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CDU LUMIAR

Blogue conjunto do PCP e do PEV Lumiar. Participar é obrigatório! Vê também o sítio www.cdulumiar.no.sapo.pt

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José Afonso faria ontem 80 anos

Sobreda, 03.08.09

Duas décadas depois da sua morte é um ‘património cultural nacional’ um pouco esquecido?

 
“Terra da fraternidade
Grândola vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena”
 
José Afonso, uma das mais importantes figuras da música portuguesa, faria 80 anos ontem, domingo, mas morreu em 1987, em Setúbal, cidade derradeira de um percurso que tinha começado em 1929, em Aveiro, onde nasceu.

 

 

Com a música e o ensino, José Afonso traçou um mapa geográfico pessoal, de Faro a Coimbra, de Belmonte a Setúbal, com ponto de partida em Aveiro e passagem marcante por África.
Durante a década de 30, fez os primeiros estudos em África, um continente que lhe marcou o rumo dos passos anos depois, quando, em meados de 1960, deu aulas em Moçambique. Em 1940, com 11 anos, rumou a Coimbra, cidade epicentro da adolescência e palco das serenatas, no Orfeão e na Tuna Académica.
Ainda a concluir o curso na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, dedica-se à docência, a partir de finais dos anos 50, quase com 30 anos, num percurso nómada em escolas de norte a sul. Aos alunos ensinava História e Geografia, mas sobretudo vivência para que fossem pessoas e tivessem espírito crítico.
Já aí repartia o tempo com a composição, com a edição dos primeiros discos de fados e baladas de Coimbra e digressões com a Tuna Académica.
Teve uma passagem breve por Moçambique entre 1964 e 1967, onde deu aulas e fez, como admitiu, o seu baptismo político quando se vivia já a guerra colonial.
Esgotado com o cenário de conflito, voltou a Portugal em 1967. Tinha três filhos e foi colocado como professor em Setúbal.
É em finais dos anos 60, em pleno marcelismo, que José Afonso intensifica o trabalho na música e o activismo político. Depois de ter sido expulso do ensino oficial, desdobra-se em gravações e em concertos, muitos deles proibidos pela PIDE.
Entre 1971 e 1974, assiste ao estertor do Estado Novo e à Revolução de Abril. Lança discos como "Cantigas do Maio", "Venham mais cinco" e "Coro dos tribunais", que o fazem trovador entre os cantores portugueses.
‘Grândola Vila Morena’, a senha do Movimento das Forças Armadas para a Revolução do 25 de Abril de 1974, inspirou-se numa breve passagem do cantor por aquela localidade alentejana.
Em 1983, com 54 anos e um longo percurso na música de intervenção e de inspiração tradicional e popular, José Afonso é reintegrado no ensino oficial e destacado para Azeitão, em Setúbal. Um ano antes, tinha-lhe sido diagnosticada esclerose lateral amiotrófica, fatal em 1987. Morreu a 23 de Fevereiro, em Setúbal.
 
“Minha mãe quando eu morrer
Ai chore por quem muito amargou
Para então dizer ao mundo
Ai Deus mo deu Ai Deus mo levou” – IN ‘Cantigas do Maio’
 

It was 40 years ago today…

Sobreda, 22.11.08

Chamava-se simplesmente 'The Beatles', mas acabou universalmente conhecido como o 'White Album' (o 'álbum branco'), o disco duplo que marcou o princípio do fim dos The Beatles foi editado a 22 de Novembro de 1968: “It was 40 years ago today…”.

O princípio do fim dos The Beatles começara em meados de 1968, depois de chegados de uma temporada na Índia (em meditação com o Maharishi Mahesh), reúnem-se em casa de George Harrison para trabalhar. Gravam 23 maquetes e definem o caminho para o que seria um novo disco.

 

Acabaria por se chamar simplesmente ‘The Beatles’, seria um álbum duplo, e um dos mais importantes da sua obra. Como reacção ao excesso de informação de Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band (de 1967) 1, optaram por uma simples capa branca, aí nascendo o nome White Album (Álbum Branco) pelo qual ficou conhecido.
O disco revelava uns Beatles mais versáteis que nunca, num alinhamento de grandes canções (como Back in the USSR, Savoy Truffle ou Dear Prudence) que ia das mais discretas baladas ao mais intenso hard rock. Não faltavam motivos para aclamar, novamente, uma banda que escrevia a história..., para nela ficar como a melhor e mais criativa banda pop/rock de sempre. Inclusive, até hoje.
Foi o primeiro disco gravado depois da criação da Apple Corps, e era um álbum feito por músicos que agora também eram empresários, um álbum fruto do seu tempo, de 1968, o ano em que o rock acordou depois do sonho psicadélico 2.
Disco duplo, construído entre lutas de egos e manipulações instrumentais e técnicas em estúdio, The White Album, como ficou conhecido, tem sido não só inspiração para criação própria de novas gerações de músicos e compositores mas também para sucessivas homenagens e revisões (pela sua personalidade distinta, ecléctica e mística) 3.
 
Em homenagem, aqui fica a sequência dos temas:
 
Lado 1: Back In The U.S.S.R. / Dear Prudence / Glass Onion / Ob-La-Di, Ob-La-Da / Wild Honey Pie / The Continuing Story Of Bungalow Bill / While My Guitar Gently Weeps / Happiness Is A Warm Gun / Martha My Dear / I'm So Tired / Blackbird / Piggies / Rocky Raccoon / Don't Pass Me By / Why Don't We Do It In The Road? / I Will / Julia /
 
Lado 2: Birthday / Yer Blues / Mother Nature's Son / Everybody's Got Something To Hide Except Me And My Monkey / Sexy Sadie / Helter Skelter / Long, Long, Long / Revolution 1 / Honey Pie / Savoy Truffle / Cry Baby Cry / Revolution 9 / Good Night /
The Beatles forever 4.
 

Ministério vai assinar contratos de patrocínio com 78 escolas de Música

Sobreda, 01.10.08

O Ministério da Educação (ME) vai assinar 78 contratos de patrocínio com escolas de música, academias e conservatórios de todo o país, depois de terem sido aprovadas as respectivas candidaturas a financiamento. Em comunicado, a tutela indica que foram aprovadas 22 candidaturas na Direcção Regional de Educação de Lisboa, 27 no Norte, sete no Algarve, quatro no Alentejo e 18 no Centro, num total de 78.

Em Junho de 2008, o Ministério da Educação definiu as novas regras do apoio financeiro a conceder aos estabelecimentos de ensino especializado da Música da rede do ensino particular ou cooperativo, com base no critério do custo anual por aluno. De acordo com dados da tutela, existiam no último ano lectivo 17.960 alunos no ensino especializado da Música, que se repartiam por 84 escolas do ensino particular e cooperativo (13.600), 6 conservatórios públicos (3.590) e 5 escolas profissionais, que registavam 770 estudantes.
Uma das metas do Governo para este ano lectivo é o aumento das inscrições nos cursos de iniciação musical entre 50 e 100% e nos regimes articulado e integrado em 30%, o que elevará o total de alunos de 18 mil para mais de 25 mil.
Segundo o Governo, “o alargamento do ensino especializado da Música deve passar pelo aumento dos cursos de iniciação, com recurso a novos modelos de organização, designadamente através de protocolos e parcerias com escolas básicas, e por uma oferta predominante de ensino articulado, sobretudo nas escolas públicas”.
O financiamento público destes estabelecimentos de ensino no último ano lectivo foi de 35 milhões de euros, repartidos da seguinte forma: 13 milhões para os seis conservatórios públicos, 14 milhões para as 84 escolas do ensino particular e cooperativo e 8 milhões para as cinco escolas profissionais.
Este ano lectivo aquele valor aumenta para 50 milhões de euros. A este financiamento vão ser acrescentadas as verbas destinadas à construção dos conservatórios do Porto e de Coimbra.
 

Ver Lusa doc. nº 8835045, 30/09/2008 - 15:52

Vozes de Abril no Coliseu

Sobreda, 23.03.08
Dezenas de músicos vão encontrar-se no Coliseu de Lisboa no próximo dia 4, numa gala de ‘Homenagem às Vozes de Abril’, organizada pela Associação 25 de Abril (A25A). “As ‘Vozes de Abril’ são cantores, músicos, poetas, escritores, actores, artistas plásticos, cujas obras expressaram os valores da liberdade e da democracia”, afirma a A25A.

Além de Zeca Afonso e de Adriano Correia de Oliveira, dois músicos entretanto falecidos, serão homenageados “todos os que deram o seu contributo artístico e ajudaram a criar condições para que a liberdade fosse conquistada”.
Entre os cantores e grupos que já confirmaram a sua participação na iniciativa figuram José Mário Branco, Luís Cília, Vitorino, Waldemar Bastos, a Brigada Victor Jara, Carlos Alberto Moniz, Carlos Mendes, Ermelinda Duarte, João Afonso, Fernando Tordo, Paulo Carvalho, Janita, Tino Flores, José Jorge Letria e Manuel Freire.
Trata-se de uma espectáculo de cerca de duas horas, que contará também com a actuação das bandas dos três ramos das forças armadas, e será transmitido pela RTP, ‘em horário nobre’, no dia 25 de Abril 1.
A A25A, fundada em Outubro de 1982, tem 5.700 sócios efectivos, entre os quais a grande maioria dos militares de Abril. Presidida pelo tenente-coronel Vasco Lourenço, a A25A assume-se como uma instituição “cultural e cívica” empenhada na “consagração e divulgação do espírito do 25 de Abril de 1974” e na “pedagogia e defesa dos valores democráticos” 2.
 

Absurdo em Dó maior

Sobreda, 12.02.08
O maestro Victorino d'Almeida considerou “um absurdo” a intenção do Ministério da Educação (ME) de pôr termo ao ensino musical de 1º ciclo (cursos de iniciação) nos Conservatórios de música, transferindo-o de forma generalizada para a rede de escolas públicas tradicionais.
“Acabar com a educação de base dada por profissionais e transferi-la para as escolas normais é tão absurdo que me falham as palavras”, reafirmou o maestro, que é um dos mais de 15.000 subscritores de uma petição “contra o fim do ensino especializado da música em Portugal”, que está a circular na Internet 1.
“É evidente que faz falta mais educação musical no 1º ciclo. Mas isso nada tem a ver com as crianças que manifestam desde pequenas um talento especial para a música”, avisou. “Para elas, a formação musical tem de ser logo profissional. É por isso que estão nos conservatórios. Não é nas escolas normais que aprendem”.
Victorino d'Almeida revelou ter sido convidado pela Ministra da Educação para uma reunião sobre o tema, e prometeu dar-lhe conta do “equívoco” que considera estar prestes a ser cometido. “Creio que a senhora ministra deslumbrou-se com a ideia de que esse ensino da música, que estava ao alcance de alguns milhares, deve ser para milhões. Mas ninguém quer milhões de músicos, nem eles existem”. “Aliás, o problema do País não é encontrar talentos, mas arranjar-lhes trabalho” 2.
Porém, como a tutela e o Grupo de Trabalho da Reforma do Ensino Artístico tencionam recorrer aos serviços de uma centena de escolas privadas para assegurar no futuro “aulas de música” às crianças, que não haja qualquer equívoco sobre a intenção governamental de privatização do ensino artístico.

Por estas razões, na Escola de Música do Conservatório Nacional (EMCN) houve ontem um original coro de protesto: concertos seguidos de um cordão humano em torno do edifício. O mote era a reunião que a direcção da escola iria ter com o grupo de trabalho do ME que está a reformar o ensino especializado da música. Objectivo: chamar a atenção para aquilo que a escola considera um atentado ao ensino ali ministrado 3. Mas o grupo de trabalho acabaria por faltar ao encontro.

Na escola do Bairro Alto, os alunos das classes de iniciação acabariam por oferecer um pequeno concerto para um Salão Nobre apinhado. “Este concerto é a prova de que as iniciações são o garante do conservatório”, declarou um dos membros da Associação de Pais da EMCN, que garantiu ser “essencial manter os três moldes de ensino, para os pais terem liberdade de escolha”.
Também o professor de formação musical Tiago F., considerou que o concerto espelhava a própria escola, que “começou muito pequena, há 170 anos, mas hoje está a funcionar bem e está finalmente a democratizar-se”. O problema é que o ME está a “confundir duas coisas completamente diferentes”: um ensino de excelência, garantido pelos conservatórios, e os conhecimentos musicais básicos, que devem ser garantidas pelas escolas gerais, “de forma complementar” 4.
Os manifestantes garantem que a reforma ditará o fim do Conservatório nos moldes actuais e fará com que 75% dos alunos deixem a escola de música, muitos dos quais poderão ter de abandonar a formação musical de qualidade se não optarem por escolas privadas. Findo o concerto, centenas de alunos e professores cantaram em uníssono os versos de ‘Acordai!’, poema de José Gomes Ferreira musicado por Fernando Lopes-Graça.
O momento simbólico da manifestação - com “um significado muito importante” (e que a polícia ainda tentou impedir) - uniu depois os manifestantes de mãos dadas em torno de todo aquele quarteirão no Bairro Alto. Professores e alunos reuniram-se depois em assembleias separadas para discutir as próximas acções, pois, afirmam, “estamos a defender esta casa - não só os muros, mas tudo o que representa”.
Prometem agora continuar a luta através de concentrações diárias junto ao ME, e de uma manifestação nacional na próxima 6ª fª à tarde, que reunirá membros de escolas públicas de música de todo o país, junto à Assembleia da República para um “concerto mudo” 5.
 
3. Ver Público 2008-02-10

Cursos de iniciação musical devem continuar

Sobreda, 08.02.08
De acordo com dados do Ministério da Educação, apenas 17 mil alunos num universo de 1,5 milhões têm acesso ao Ensino Artístico Especializado, pelo que a reforma deste sector poderia passar pela reorganização da oferta de cursos e sua dispersão por uma rede de escolas mais alargada.
Segundo a tutela, a reforma teria como “objectivo fundamental aumentar o número de alunos a frequentar o Ensino Artístico Especializado”, objectivo que passaria por uma melhor organização da oferta destes cursos e sua disseminação “por uma rede mais alargada de escolas ao nível do ensino básico e secundário”.
Em total desacordo estão pais, alunos e professores. A Associação de Pais da Escola de Música do Conservatório Nacional (APEMCN) vai mesmo pedir ao Ministério da Educação (ME) que mantenha o regime supletivo e que os cursos de iniciação possam continuar a ser leccionados neste tipo de instituições.
A APEMCN esteve 4ª fª à noite reunida para analisar a reforma do Governo sobre o ensino artístico especializado e decidiu que vai entregar ao ME “uma contra-proposta” com os pontos que defende, disse um porta-voz da Comissão.
No âmbito da reforma do ensino artístico especializado, a partir do próximo ano lectivo as escolas públicas de música estão impedidas de dar aulas ao 1º ciclo e terão de funcionar em regime integrado, ou seja, ministrarem formação geral (como em qualquer escola) e especializada (artística).
Para a Comissão, as aulas no 1º ciclo “são essenciais” no ensino artístico, tendo em conta que “preparam os alunos a entrarem nos conservatórios”. “Se não houver cursos de iniciação, os pais das crianças são obrigados a pagar escolas particulares para que os filhos aprendam música”, disse, considerando que poderá tornar-se “um ensino elitista”.
Outra das propostas que a associação de pais vai apresentar ao ME está relacionada - segundo o mesmo responsável - com o ensino supletivo, sistema que permite aos alunos frequentar as disciplinas musicais no Conservatório e as do ensino geral numa escola à sua escolha. “O ensino supletivo deve continuar, pois permite maior mobilidade dos alunos”, salientou 1.
Estas propostas vão ser levadas esta 6ª fª à reunião que a APEMCN vai manter com a Direcção Regional de Educação de Lisboa. Entretanto, a petição “Contra o Fim do Ensino Especializado da Música em Portugal”, dirigida ao Ministério da Educação e que tem estado a circular na Internet, reuniu já 11.000 assinaturas 2.
 
1. Ver Lusa doc. nº 7975078, 06/02/2008 - 23:41

MovArte - Movimento pela Música

Sobreda, 06.02.08
O MovArte apresenta e subscreve uma petição lançada pelos professores da EMCN - Escola de Música do Conservatório Nacional -, e apela a todos que se juntem neste momento crítico a uma mobilização nacional pela defesa do Ensino Artístico.
O “movimentopelamusica”, formado por um grupo de Professores da EMCN, tem como objectivo informar a população em geral sobre as implicações que a reforma prevista pelo Ministério da Educação terá no ensino especializado da música.

Sob a bandeira falaciosa de uma democratização do ensino musical, o Ministério da Educação prepara-se para extinguir o ensino especializado da música no país. As crianças entre os 6 e os 9 anos, assim como os alunos de idades mais avançadas serão excluídos do sistema. Como exemplo: dos cerca de 900 alunos da EMCN, 75% não poderá prosseguir os seus estudos. As famílias, e só as que tiverem maiores possibilidades financeiras, serão então obrigadas a pagar por um ensino de qualidade em escolas privadas.
A cultura musical ficará empobrecida, mais cara e mais elitista!
Somos pela abertura de uma sensibilização à música dirigida a todas as crianças desde a pré-primária e, se possível, nas escolas do ensino genérico. Mas estas medidas não podem ser tomadas à custa da extinção do ensino especializado, onde até agora crianças a partir dos seis anos de idade podiam aprender a tocar um instrumento.
O ensino especializado da Música tem um valor formativo único e é igualmente uma importante fonte geradora de emprego - a indústria da música e do espectáculo gera aproximadamente 100.000.000.000€ por ano (não tendo em conta as verbas de espectáculos musicais), quantia que cobre 7 vezes a despesa do Ministério da Educação com o ensino especializado da música.
Em consonância com outros movimentos (MovArte, “salvemoconservatorionacional”) somos pela defesa de um ensino de qualidade e as nossas posições encontram-se reflectidas no Manifesto aprovado em Assembleia-Geral de Escola 1.
 
Se partilhar destas inquietações, junte-se a este movimento e assine a petição on-line, que no início da madrugada de hoje recolhe já mais de 7.000 assinaturas, e que encontrará no URL www.petitiononline.com/CFEEMP/petition.html