à sua anterior estratégia, consistente embutindo uma vasta quantidade de inovações e emendas num texto legal ilegível”.

O semanário recorda que quase uma dezena de governos europeus prometeram submeter a constituição a referendo (como é o caso do Governo português) e acusa-os de falta de honestidade quando dizem que o novo texto é tão diferente que não há razão para manter aqueles promessas. “A única razão pela qual não haverá referendos, com excepção da Irlanda, é que com toda a probabilidade seriam perdidos, na Holanda, Reino Unido e tal vez outros lugares”. “Para uma instituição em que a legitimidade e a responsabilidade são bens escassos, trata-se da pior desculpa possível”.

O semanário comenta que “ironicamente, o país que o tratado menos vai afectar é o Reino Unido, graças às chamadas ‘auto-exclusões’ (opting-outs) que conseguiu negociar, ainda que esteja por comprovar, que o texto será menos intrusivo” no seu caso. “Se for ratificado, o tratado permitiria à UE dedicar-se a assuntos importantes como a ampliação, a reforma económica o que fazer com a Rússia, causas também defendidas pela Grã-Bretanha”, acrescenta. “E contudo, trata-se basicamente da mesma constituição, e o governo britânico prometeu fazer um referendo, apesar dos desmentidos do Primeiro-Ministro”, conclui a revista, que advoga uma consulta popular ‘agora’.

De facto, quem pensa que está surrealistamente a enganar quem? De certeza que não os 200 mil manifestantes que desfilaram no Parque das Nações a semana passada.

 

Ver http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=62952

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publicado por Sobreda às 01:20
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Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007

Era uma vez um Tratado

Era uma vez uma associação de Estados chamada União Europeia (UE) a que Portugal tem presidido no segundo semestre de 2007.

Segundo as regras da associação, não muito diferentes das de um condomínio residencial, a administração rodava de vez em quando entre os seus membros, de modo que qualquer Estado, mesmo destituído de tamanho ou peso, assumia ciclicamente essas funções. O primeiro-ministro de Portugal, um tal de José Sócrates, andava eufórico com a experiência. Pela primeira vez reunia-se com altas personagens da política europeia. Queria brilhar neste seu novo papel de líder da Europa e estava disposto a fazer tudo o que fosse necessário para cumprir o guião que lhe puseram à frente.

A associação UE atravessava uma fase difícil. Nos últimos anos tinham entrado novos membros do Leste, alguns turbulentos como a Polónia, e o grupo estava agitado com as mudanças de funcionamento que eram necessárias para incorporar toda a gente. Depois, alguns povos da Europa tinham rejeitado há uns anos em referendo um texto jurídico pomposamente intitulado Constituição Europeia. O fracasso da Constituição nunca foi bem digerido. O sentimento oficial era de crise, de falta de rumo, de impasse.

Então, alguém teve uma ideia: fazer um tratado que incorporasse 90% da Constituição falhada, mantendo o que já existia e introduzindo algumas inovações: um presidente fixo em vez da regra das presidências rotativas, uma comissão mais pequena, um ministro dos Negócios Estrangeiros e um método de votação que preservava o poder dos Estados grandes, ao mesmo tempo que penalizava os estados médios (como Portugal). O tratado foi concluído sem particular demora ou divergência. De imediato instalou-se a euforia. Portugal oferecia, com generosidade, a uma Europa doente um novo tratado unificador e um líder messiânico: o nosso José Sócrates. A ‘Nova Europa’ nascia em Lisboa.

No meio da festa, no circo de felicitações, no exercício de relações públicas em que a UE se tem tornado, quase ninguém parou para reflectir sobre o tratado que se chamará, para nosso orgulho vazio, Tratado de Lisboa.

Pois, era uma vez um tratado largamente dispensável, que pouco inova em relação aos tratados anteriores, que onde inova criará novos e sérios problemas (já se vê o conflito entre o futuro presidente permanente e o presidente da Comissão Europeia), que prejudica os interesses de Portugal e que não resolve nenhum dos problemas críticos da UE: a estagnação social e económica, o afastamento das populações, o défice de legitimidade e de democracia.

Mas o ambiente geral era de alegria. Como no interior do Titanic antes de bater no icebergue.

 

Ler Pedro Lomba IN http://dn.sapo.pt/2007/10/25/opiniao/o_tratado_lisboa_contado_criancas_e_.html

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publicado por Sobreda às 00:42
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Domingo, 21 de Outubro de 2007

Posição sobre o Tratado da UE

Posição comum sobre o Tratado para a União Europeia
uePor iniciativa do PCP, 29 partidos comunistas e outras forças de esquerda adoptaram uma Posição Comum sobre o Tratado para a UE, denunciando o conteúdo do Tratado e reclamando o direito de cada povo se pronunciar através dum amplo e democrático debate e de consultas populares nos diferentes países da UE, nomeadamente através de referendos.
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publicado por cdulumiar às 11:34
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O Tratado vai nu

De onde terá sido transcrita a seguinte afirmação?

“O PS entende que é necessário reforçar a legitimação democrática do processo de construção europeia, pelo que defende que a aprovação e ratificação do Tratado deva ser precedida de referendo popular, amplamente informado e participado, na sequência de uma revisão constitucional que permita formular aos portugueses uma questão clara, precisa e inequívoca” 1.

Está lá tudo 2, no Programa eleitoral do PS, bases programáticas para as legislativas de 2005. Mas isso era há dois anos atrás… Referendo hoje para quê? Para ouvir or cidadãos?

Como disse o deputado Francisco Madeira Lopes no debate de 4ª fª passada, na Assembleia da República, sobre a Cimeira Europeia em Lisboa:

“Também em Portugal se fez uma revisão constitucional para expressamente permitir, o que antes era vedado, com o aditamento de um novo artigo 295º, a realização de referendos sobre a aprovação de Tratados que versassem sobre a construção e aprofundamento da União Europeia.

Porque é que alterámos todos (recorde-se que foi por unanimidade) a nossa Constituição? Mas afinal, de que é que têm tanto receio os defensores do novo tratado?” 3

 

1. Ver http://inet.sitepac.pt/PSProgramaEleitoral2005.pdf, p. 154

2. Ver http://jangada-de-pedra.blogspot.com

3. A disponibilizar em www.parlamento.pt/PLC/ActividadeDeputado.aspx?ID_Dep=1785

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publicado por Sobreda às 00:44
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Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007

Em defesa de uma Europa com direitos sociais e emprego

Milhares de trabalhadores de todo o país estão a desfilar em direcção ao Parque das Nações, em Lisboa, em protesto contra a política económica e social em Portugal e em defesa de uma Europa com direitos sociais e emprego. Esta manifestação nacional decorre no mesmo dia em que se realiza a Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Europeia.

O protesto começou quase ao mesmo tempo em que o presidente em exercício da União Europeia (UE) anunciou um acordo entre representantes das confederações patronais e sindicais da Europa em torno da 'modernização' do mercado de trabalho e dos princípios da ‘flexigurança’.

Animada por um grupo de bombos e cabeçudos, a manifestação, convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), decorre de forma ordeira, mas muito barulhenta, obrigando ao corte de trânsito entre os Olivais e o Parque das Nações, em Lisboa.

Os manifestantes gritam várias palavras de ordem contra a política do Governo, nomeadamente “Direitos sindicais sim, repressão não”, “É preciso, é urgente uma política diferente”, “Emprego de qualidade, não à precariedade”. Reivindicam ainda que “qualquer que seja o tratado, deve ser referendado”.

À frente do desfile seguem os dirigentes nacionais da CGTP, com um enorme faixa onde se lê “Por uma Europa Social” (escrito em português e inglês), seguidos por vários dirigentes de sindicatos europeus que integram a Confederação Europeia de Sindicatos (CES). Desta vez, a CES não enviou nenhuma delegação para participar na manifestação, apesar dos seus principais dirigentes se encontrarem em Lisboa, onde participaram esta manhã na cimeira social com a Presidência da UE.

A CGTP não quis ainda avançar com o número total de participantes, mas a polícia, embora reconheça a dificuldade de definir um número, disse aos jornalistas que a manifestação deve integrar cerca 150 mil pessoas.

A manifestação realiza-se sob o lema “por uma Europa social, empregos com direitos” e tem como objectivos protestar pela situação económica e social do país e com as políticas europeias que vão ter repercussões negativas em Portugal, como a flexigurança, segundo afirmou um dirigente da CGTP.

Num manifesto, a CGTP assumiu que a manifestação de hoje é um protesto contra a flexibilidade sem segurança, a desprotecção dos trabalhadores, o aumento da precariedade, a facilidade no despedimento, a redução dos salários reais e a limitação do papel dos sindicatos. Defende, no mesmo documento, a promoção da negociação colectiva, o combate ao desemprego, o direito à formação, a igualdade no trabalho, o respeito pelos direitos dos trabalhadores, melhor segurança social, saúde e educação e maior justiça fiscal 1.

 

Actualização:

A CGTP considerou que, pelo número de pessoas presentes no desfile, terá sido a maior manifestação dos últimos anos. “Temos informação de que esta é a maior manifestação nos últimos 20 anos. Calculamos que estão 200 mil pessoas entre o Parque das Nações e os Olivais”, anunciou um dos membros do executivo da CGTP.

“Viemos aqui lutar por uma Europa social”, disse o sindicalista, perante milhares de pessoas concentradas perto do Pavilhão Atlântico, onde decorre a cimeira informal de Chefes de Estado e de Governo da UE, recordando que os manifestantes são trabalhadores portugueses em protesto contra a degradação das condições de vida e de trabalho 2.

 

1. Ver Lusa doc. nº 7609861, 18/10/2007 - 16:16

2. Ver 

www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=262229&idselect=10&idCanal=10&p=200 e www.tvi.iol.pt/informacao/noticia.php?id=867936 e http://jn.sapo.pt/2007/10/18/ultimas/Milhares_de_pessoas_manifestam_s.html
publicado por Sobreda às 17:36
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Sábado, 13 de Outubro de 2007

Pelo desenvolvimento e justiça social

É preciso colocar a economia ao serviço do País e do povo português e consagrar os direitos dos trabalhadores como condição e objecto do desenvolvimento.

Portugal precisa de apostar na produção nacional, de mais investimento público, de apoiar as pequenas e médias empresas e o desenvolvimento regional, de melhorar a qualificação e a formação profissional.

Não é aceitável o caminho de mais flexibilidade, precariedade, insegurança, desemprego, degradação das condições de vida e limitação dos direitos.

É preciso uma ruptura com a política de agravamento dos problemas económicos e sociais e de declínio nacional, abrindo caminhos para um Portugal mais desenvolvido, mais justo, com futuro, que se impõe na Europa e no mundo do século XXI.

publicado por cdulumiar às 18:11
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Sábado, 6 de Outubro de 2007

Um Tratado ilegível

A presidência portuguesa da EU divulgou ontem o projecto do novo Tratado Reformador, que modifica a estrutura institucional da UE e altera o equilíbrio de poderes entre os Estados. A nova versão recupera o essencial do Tratado Constitucional chumbado em referendo na França e Holanda, embora os líderes europeus considerem o actual documento menos federalista. Foram também acomodadas exigências britânicas e polacas, num texto quase ilegível para leigos.

Os dirigentes europeus sublinham que o Tratado Reformador não tem carácter constitucional. Mantém-se o direito de petição de um milhão de europeus e não há ambições de reunir todos os tratados num único documento. Isto deu origem a um texto jurídico muito complexo, de leitura apenas possível para especialistas 1.

O documento terá de ser ratificado pelos 27 até 2009, só então entrando em vigor. As versões do documento nas diversas línguas estão disponíveis na Internet, também a partir do sítio web da presidência 2.

Entretanto, no espaço europeu, existe uma campanha para que o Tratado Europeu seja previamente referendado 3.

 

1. Ver http://dn.sapo.pt/2007/10/06/nacional/tratado_reformador_ilegivel_para_cid.html

2. Ver www.eu2007.pt

3. Ver http://osverdesemlisboa.blogspot.com/2007/10/movimento-pelo-referendo-ao-tratado.html

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publicado por Sobreda às 19:03
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