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Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

Não há elefante que parta tanta louça como Saramago!

O elefante nem sabe o que isso é. Mas Saramago sabe bem!

 

 

Eu sei o que é, sei o que digo, sei porque o digo e prevejo, normalmente, as consequências daquilo que digo. Mas não é por um desejo gratuito de provocar as pessoas ou as instituições. Pode ser que se sintam provocadas, mas aí o problema já é delas. A pergunta que faço é porque é que eu me hei-de calar quando acontece alguma coisa que mereceria um comentário mais ou menos ácido ou mais ou menos violento? Se andássemos por aí a dizer exactamente o que pensamos - quando valesse a pena -, teríamos outra forma de viver: estamos numa apatia que parece que se tornou congénita e sinto-me obrigado a dizer o que penso sobre aquilo que me parece importante.
Entre as suas afirmações mais recentes está que “Marx nunca teve tanta razão como agora”. Até a revista New Yorker abriu o debate citando-o...
Eu acho que há aí um certo número de pessoas que se enerva muito facilmente com qualquer coisa que eu diga. Não vale a pena, não se enervem! Digam só se tenho razão ou não, e, se não tenho, discutam-na! Mas não são capazes, há um movimento quase instintivo e deixam-se provocar sem que eu queira. E essa ideia de que o Marx nunca teve tanta razão como hoje está demonstrada pelos factos. Curiosamente, na Alemanha, estão a procurar-se muitas obras do Marx, e por algo será. No domínio das ideias, nada é cadáver, e quando parece pode ser apenas isso, mas as circunstâncias exteriores obrigam a reconhecer que afinal de contas não estava morto. É o caso.
A revista Magazine Littéraire publicou um especial sobre o renascer das ideias de Marx.
Eu não li, mas sei que isso saiu. O que acontece é que o triunfalismo não era mais que um gigante com pés de barro do neoliberalismo económico. Vale a pena recordar que o senhor Fukuyama, funcionário do Departamento de Estado dos EUA, anunciou com toda a simplicidade e como se fosse algo óbvio o fim da história. Como é que nós, pobres diabos que somos, podemos decretar o fim da história? Afinal de contas não tinha acabado, e agora há que continuar e não sabemos em que bases, porque a confusão é total nas cabeças dos dirigentes políticos e das estruturas económicas e financeiras. Aquilo que devemos temer, e para isso convém estar com muita atenção, é que não vá acontecer que se mude uma coisa para que tudo continue igual, como no caso do ‘Il Gattopardo’, do Lampedusa.
Acha que este ‘crash’ na economia é para que tudo fique na mesma?
Não, e o arranjo já está em curso desde que o Sarkozy disse que é preciso fundar um novo capitalismo. No fundo, é isso, corrigir o que está aparentemente errado pela falta de previsão absolutamente assombrosa.
Esta recuperação que se está a fazer do capitalismo e dos ideais do Marx nunca levará à crença da recuperação da União Soviética?
Eu penso que não, e sobretudo por uma razão muito simples, porque não é forçoso. Ao contrário do que algumas pessoas fazem, e uma delas é o Mário Soares, que - reconhecendo a importância das suas teses - responsabiliza o Marx de tudo e acha que o diabo original está no Marx.
 
Ler entrevista a José Saramago http://dn.sapo.pt/2008/11/05/centrais/marx_diabo_para_mario_soares.html
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publicado por Sobreda às 02:01
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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

Saramago não trocava ideal comunista pelo Prémio Nobel

O escritor José Saramago revelou ontem ao fim da tarde que Álvaro Cunhal, líder histórico do PCP, “tinha razão” ao prever, numa carta que nunca chegou a receber, que ele, Saramago, “nunca abandonaria o partido”. “Tinha razão e aqui estou”, afirmou o escritor, sob uma enorme salva de palmas de uma sala cheia, durante uma homenagem do seu partido, em Lisboa, no 10º aniversário da atribuição do Prémio Nobel da Literatura.

O escritor, militante comunista desde a década de 60, contou que Cunhal, nos anos 80, quando foi “submetido a uma operação de alto risco”, escrevera “algumas cartas” a “várias pessoas, para o caso de não sobreviver”, incluindo a ele, José Saramago. “Felizmente, para todos e para ele, sobreviveu, viveu e trabalhou, e as “cartas foram destruídas”, mas Saramago revelou ter tido conhecimento do que o líder histórico do PCP lhe escrevera.
“O camarada Álvaro Cunhal dizia que estava convencido que eu nunca abandonaria o partido. Tinha razão. E aqui estou”, afirmou o Nobel da Literatura, ouvido em silêncio e que no final recebeu uma ruidosa e sentimental salva de palmas de militantes e amigos que encheram duas salas do Centro Vitória do PCP, na Avenida da Liberdade. Devido à ‘enchente’ de militantes, parte deles teve de assistir à homenagem em directo, através da televisão, numa sala contígua.
A cerimónia incluiu ainda a leitura de um excerto do romance “Memorial do Convento”. Também o fadista Carlos do Carmo cantou um conhecido fado a partir de um poema do escritor.

 

 

Saramago lembrou ter escrito, num dos volumes de ‘Cadernos de Lanzarote’, quando se comentava a hipótese de receber o Nobel, que jamais “abandonaria as suas convicções políticas e ideológicas” para ter o direito a receber o prestigiado prémio. “As coisas correram bem: eu não abandonei as minhas convicções e recebi o Prémio Nobel”, concluiu 1.
Num discurso de três páginas, o secretário-geral do PCP homenageou Saramago como “grande escritor” lembrando a sua condição de comunista do autor de Memorial do Convento. “Creio que a sua condição de comunista e a grandeza da sua obra literária não são facilmente dissociáveis: sem essa condição, a massa humana de muitos dos seus livros não se moveria com o mesmo fulgor e não se sentiria em muitos deles o penoso, trágico, exultante, contraditório, luminoso, sombrio, incessante movimento da história”, disse.
Grande parte do discurso Jerónimo dedicou-o ao momento político dez anos passados sobre a data do Nobel para Saramago que, “apesar de complexo, difícil e perigoso”, abre “grandes perspectivas à luta dos comunistas, no Mundo e em Portugal”. A crise financeira internacional, a “agudização da luta de classes” e do “antagonismo entre o capital e o trabalho” são factos que “mostram a necessidade do socialismo como solução racional em alternativa à anarquia e concorrência capitalista”.
Já no final da cerimónia, o autor de Jangada de Pedra agradeceu as palavras do líder comunista e anotou, perante os risos da assistência que, apesar de ser “uma homenagem a José Saramago”, “oito décimos do seu (de Jerónimo de Sousa) discurso foram para fazer política, a tentar convencer os convencidos”. “Em todo o caso, convém repetir as coisas quando são certas. Vamos continuar juntos”, afirmou.
Na sala, onde muitos ficaram de pé, estavam a sua mulher Pilar, o ex-secretário-geral Carlos Carvalhas, os escritores Mário de Carvalho e Modesto Navarro, o realizador José Fonseca e Costa, inúmeros deputados e dirigentes históricos do PCP, bem como convidados representantes da Intervenção Democrática e do Partido Ecologista “Os Verdes2.
 
1. Ver http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?article=367099&visual=26&rss=0
2. Ver http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=112364
publicado por Sobreda às 03:32
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Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

10 anos de Nobel da Literatura

 

José Saramago nasceu na aldeia de Azinhaga (Golegã), em 1922. Fez estudos secundários (liceal e técnico) que, por dificuldades económicas, não pôde prosseguir.

É o único escritor de língua portuguesa que recebeu o Prémio Nobel da Literatura. Corria o ano de 1998. Romancista, poeta, dramaturgo, autodidacta, José Saramago usa a palavra como arma, desde os dias difíceis do salazarismo até à descoberta da literatura. Saramago apenas concluiu os estudos secundários, dadas as dificuldades económicas da família. Desenvolveu um percurso profissional do jornalismo à política, com experiências em serralharia, produção e edição literária, além de tradução. Pratica a literatura dos extremos. É um pessimista que faz da ironia a sua esperança. “É um português de sete estrelas!”, diz o fadista Carlos do Carmo 1.
No seu primeiro emprego foi serralheiro mecânico, tendo exercido depois, diversas outras profissões: desenhador, funcionário de saúde e de previdência social, editor, tradutor, jornalista. Publicou o seu primeiro livro, um romance, em 1947. Colaborou como crítico literário na revista Seara Nova. Em 1972 e 1973 fez parte da redacção do jornal Diário de Lisboa. Pertenceu à primeira direcção da Associação Portuguesa de Escritores e foi, desde 1985 a 1994, presidente da Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de Autores. Entre Abril e Novembro de 1975 foi director-adjunto do jornal Diário de Notícias. A partir de 1976 passou a viver exclusivamente do seu trabalho literário, primeiro como tradutor, depois como autor. É Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Turim (Itália), de Sevilha (Espanha) e de Manchester (Reino Unido); membro Honoris Causa do Conselho do Instituto de Filosofia do Direito e de Estudos Histórico-Políticos da Universidade de Pisa (Itália); membro da Academia Universal das Culturas (Paris); membro correspondente da Academia Argentina das Letras; membro do Parlamento Internacional de Escritores (Estrasburgo) 2.
José Saramago foi laureado com o Prémio Nobel da Literatura 1998 pela The Nobel Foundation. Detém ainda, entre muitos outros, o Prémio Europeu de Comunicação Jordi Xifra Heras (Girona) 1998, Prémio Nacional de Narrativa Città di Pienne (Itália) 1998, Prémio Nobel de Literatura 1998, Prémio Camões 1995, Prémio de Consagração de Carreira da Sociedade Portuguesa de Autores 1995, Prémio Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores 1993.

 

Nos 10 anos da entrega do Prémio Nobel, o PCP vai hoje, dia 8 de Outubro, prestar-lhe uma homenagem, com a presença do laureado. A Fundação Saramago lançou ainda recentemente um blogue 3.
 
1. Ver www.rtp.pt/gdesport/?article=678&visual=3&topic=20
2. Ver www.editorial-caminho.pt/cache/html/show_autor__q1area_--_3Dcatalogo__--_3D_obj_--_3D32198__q236__q30__q41__q5.htm
3. Ver http://blog.josesaramago.org
publicado por Sobreda às 01:25
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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

10º aniversário da atribuição do Prémio Nobel a José Saramago

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saramago.jpgA Festa do «Avante!» vai assinalar no sábado, dia 6, às 17h00, no Pavilhão Central, o 10º aniversário da atribuição do Prémio Nobel a José Saramago, um acto público  com a intervenção de José Casanova, Director do “Avante!” e a exibição de um filme alusivo a este acontecimento, que inclui uma saudação do escritor à Festa e aos seus “construtores”.  
 
 

 

publicado por teresa roque às 15:50
editado por cdulumiar às 16:03
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Domingo, 24 de Agosto de 2008

Vem aí ‘A Viagem do Elefante’ !

 

(…) Se alguém pode falar das obras e feitos de salomão, sou eu, que para isso sou o seu cornaca, portanto não venha para cá com essa treta de ter ouvido um barrito, Um barrito, não, os barritos que estas orelhas que a terra há-de comer ouviram foram três. O cornaca pensou, Este fulano está doido varrido, variou-se-lhe a cabeça com a febre do nevoeiro, foi o mais certo, tem-se ouvido falar de casos assim, Depois, em voz alta, Para não estarmos aqui a discutir, barrito sim, barrito não, barrito talvez, pergunte você a esses homens que aí vêm se ouviram alguma coisa. Os homens, três vultos cujos difusos contornos pareciam oscilar e tremer a cada passo, davam imediata vontade de perguntar, Onde é que vocês querem ir com semelhante tempo. Sabemos que não era esta a pergunta que o maníaco dos barritos lhes fazia neste momento e sabemos a resposta que lhe estavam a dar. Também não sabemos se algumas destas coisas estão relacionadas umas com as outras, e quais, e como. O certo é que o sol, como uma imensa vassoura luminosa, rompeu de repente o nevoeiro e empurrou-o para longe. A paisagem fez-se visível no que sempre havia sido, pedras, árvores, barrancos, montanhas. Os três homens já não estão aqui. O cornaca abre a boca para falar, mas torna a fechá-la. O maníaco dos barritos começou a perder consistência e volume, a encolher-se, tornou-se meio redondo, transparente como uma bola de sabão, se é que os péssimos sabões que se fabricam neste tempo são capazes de formar aquele maravilhas cristalinas que alguém teve o génio de inventar, e de repente desapareceu da vista. Fez plof e sumiu-se. Há onomatopeias providenciais. Imagine-se que tínhamos de descrever o processo de sumição do sujeito com todos os pormenores. Seriam precisas, pelo menos, dez páginas. Plof (…)
 
Ler fragmento do novo conto de José Saramago ‘A Viagem do Elefante’ IN http://blog.josesaramago.org
Página da Fundação www.josesaramago.org

Delegação na Azinhaga http://fundjosesaramago.blogspot.com/2008/08/delegao-local-da-fundao-jos-saramago.html

publicado por Sobreda às 11:01
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Sexta-feira, 25 de Julho de 2008

“Seara Nova” nº 1704 (Verão de 2008)

A “Seara Nova” é uma revista de informação política, social e cultural com 85 anos de existência que se assume, desde o primeiro número, como um espaço aberto de diálogo e reflexão democráticos.

Lançada em Outubro de 1921 por Aquilino Ribeiro, Augusto Casimiro, Câmara Reys, Faria de Vasconcelos, Ferreira de Macedo, Francisco António Correia, Jaime Cortesão, José de Azeredo Perdigão, Raul Brandão e Raul Proença, desde cedo, o projecto seareiro se afirmou como um espaço de diálogo e reflexão. Primeiro no quadro do processo ligado à consolidação da República Portuguesa, mais tarde na oposição ao regime fascista, inserindo o derrube deste na consolidação dos valores humanistas e democratas.
Nos dias de hoje, e procurando manter a fidelidade ao projecto seareiro, a revista “Seara Nova” continua a publicar-se com regularidade, assegurando em cada edição uma ampla participação de cidadãos e cidadãs representantes do pensamento democrático e dos mais variados sectores de actividade social, política, cultural e económica da sociedade portuguesa.
Está agora em distribuição o número de Verão da "Seara Nova" (nº 1704), cujo dossier específico aborda questões sociais.

 

Deolinda Machado, licenciada em ciências religiosas e mestre em ciências da educação, membro da Comissão Executiva da CGTP-IN, analisa esta temática numa visão global, depois detalhada à situação portuguesa e à sua situação extrema, que é a pobreza.
Herberto Goulart, economista, da redacção da Seara Nova, exemplifica estas desigualdades através de alguns indicadores estatísticos, demonstrativos do agravamento provocado em Portugal nos últimos três anos.
João Rodrigues e Nuno Teles, economistas e professores no ISCTE, co-autores do blogue “ladrões de bicicletas”, desenvolvem uma análise mais ampla sobre “globalização, desigualdade e Estado social”, expressão que no título do artigo é significativamente precedida do inciso “tudo começa pelo trabalho”. São os próprios autores que enunciam o sentido do estudo realizado: “iremos concentrar os nossos esforços em três escalas fundamentais: os processos globais, que dizem respeito à expansão e integração capitalistas, a construção europeia como “cavalo de Tróia” do neo-liberalismo e a tradução destes processos no percurso original de um país capitalista semi-periférico como Portugal”.
Carlos Silva Santos, médico, professor da Escola Superior de Saúde Pública, aborda o funcionamento do nosso Serviço Nacional de Saúde e define algumas das linhas políticas necessárias à melhoria da sua eficiência.
Manuel Veiga, jurista, da Redacção da Seara Nova, aprecia os passos da crescente afirmação dos direitos fundamentais do homem, na sua consagração internacional, a partir da Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948 e dos seus sucessivos desenvolvimentos suportados pelo Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais, que consagra a segunda geração de direitos, suporte material e moral na luta contra as desigualdades sociais.
José Alberto Pitacas, economista, também da Redacção da Revista, assegura a presença neste número do Terceiro Sector ou Economia Social, presença esta que tem sido uma constante e caso único em publicações periódicas editadas fora do sector. Pitacas escolhe o mutualismo e a sua função social através dos tempos, para demonstrar que este Terceiro Sector vem ganhando uma expressão tal que torna discutível a teoria económica que só considera a existência dos sectores público e privado.
O dossier internacional abre com um artigo do jornalista José Goulão intitulado “Médio Oriente: o roteiro para o caos”; Larry Holmes, jornalista norte americano, dirigente do Workers World Party, desvenda-nos aspectos da campanha de Barack Obama; contém ainda um artigo de Ulpiano Nascimento; um outro sobre os 60 anos da morte do Professor Bento Jesus Caraça; outro sobre Saramago; idem sobre cinema; outro sobre a Memória, a Obra e o Pensamento de Maria Lamas, do MDM; e ainda um poema de Mel de Carvalho.
Consulte o sumário em www.webboom.pt/ficha.asp?ID=163393
publicado por Sobreda às 02:28
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Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Perguntas à Língua Portuguesa

O presidente da Assembleia da República destacou ontem, durante a sessão solene da Câmara dos Deputados em homenagem aos 200 anos da instalação da Corte Portuguesa no Brasil, que o Acordo Ortográfico está na agenda do Parlamento português 1.

Sobre este tema, um conhecido escritor lusófono ensaiou interrogar a própria Língua Portuguesa.

 
"Venho brincar aqui no Português, a língua. Não aquela que outros embandeiram. Mas a língua nossa, essa que dá gosto a gente namorar e que nos faz a nós, moçambicanos, ficarmos mais Moçambique. Que outros pretendam cavalgar o assunto para fins de cadeira e poleiro pouco me acarreta.
A língua que eu quero é essa que perde função e se torna carícia. O que me apronta é o simples gosto da palavra, o mesmo que a asa sente aquando o voo. Meu desejo é desalisar a linguagem, colocando nela as quantas dimensões da Vida. E quantas são? Se a Vida tem é idimensões?
Assim, embarco nesse gozo de ver como escrita e o mundo mutuamente se desobedecem. Meu anjo-da-guarda, felizmente, nunca me guardou.
Uns nos acalentam: que nós estamos a sustentar maiores territórios da lusofonia. Nós estamos simplesmente ocupados a sermos. Outros nos acusam: nós estamos a desgastar a língua. Nos falta domínio, carecemos de técnica. Ora qual é a nossa elegância? Nenhuma, excepto a de irmos ajeitando o pé a um novo chão. Ou estaremos convidando o chão ao molde do pé? Questões que dariam para muita conferência, papelosas comunicações. Mas nós, aqui na mais meridional esquina do Sul, estamos exercendo é a ciência de sobreviver. Nós estamos deitando molho sobre pouca farinha a ver se o milagre dos pães se repete na periferia do mundo, neste sulbúrbio.
No enquanto, defendemos o direito de não saber, o gosto de saborear ignorâncias. Entretanto, vamos criando uma língua apta para o futuro, veloz como a palmeira, que dança todas as brisas sem deslocar seu chão. Língua artesanal, plástica, fugidia a gramáticas.
Esta obra de reinvenção não é operação exclusiva dos escritores e linguistas. Recriamos a língua na medida em que somos capazes de produzir um pensamento novo, um pensamento nosso. O idioma, afinal, o que é senão o ovo das galinhas de ouro?
Estamos, sim, amando o indomesticável, aderindo ao invisível, procurando os outros tempos deste tempo. Precisamos, sim, de senso incomum. Pois, das leis da língua, alguém sabe as certezas delas?
Ponho as minhas irreticências. Veja-se, num sumário exemplo, perguntas que se podem colocar à língua:
• Se pode dizer de um careca que tenha couro cabeludo?
• No caso de alguém dormir com homem de raça branca é então que se aplica a expressão: passar a noite em branco?
• A diferença entre um ás no volante ou um asno volante é apenas de ordem fonética?
• O mato desconhecido é que é o anonimato?
• O pequeno viaduto é um abreviaduto?
• Como é que o mecânico faz amor? Mecanicamente.
• Quem vive numa encruzilhada é um encruzilhéu?
• Se diz do brado de bicho que não dispõe de vértebras: o invertebrado?
• Tristeza do boi vem de ele não se lembrar que bicho foi na última reencarnação. Pois se ele, em anterior vida, beneficiou de chifre o que está ocorrendo não é uma reencornação?
• O elefante que nunca viu mar, sempre vivendo no rio: devia ter marfim ou riofim?
• Onde se esgotou a água se deve dizer: "aquabou"?
• Não tendo sucedido em Maio mas em Março o que ele teve foi um desmaio ou um desmarço?
• Quando a paisagem é de admirar constrói-se um admiradouro?
• Mulher desdentada pode usar fio dental?
• A cascavel a quem saiu a casca fica só uma vel?
• As reservas de dinheiro são sempre finas. Será daí que vem o nome: "finanças"?
• Um tufão pequeno: um tufinho?
• O cavalo duplamente linchado é aquele que relincha?
• Em águas doces alguém se pode salpicar?
• Adulto pratica adultério. E um menor: será que pratica minoritério?
• Um viciado no jogo de bilhar pode contrair bilharziose?
• Um gordo, tipo barril, é um barrilgudo?
• Borboleta que insiste em ser ninfa: é ela a tal ninfomaníaca?
Brincadeiras, brincriações. E é coisa que não se termina. Lembro a camponesa da Zambézia. Eu falo português corta-mato, dizia. Sim, isso que ela fazia é, afinal, trabalho de todos nós. Colocámos essoutro português - o nosso português - na travessia dos matos, fizemos com que ele se descalçasse pelos atalhos da savana.
Nesse caminho lhe fomos somando colorações. Devolvemos cores que dela haviam sido desbotadas - o racionalismo trabalha que nem lixívia. Urge ainda adicionar-lhe músicas e enfeites, somar-lhe o volume da superstição e a graça da dança. É urgente recuperar brilhos antigos. Devolver a estrela ao planeta dormente" 2.
 
1. Ver http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=93181
2. Ver “Acordo Ortográfico?... Deixem a língua fluir!” por Mia Couto
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Sábado, 6 de Outubro de 2007

Óscar Lopes, o resistente

Óscar Lopes fez, na passada 3ª fª, 90 anos. Historiador da Literatura Portuguesa, escritor, ensaísta, professor, etc, foi ainda um opositor do regime fascista e continua a ser um comunista coerente e convicto 1, que tem partilhado a vida entre a história da literatura, a linguística, as grandes questões sociais e o fraterno sentido de estar com os outros.

O fascismo português impediu o co-autor da mais importante História da Literatura Portuguesa de leccionar na universidade. Mas não teve força nem engenho, contudo, para lhe tolher a intervenção cívica e política, que alguns consideravam prejudicial ao trabalho de linguista e investigador. Óscar Lopes sempre contestou essa ideia: a actividade política e cívica, sublinha, é tão importante com o resto do trabalho.

No longo caminho do leitor emocionado e oposicionista à ditadura há, fácil de adivinhar, a passagem pela prisão por motivos políticos. E até aí, ‘na enxovia’ - na prisão da PIDE, na Rua do Heroísmo, Porto - mal iluminada continuava o fascínio de ler” 2.

Como escreve Baptista-Bastos, “a dimensão deste homem corresponde ao entusiasmo com o qual consagrou a vida a unir sem apertar demasiado” (...), lamentando o esquecimento a que tem sido “Não se constrói um Estado moderno sem relações culturais abertas. A liberdade de identidade implica a existência de uma cultura política de que, notoriamente, este Executivo não é detentor, assim como o não é de uma política cultural. O caso Óscar Lopes é outro dos muitos exemplos. Perseguido, encarcerado, no salazarismo; ignorado, hostilizado, menosprezado na democracia” 3.

 

1. Ver http://obloguedocastelo.blogs.sapo.pt/350517.html

2. Ver http://dn.sapo.pt/2007/10/01/artes/homem_palavra_leitor_emocionado.html

3. Ver http://dn.sapo.pt/2007/09/19/opiniao/a_liberdade_compromisso.html

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publicado por Sobreda às 00:14
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Segunda-feira, 9 de Julho de 2007

Uma Fundação, segundo Saramago

O Nobel da Literatura de 1998 José Saramago criou uma Fundação com o seu nome que irá preservar e estudar a obra literária e ainda tomar partido “em pequenas coisas”.

A notícia foi avançada pelo ‘Jornal de Letras’ que publicou em exclusivo a ‘Declaração de Princípios’ da nova Fundação, criada a 29 de Junho, na qual Saramago expressa os seus desejos pessoais para a instituição, que se pautará pela defesa dos direitos humanos e a preservação do ambiente.

“Não peço muito, peço-vos tudo” apela o Nobel português. No documento o autor determina que a Fundação deve assumir nas suas actividades, como norma de conduta, “tanto na letra como no espírito”, a Declaração Universal dos Direitos do Homem e que mereçam particular atenção os problemas do meio ambiente e do aquecimento global do planeta.

A sede da Fundação será partilhada por Lisboa e Lanzarote, onde o escritor vive. Terá uma delegação na Azinhaga do Ribatejo, aldeia natal do autor situada entre o Pombalinho e a Golegã, e uma outra em Castril, perto de Granada. Aqui o público poderá encontrar as obras do Nobel da Literatura, escritas em várias línguas, discursos, entrevistas, teses sobre a sua obra e os diplomas das mais de quatro dezenas de doutoramentos honoris causa que lhe foram concedidos.

 

Meia Hora, 2007-07-05, p. 14

publicado por Sobreda às 01:13
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