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Domingo, 26 de Outubro de 2008

Chuva de críticas ao Roadshow (e à omissão de fontes jornalísticas)

O Roadshow da Fórmula 1 aterrou ontem com estrondo no coração de Lisboa, passeando-se aceleradamente entre o Marquês de Pombal e os Restauradores. A capital está perante uma venda do espaço público autorizada pelo actual executivo camarário, com o trânsito nas imediações cortado desde as 4h e até às 23h.

Mas o primeiro dia do evento promocional ‘Roadshow’ caiu mal no centro da cidade, onde as críticas surgiram dos mais variados quadrantes, do comércio à própria Câmara. Porém, a comunicação social ostensivamente omite [vá-se lá saber porquê], pelo que outros blogues não podem transcrever, que uma das primeiras análises ao evento veio precisamente dos vereadores da CDU na CML.

 

Refere a imprensa o corte de vias e que o barulho nem consegue abafar as críticas que lhe são dirigidas, principalmente de moradores e comerciantes, que, dizendo-se com o negócio estragado, atiram críticas à CML. Umas empresas optaram por fechar as portas às 14h, já que o trânsito nas laterais da Avenida só estava aberto para quem necessitasse de retirar os carros da zona. Outras lojas também se queixaram de quebras de negócio na ordem dos 50%, pois “estas iniciativas prejudicam muito a facturação das lojas que vivem momentos difíceis devido à crise”.
A situação não deixou indiferente a própria vereação camarária, com o vereador dos espaços verdes fazendo notar que não nutria simpatia pelo evento e as vereadoras da lista Cidadãos por Lisboa a lamentarem a decisão do vice-presidente da CML que autorizou a utilização da Avenida para um evento promocional de uma marca automóvel, com o inevitável agravamento das condições de poluição sonora e atmosférica do local 1.
Os próprios espectadores foram-se conformando com meras “animações tácticas e adaptação ao piso”, desabafando que “não estava à espera disto. Vocês [comunicação social] não diziam que isto era Fórmula 1?” 2.
Mas sobre a posição dos eleitos da CDU - vergonhosamente - nem uma linha. Por isso aqui se transcreve parte da ‘Nota à comunicação social’ da passada 3ª fª, dia 21 de Outubro.
“Continuando uma prática do mandato de António Costa, a coligação que gere a CML entregou a Avenida da Liberdade a uma marca de automóveis. No próximo fim-de-semana, os cidadãos de Lisboa não poderão circular no troço principal da estrutura viária da Cidade. A Avenida é transformada numa montra da Renault.
Não se conhece qualquer estudo de tráfego nem foi dada nenhuma informação à população da Avenida e zonas circundantes sobre implicações e alternativas. Não estão asseguradas as ligações dos moradores, os quais serão obrigados a dar voltas enormes para fazerem pequenas deslocações. Os comerciantes das lojas da Avenida protestam e com razão.
A confirmar-se o ajuntamento de muita gente na zona, como vão ficar as zonas ajardinadas da Avenida – e quem pagará os custos certamente elevados?
Este modelo de gestão da Cidade é errado. E não é a primeira vez: pelo contrário. Esta decisão vem na sequência dos casos anteriores da Praça das Flores, do Jardim da Estrela, do parque da Bela Vista – e, noutra dimensão mas igualmente grave, o que aconteceu com as iluminações de Natal.
A regra passa a ser simples: quem tiver dinheiro, paga e serve-se da Cidade como a sua montra privativa. Sem respeito por quem vive e trabalha na Cidade de Lisboa”.
Nota: Para que conste e para que agora, quem o desejar, possa citar ou transcrever o comunicado.
 
1. Ver http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain%2Easp%3Fdt%3D20081026%26page%3D21%26c%3DA
2. Ver http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Lisboa&Concelho=Lisboa&Option=Interior&content_id=1034129
publicado por Sobreda às 12:03
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Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

Roadshow rasga coração de Lisboa

No próximo fim-de-semana de 25 e 26 de Outubro, uma empresa automobilística, em parceria com a CML, irá organizar, na Avenida da Liberdade, um evento denominado de ‘Roadshow’.

Ou seja, a CML autorizou a realização de uma prova automobilística no centro de Lisboa. Diz a publicidade que não serão só os monolugares das equipas da Fórmula 1 estrangeiras a marcar presença, visto a prestação de vários pilotos lusos também fazer parte do programa 1.

 

 

Segundo o Director de Comunicação e Imagem, este evento consiste num conjunto de animações (?) nas ruas da cidade de Lisboa, para um público vasto e diversificado que abrangerá todas as idades e que culminará na apresentação e demonstração de um Fórmula 1. Tratando-se um evento gratuito e de livre acesso, e também pelo carácter inédito do mesmo, é convicção da organização que comparecerão na Avenida da Liberdade dezenas de milhar de pessoas de todo o país.
Claro que devido à sua natureza, o ‘Roadshow’ terá impactos viários e ambientais, nomeadamente nos dias 25 e 26, no trânsito e no estacionamento nas zonas circundantes à Avenida da Liberdade, Marquês de Pombal e Restauradores, apesar do plano desenvolvido pela Divisão de Trânsito da PSP para assegurar que todos os serviços indispensáveis (cargas e descargas, acessos de passageiros aos hotéis, etc.) possam ser executados dentro da normalidade 2.
Mas…, uma ruidosa prova automobilística no coração da cidade, em plena Avenida da Liberdade?! Não existem locais próprios, como os autódromos, para a realização destas provas? Agora o espaço público da capital está à venda por qualquer preço? Já não bastaram as polémicas no Jardim das Flores e no Jardim da Estrela? É ou não esta decisão contraditória com o recente programa de redução dos horários de ruído dos bares no Bairro Alto? Ou a poluição sonora e a qualidade de vida dos munícipes passaram a ser irrelevantes quando estão em causa as alucinantes velocidades da Fórmula 1?
 
1. Ver http://news.automotor.xl.pt/?s=13&n=20907&nivel=3
2. Ver www.renault.ptwww.renaultroadshow-lx.pt
publicado por Sobreda às 02:15
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Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008

O 2º pior ar da Europa

Os técnicos da Universidade Nova estão a avaliar desde 2001 o estado do ar em toda a zona de Lisboa e Vale do Tejo (até Setúbal) e concluíram que no centro da capital já se respira pior do que em grandes zonas fabris, como o Barreiro.

Num ano particularmente mau em termos ambientais, em 2005, o limite das partículas inaláveis existentes na atmosfera - produzidos pelos escapes dos carros, em especial os de gasóleo - foi ultrapassado em mais de 180 dias, quando o máximo permitido de transgressão seria de 35 dias por ano.
Só Roma já bate a capital portuguesa na degradação do ar, mas a Avenida da Liberdade nem sequer é a artéria mais poluída da capital.
Na Calçada de Carriche, por exemplo, o ar é pior: só escapou a este estudo por ali a medição só ter sido feita episodicamente e não todos os dias, como no centro da cidade 1.
Para saber mais sobre o estado da atmosfera, basta consultar o endereço na web da Associação Portuguesa do Ambiente 2, onde também pode ser encontrada a previsão para o dia seguinte.
 
1. Ver Visão 2008-08-14, p. 13

2. Ver www.qualar.org/?page=5

publicado por Sobreda às 00:29
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Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

CRIL não respeita critérios de segurança

O traçado do troço Buraca-Pontinha da CRIL não respeita um único critério técnico de segurança e a obra devia ser cancelada para que o projecto fosse refeito, conclui um relatório do Observatório de Segurança de Estradas e Cidades.
“O presente traçado do IC17 em construção não verifica um único critério técnico de segurança”, conclui o relatório ontem divulgado. Segundo os técnicos que elaboraram o documento, “impõe-se o cancelamento da execução da presente empreitada para que seja executado um projecto que garanta as condições obrigatórias de segurança para os utentes da estrada que se pretende construir”.
De acordo com o documento do OSEC, uma organização não-governamental, “na estrada em construção, a redução forçada de velocidade nas entradas (...) provocaria uma diferença de velocidades da ordem dos 50 a 65 quilómetros/hora, o que está associado a níveis inadmissíveis de sinistralidade”. O facto de as “violações graves” aos critérios de segurança se concentrarem nas zonas de curva “potencia níveis de risco proibido em que se colocam os utentes da estrada, sem que estes tenham noção do perigo”, lê-se no documento.
O OSEC considera que “para corrigir os defeitos do traçado” não basta afixar sinalização a limitar a velocidade de circulação naquela via, um acto que considera “nulo”, “sem valor jurídico” e que continua a ser susceptível de “responsabilização criminal por parte dos técnicos e políticos que promoveram a construção” desta via. Qualquer outra medida para reduzir a velocidade de circulação (colocação de radares ou semáforos com limite de velocidade, por exemplo), “irá sempre provocar uma grande redução de velocidade a montante e a jusante deste lanço do IC17 em construção”.
No documento, o Observatório defende o cancelamento da execução da presente empreitada para que seja elaborado “um projecto que garanta as condições obrigatórias de segurança para os utentes da estrada que se pretende construir”.
O troço final da Circular Regional Interior de Lisboa (CRIL), que deverá ficar concluído até final de 2009, ligará o nó da Buraca ao da Pontinha e este à rotunda de Benfica, numa extensão aproximada de 4,5 quilómetros. A adjudicação da obra fixou-se em cerca de 110 milhões de euros e tem sido contestada pelos moradores da zona 1.
Ontem, os moradores do Bairro de Santa Cruz de Benfica entregaram no Parlamento mais de 4.000 assinaturas recolhidas na petição “Por uma CRIL Segura que respeite o Ambiente e as Populações”, em que mostram total desacordo com o projecto adjudicado para o troço final da CRIL 2.
 
1. Ver http://jn.sapo.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Lisboa&Concelho=Lisboa&Option=Interior&content_id=968409
2. Ver www.cril-segura.com e www.cril-segura.com/peticao.html

 

publicado por Sobreda às 13:55
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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

Cheiros suspeitos

O Metropolitano de Lisboa encerrou ontem à tarde duas estações da Linha amarela - a da Cidade Universitária e a de Entrecampos - por ter sido detectado “um cheiro intenso a gás”. A empresa transportadora entendeu encerrar as duas estações, às 14h39, por “motivos de segurança”, após ter sido detectado cheiro a gás nos espaços de acesso ao metro e corredores adjacentes.
Os responsáveis daquele transporte público entenderam “accionar os mecanismos normais para situações deste género”. Enquanto as duas estações se mantiveram encerradas, as autoridades permaneceram até à noite nos locais a averiguar as causas e a origem do gás, que a Protecção Civil já garantiu não ser gás natural 1.
Como o forte odor se espalhava gradualmente, os Bombeiros Sapadores de Lisboa evacuaram vários locais de trabalho e habitações, tendo definido, pelas 15:30, um perímetro das averiguações desde o Campo Grande, Saldanha e Praça de Espanha até à Avenida João XXI.
Os edifícios junto às Avenidas das Forças Armadas e de 5 de Outubro foram entretanto evacuados, mesmo depois de a normalidade ter sido reposta nos edifícios do ISCTE e nalguns departamentos da Faculdade de Farmácia, que tinham sido evacuados pela hora de almoço. As estações de Metro de Entrecampos e Cidade Universitária foram também encerradas, mas por decisão da própria empresa.
Também os hospitais e o Aeroporto de Lisboa foram contactados, para confirmar que nada havia sido despejado nos esgotos que pudesse provocar o cheiro semelhante a gás. A Protecção Civil garantiu já que a origem está no exterior e não no interior dos edifícios 2.
Até à noite passada, os Bombeiros não haviam ainda conseguido apurar a origem do cheiro a gás, tudo indicando “que terá sido uma substância (química) lançada nos esgotos”. Os resultados das análises às amostras recolhidas pelos técnicos do Ministério do Ambiente só serão conhecidos durante o dia de hoje 3.
 
1. Ler http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/95cb2dd59c22c099810aea.html
2. Ler http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/947aa438b1fafe913491c0.html e http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=75837
3. Ver www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=273934&idselect=10&idCanal=10&p=200
publicado por Sobreda às 03:42
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Terça-feira, 1 de Janeiro de 2008

Cigarro fica à porta

A nova lei do tabaco - que estabelece a proibição de fumar em locais como estabelecimentos hoteleiros, de restauração e cafetaria, discotecas, serviços públicos, unidades de saúde, equipamentos sociais, museus, recintos de espectáculos, áreas fechadas de espaços desportivos, aeroportos, áreas de serviço e meios de transporte - entra hoje em vigor.
No caso dos estabelecimentos de restauração e cafetaria, a Lei n.º 37/2007, de 14 de Agosto prevê a possibilidade de criação de locais próprios para fumadores, desde que a sua área seja superior a 100 m2 e que esses locais não ocupem mais de 30% da área total, sejam separados fisicamente e tenham extracção de ar própria 1.
Tal como a lei do cinto de segurança, também a que proíbe o fumo em espaços fechados diz respeito à saúde pública. Coarcta uma decisão individual - a de usar ou não este mecanismo de segurança, a de fumar ou não - em função de um interesse social. E, no caso do tabaco, em função de outra decisão individual, a de não fumar, nem através do fumo dos outros.
Segundo dados europeus, o fumo passivo mata 79 mil pessoas por ano. São estes números que levam a Comissão Europeia a fazer sucessivos alertas no sentido de apressar as leis restritivas em relação ao fumo. Portugal nem é dos primeiros a aplicá-las. Já foi ultrapassado por Malta, Suécia, Estónia, Finlândia, Bélgica, Lituânia, Espanha, Chipre, Eslovénia e Itália, onde a proibição fez descer 23% as vendas de tabaco só nos primeiros dez dias da aplicação 2. Também hoje em França entra em vigor uma lei similar.

 

 

Em 2005, perto de 16.500 pessoas tiveram diagnóstico de cancro na sequência de hábitos tabágicos. O cancro do pulmão é o mais relacionado com o tabaco, mas o relatório da American Cancer Society recorda que há pelo menos quinze tipos de cancro que, pelo menos parcialmente, estão ligados ao vício. Estima-se que, só em 2005, tenham sido “diagnosticados 35.507 novos casos da doença, 16.500 devido ao tabaco”, diz o coordenador de um estudo nacional. O cancro do pulmão, que concentrou 22,4% das mortes por cancro em homens no mundo (em 2007), tem um peso também elevado no País. Surgiram 4.100 casos novos no ano em análise e 3.450 ligados aos cigarros. E são também reportados casos de cancro relacionados com a bexiga, cabeça e pescoço, esófago, estômago e laringe.
Dados anteriormente divulgados recordam os enormes custos que o tabaco tem para o Serviço Nacional de Saúde, ascendendo a 10% do orçamento anual, ou seja, 490 milhões de euros. Isto porque o tabaco foi a causa associada a 11,7% das mortes no País nesse mesmo ano. O vício é ainda ligado a 146 mil anos de vida perdidos 3.
Finalmente, pela saúde de todos, os fumadores vão ter de deixar o cigarro à porta na maioria dos espaços fechados 4.
 
1. Ver http://jn.sapo.pt/2007/12/31/nacional/lei_antitabaco_entra_vigor_sabor_cad.html
2. Ver http://dn.sapo.pt/2007/12/31/editorial/a_do_tabaco_sua_aplicacao.html
3. Ver http://dn.sapo.pt/2007/12/31/sociedade/fumo_associado_a_500_novos_casos_can.html
4. Ver http://dn.sapo.pt/2007/12/31/sociedade/asae_ver_espacos_avisos_e_ventilacao.html
Ver ainda Circular Informativa nº 46/DIR de 27/12/2007 IN www.dgs.pt
publicado por Sobreda às 09:15
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Sábado, 17 de Novembro de 2007

Traçado da CRIL gera queixa

O Governo adjudicou ontem a construção do último lanço dos 4,4 kms em falta para conclusão da Circular Regional Interna de Lisboa (CRIL) por 111,6 milhões de euros, tornando-se esta na “estrada mais cara de sempre, custando 25,3 milhões de euros por km”. A obra inclui a construção do lanço de 3,65 quilómetros do IC17 entre os nós da Buraca e da Pontinha e o lanço de 770 metros do IC16 entre o nó da Pontinha e a rotunda de Benfica. Integra também a reformulação do nó da Buraca, a conclusão do nó da Pontinha e ligações aos nós da Damaia e Portas de Benfica, Alfornelos, Pedralvas e Benfica 1.

O traçado aprovado, onde estão previstos circular mais de 120.000 veículos dia, atravessando zonas urbanas com elevada densidade de habitação obrigando à demolição de vários edifícios 2, deverá estar concluído no final de 2009. Os moradores nesses locais desde há muito vêm propondo um trajecto alternativo menos poluente, menos agressivo para a sua qualidade de vida e para o ambiente 3.

Perante a incapacidade de diálogo entre as partes, a Associação de Moradores do Bairro de Santa Cruz vai apresentar uma queixa contra o Estado português por “desrespeito” da Declaração de Impacto Ambiental do último troço da CRIL. A queixa será igualmente subscrita pelas Associações de Moradores de Alfornelos e da Damaia.

Segundo os moradores, a insistência do Governo em terminar o último troço da CRIL é “irregular e ilegal” por não respeitar a norma da Declaração de Impacto Ambiental (DIA) - do antigo Instituto de Ambiente - que obriga à implementação de três vias para cada sentido em túnel fechado entre os quilómetros 06.75 e o 1.700.

O traçado que o Governo impõe contempla a existência de quatro faixas em cada sentido com 310 metros a céu aberto, abrangendo toda a zona de Santa Cruz, Benfica e Damaia, que os moradores afirmam violar a lei portuguesa e uma decisão do Instituto do Ambiente.

Para o representante da comissão de moradores do bairro de Santa Cruz, é ainda “inadmissível” que o Governo insista num traçado “todo em curvas e perigoso, que obriga à colocação de radares e a um limite de velocidade de 50 quilómetros por hora” quando tinha “hipótese de optar por um traçado a direito”. Para os locais, o Governo está desde Julho estar a enviar cartas de expropriação “com carácter de urgência” aos moradores, classificando-o como um acto de “puro terrorismo do Estado”.

Na cerimónia de adjudicação da obra, o presidente da CML afirmou que a conclusão da CRIL vai permitir à cidade “recuperar de um atraso de décadas” e reinventar a Segunda Circular, para que se transforme “numa avenida urbana”, e que será uma obra que, servindo dois milhões de pessoas, será “uma peça fundamental nas melhorias da rede viária lisboeta” 4.

O que o Governo e a CML não explicam é o que acontecerá a todo o trânsito que será ‘despejado’ da Pontinha para Lisboa, invadindo e atravessando quer a Freguesia de Carnide, através da Avenida Marechal Teixeira Rebelo/Envolvente Carnide, e o próprio Lumiar, via Avenida das Nações Unidas/Telheiras/Eixo Norte-Sul. Os residentes nestes locais que se preparem para verem prolongados os engarrafamentos que o Eixo Norte-Sul veio trazer, pelo menos, ao troço Ameixoeira-Telheiras.

 

1. Ver http://dn.sapo.pt/2007/11/16/cidades/ultimo_lanco_cril_ser_a_estrada_mais.html

2. Ver http://jn.sapo.pt/2007/11/16/pais/fecho_cril_e_adjudicado_hoje.html

3. Ver www.cril-segura.com

4. Ver Lusa doc. nº 7709946, 16/11/2007 - 14:00

Foto: Público 2007-11-17

publicado por Sobreda às 00:52
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Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

Rosalinda se aterrares na Portela...

Aeroporto de Barajas, Madrid. Impecavelmente limpo e organizado, com uma tangível preocupação de promoção da Espanha e dos produtos espanhóis. Ali não se brinca. Sabe-se que a imagem do País começa e acaba nas primeiras e nas últimas impressões do viajante.

Aeroporto da Portela, uma hora depois. Um autocarro recebe os passageiros. Empoleirados nos varões, iniciam um supliciante percurso de braços esticados, dorsos hirtos e pernas instáveis, suportando, com a firmeza possível, a sinuosidade do traçado, por entre aviões, contentores, outros autocarros, escadas, cargas, etc. Segue-se a interminável espera das malas, numa gare atulhada de papéis e de restos de etiquetas que alcatifavam um chão já sem memória da última limpeza. A incúria, a sujidade, o desleixo estão patentes em todo o lado. Não apenas no lixo espalhado. Em tudo.

Poderá dizer-se que a ANA não investe na reforma do Aeroporto atenta a iminência da aprovação do novo. Mas, o que é certo e indesmentível é que a inauguração do anunciado virá longe e, por enquanto, em local e prazo incertos. Até lá, milhões de pessoas utilizarão a Portela. E formarão a sua ideia de Portugal conhecendo, e sofrendo, o actual Aeroporto Internacional de Lisboa.

Porventura lobrigarão a imagem correcta do País. Ou terão a surpresa de descobrir que este é um pouco menos desorganizado e caótico do que o Aeroporto que os recebeu. Eis mais uma singularidade portuguesa: conseguimos aparentar ser ainda piores do que realmente somos.

Entretanto, um leitor comentou também a péssima gestão do aeroporto de Lisboa.

Mais parece uma tenda, dando uma imagem muito negativa sobre o país. Atafulham-se os passageiros em autocarros em condições que nem para gado seriam aceitáveis. Quinze minutos para passar o controle de fronteiras. Quarenta minutos de espera pela bagagem. Falta de informação adequada e coordenada quando se desembarca, sem instalações condignas. Más ligações entre o aeroporto e a cidade para quem queira evitar a roubalheira e abuso de muitos taxistas.

Para quem chega, as primeiras impressões sobre Portugal são negativas. Para quem parte, a roubalheira praticada pelas lojas e bares do aeroporto não deixa saudades. Falta de profissionalismo quando se pede apoio a algum funcionário incomodado por lhe interromperem a conversa pessoal ou o prazer do cigarro que não deveria sequer ser admitido. A impressão geral dum pequeno grupo que recentemente levei a Portugal é que o aeroporto nem é melhor nem pior do que aquilo que, por vezes, designamos de terceiro mundo. A ANA terá muito a fazer se quiser dar a imagem dum aeroporto civilizado, e o ICEP deverá acordar e despertar para o muito que pode e deveria fazer no aeroporto 1.

Adaptando o poema de Fausto Bordalo Dias: Rosalinda se aterrares na Portela, se tu fores ver os aviões, cuidado não te descaia o teu pé de catraia em lixo e óleo sujo à beira do aeroporto 2. Tem cuidado...

 

1. Ler José Luís Seixas IN Destak 2007-10-31, p. 27

2. Ler http://natura.di.uminho.pt/~jj/musica/html/fausto-rosalinda.html

publicado por Sobreda às 01:35
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Terça-feira, 30 de Outubro de 2007

Monsanto sem chumbo e ruído

Por um Parque Florestal de Monsanto ‘sem chumbo’ e apto para o usufruto total dos cidadãos, foi o que fez com que 450 pessoas assinassem durante uma acção pública, na Serafina, uma petição que será enviada para a CML.

A iniciativa, da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB), decorreu domingo de manhã e contou “com cerca de 450 pessoas que, ao longo de várias horas, expressaram as suas opiniões, debateram o tema e assinaram a petição”, disse o presidente da FPCUB.

Monsanto “é o nosso Central Park, não pode ter chumbo”, frisa a FPCUB. A reunião informal pretendeu relançar a campanha de um parque “sem ruído, contaminação e ameaças”. O objectivo é o de “lutar pela saída do Clube de Tiro do coração de Monsanto”, garantindo a “segurança absoluta” de quem, cada vez mais, frequenta o parque “e o quer sem tiros, sem ruído, contaminação de solos e riscos” para a integridade física.

Da reunião informal foi redigida uma acta, que será entregue, com a petição, na CML, explicando “simplesmente que o Parque de Monsanto, a 28 de Outubro de 2007, não é o mesmo dos anos 60”, quando o clube foi instalado. “Hoje, há pessoas a correr, a andar de bicicleta, a passear, crianças, desporto. É o nosso pulmão, o nosso Central Park [Nova Iorque], não pode ter chumbo”. Os cicloturistas exigem por isso a revogação do contrato do Campo de Tiro pela autarquia.

A concessão terminou em Fevereiro e a CML suspendeu o tiro, mas permitiu a apresentação de projectos de minimização de impacte ambiental pelo clube. Segundo a FPCUB, mesmo com esta suspensão, ontem, foram encontrados chumbos. “Houve utentes que ouviram disparos. E outros que se queixaram de incidentes de segurança”, sublinhou 1.

A Plataforma por Monsanto vem também, desde há muito tempo, reivindicando a saída incondicional do campo de tiro daquele Parque Florestal 2.

 

1. Ver Destak 2007-10-29, p. 2

2. Ver http://osverdesemlisboa.blogspot.com/2007/10/indeferimento-do-campo-de-tiro.html

publicado por Sobreda às 01:45
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Quarta-feira, 6 de Junho de 2007

Incineradora de malas aviadas

A única incineradora de resíduos hospitalares do País vai sair do centro de Lisboa e mudar-se para a Chamusca, começando a funcionar em 2009. A incineradora está localizada no Parque da Saúde de Lisboa, junto ao Hospital Júlio de Matos, e perto de uma zona residencial. A instalação desta unidade de tratamento, valorização e eliminação no parque ambiental da Chamusca permitirá explorar sinergias entre vários tipos de resíduos, como os industriais, uma vez que aí ficarão também instalados os centros de resíduos perigosos, lançados ontem pelo ministro do Ambiente 1.

A saída da incineradora do coração da cidade era uma decisão reclamada há muito por “Os Verdes” que vinham alertando para os impactos na saúde pública das emissões poluentes libertadas por esta unidade.

Mas esta história tem que se lhe conte. É que ainda na recente Assembleia Municipal de 15 de Maio, os deputados municipais do Partido Ecologista “Os Verdes”, apresentaram uma recomendação sobre a “Incineradora do Hospital Júlio de Matos”, na sequência de uma série de anteriores acidentes nas caldeiras. Acontece que a proposta foi votada favoravelmente por todas as forças políticas excepto... os deputados do PS que votaram contra 2. Agora o Ministério da Saúde parece ‘dar a mão à palmatória’. Opta pela sua retirada de uma zona urbana, como vinha sendo exigido desde há muito tempo pelo PEV e toma a iniciativa de escolher um local alternativo.

O Instituto do Ambiente tendo monitorizado as emissões resultantes da queima de resíduos hospitalares, decidiu suspender a licença concedida à unidade por esta ultrapassar os valores limite que garantem a segurança das populações.

A urgência de uma unidade destas prende-se com o facto de haver apenas uma incineradora no País. E de determinado tipo de resíduos hospitalares considerados perigosos - como as seringas ou os materiais contaminados com sangue - serem de queima obrigatória. Sempre que é interrompido o funcionamento do centro, os resíduos têm de ser exportados, processo que traz grandes custos adicionais. Também por isso, a administração do SUCH tem vindo a defender a necessidade de construir uma segunda unidade para não colocar o país numa situação de dependência.

A incineradora apresenta-se agora com as malas de resíduos perigosos aviadas para mudar de ares, como aqui se vinha pedindo desde há muito tempo. Espera-se que até à mudança seja mantida uma monitorização apertada das caldeiras do Parque de Saúde de Lisboa, no Hospital Júlio de Matos. Pela nossa saúde !

1. Ver http://dn.sapo.pt/2007/06/06/sociedade/centro_queima_residuos_hospitalares_.html

2. Ler a história completa em http://osverdesemlisboa.blogspot.com/2007/06/incineradora-sai-do-jlio-de-matos.html

3. Ver http://cdulumiar.blogs.sapo.pt/tag/incinera%C3%A7%C3%A3o
publicado por Sobreda às 19:48
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Terça-feira, 15 de Maio de 2007

A má vizinhança de uma Incineradora

A incineradora de resíduos hospitalares localizada no Parque de Saúde de Lisboa, sita no Hospital Júlio de Matos 1, é actualmente a única existente no país, encontrando-se a proceder ao tratamento de cerca de 6.000 toneladas de resíduos perigosos por dia.

Apesar de em Novembro de 2003 a incineradora ter sofrido obras de requalificação, a 22 de Junho de 2006 ocorreu uma explosão numa das suas caldeiras. A sua actividade foi mesmo suspensa nesse mês de Junho e de novo em Novembro, tendo os seus resíduos hospitalares sido temporariamente exportados para países como a Alemanha e a Espanha. No final do passado mês de Março, a incineradora voltou a apresentar emissões de dioxinas e furanos 30 vezes acima do limite admissível.

Considerando esse elevado nível de emissões e a “situação de perigo grave para a saúde e ambiente”, a Inspecção Geral do Ambiente e Ordenamento do Território ordenou o encerramento da incineradora de resíduos hospitalares por alguns dias, tendo determinado a suspensão do funcionamento até ser garantido o cumprimento dos valores legalmente estabelecidos. Para além de tal facto, a incineradora tem-se mantido em actividade com uma licença provisória atribuída pela Inspecção-Geral de Saúde, sendo que o seu licenciamento definitivo só será concedido depois de verificado se estão a ser cumpridas as condicionantes impostas na declaração de impacte ambiental.

Acresce que para estas situações, “assumidas” várias vezes como pontuais, não existe a comprovação que não possam voltar a pôr em risco os residentes das limítrofes Freguesias de Alvalade, Campo Grande, Lumiar e São João de Brito. Ora, encontra-se sanitariamente provado que uma exposição a longo prazo a emissões de dioxinas e furanos pode acarretar graves riscos para a saúde humana, nomeadamente de certas formas de doenças tumorais e alterações hormonais, que podem provocar alterações fisiológicas, sobretudo em crianças e grávidas 2.

A própria CML já expressou a sua preocupação acerca da localização deste equipamento, por considerar que se encontrava demasiado próximo de zonas residenciais e por apresentar impactos negativos ao nível da qualidade do ar e do ruído.

Foi com base nestes pressupostos que o Partido Ecologista “Os Verdes” apresentou hoje na sessão da Assembleia Municipal de Lisboa uma Recomendação tendo em vista uma melhor fiscalização através da instalação de uma Estação de Monitorização da Qualidade do Ar, articulada com a rede já existente, e que os relatórios com os resultados da monitorização da referida incineradora sejam periodicamente divulgados.

A Recomendação, que propunha acima de tudo que as instâncias competentes procedam à descentralização a curto/médio prazo da incineradora para uma zona não residencial, no sentido de proteger a qualidade do ar, e consequentemente a qualidade de vida das populações aí residentes, foi aprovada por maioria com os votos favoráveis do PEV, PSD, PCP, BE e CDS. Apenas os deputados do PS votaram contra. Será por não estarem preocupados com este gravíssimo foco de poluição para a saúde humana? Ou será que apenas têm na cabeça as eleições intercalares para o município de Lisboa?

 

1. Ver a localização da central térmica junto à Rua das Murtas, perto da 2ª circular, no pavilhão 31C na planta do URL www.infarmed.pt/en/instituicao/mapas/mapa_interno.html

2. Ver http://mundodolixo.tripod.com/index_arquivos/page0004.htm

publicado por Sobreda às 20:42
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Sexta-feira, 20 de Abril de 2007

Saúde pública em perigo

Segundo um epidemiologista da Universidade de Coimbra, envolvido também na comissão independente para o estudo da co-incineração, o reinício da laboração da incineradora de resíduos hospitalares do parque de saúde de Lisboa, sito no Hospital Júlio de Matos, na ‘fronteira’ entre o Campo Grande e o Lumiar, é visto com muita preocupação. Depois de ter sido suspensa no dia 28 de Março, altura em que foram detectadas dioxinas e furanos 30 vezes superiores ao admissível, a queima estava prevista ser retomada esta quinta-feira.

O especialista alerta no entanto que, aquilo que foi classificado de episódio pontual, pode voltar a repetir-se, e dá exemplos de algumas das consequências deste tipo de emissões para a saúde pública no longo prazo. “Há riscos, nomeadamente certas formas de doenças tumorais, assim como alterações hormonais porque, quer queiramos quer não, essas substâncias actuam como disrruptores endócrinos capazes de provocar alterações fisiológicas sobretudo nas crianças e nas grávidas” 1.

A Quercus, por seu lado, recorda que este não é o primeiro acidente grave nesta estrutura. “Deve haver uma auditoria ao próprio equipamento já que não é normal haver tantos acidentes. Esses níveis de emissão mostram o mau funcionamento da unidade ou que os próprios resíduos não se adaptam ao tipo de tecnologia de tratamento”. A Quercus diz sempre ter contestado a localização desta incineradora numa zona residencial de Lisboa. O Fórum Cidadania Lx alerta também que "vai agitada e pode ser perigosa a vida deste equipamentoo" 2.

A porta-voz do conselho de administração do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) esclarecera, no final do mês passado, que a decisão do Ministério do Ambiente para o encerramento seria respeitada e que, enquanto a incineradora estivesse parada iria accionar o plano de contingência, que passaria pela exportação dos resíduos. Entretanto, o SUCH protestou e pediu novas análises, que se realizaram no início deste mês. Depois de conhecidos os dados das análises às emissões provocadas pela incineração procedeu à substituição dos filtros, estando agora autorizada a retomar a queima de lixos hospitalares, por despacho assinado ontem pela Inspecção-Geral do Ambiente.

Porém, o epidemiologista, não tem dúvidas de que a emissão de dioxinas é sempre perigosa, mesmo que os efeitos não se façam sentir de imediato. “Qualquer teor de dioxinas que possa ocorrer em locais que haja pessoas a viver é um perigo, mas com 30 vezes superior àquilo que a lei permite é inqualificável”, e que, aliás, este tipo de unidades não pode estar dentro das zonas urbanas 3.

Os Verdes” já alertaram mais do que uma vez para este problema 4. E este especialista também não tem qualquer dúvida quanto à urgência de encerrar a central de incineração do Parque de Saúde de Lisboa, lembrando que várias incineradoras hospitalares foram já encerradas em diversas zonas do país.

Assim sendo, porque esperam os Ministérios da Saúde e do Ambiente perante esta ameaça à saúde pública? Por um acidente bem mais grave?

 

1. Ver www.rr.pt/InformacaoDetalhe.aspx?AreaId=11&SubAreaId=39&SubSubAreaId=79&ContentId=204255

2. Ver http://cidadanialx.blogspot.com/2007/04/incineradora-do-jlio-de-matos-em-lisboa.html 

3. Ver www.rr.pt/InformacaoDetalhe.aspx?AreaId=11&SubAreaId=23&SubSubAreaId=53&ContentId=201948

4. Ver notas de rodapé ao artigo http://cdulumiar.blogs.sapo.pt/23860.html

publicado por Sobreda às 01:44
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Quarta-feira, 4 de Abril de 2007

Focos de Poluição

 

Não lhes bastava a enorme poluição atmosférica e sonora, os moradores das freguesias de Alvalade, Campo Grande, Lumiar e São João de Brito têm mais um foco maléfico para a saúde: uma incineradora de orgãos humanos, placentas e seringas instalada no Hospital Júlio de Matos.

Mais de 60% dos resíduos perigosos provenientes de todos os hospitais do país são aqui incinerados. Especialistas da Quercus afirmam que as emissões poluentes serão altamente cancerígenas. Os responsáveis da incineradora não desmentem esta afirmação, nem as suas consequências, apenas reduzem o número das prováveis vítimas. Será que não havia outro local no país que esteja menos poluído e habitado para instalar esta incineradora? 1

No dia 29 de Junho de 2006, explodiu neste centro de incineração uma caldeira. Logo no dia 7 de Julho o Grupo Municipal deOs Verdesapresentou um Requerimento na AML sobre a “Incineradora de Resíduos Perigosos no Hospital Júlio de Matos” 2, moção fortemente contestada pela administração hospitalar 3. Consequências para a saúde pública? Ninguém teve conhecimento.

Novo problema no final da semana passada. A Inspecção-Geral do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAOT) ordenou o encerramento da incineradora do Hospital Júlio de Matos por alguns dias, por ter apresentado emissões de dioxinas e furanos 30 vezes acima do limite admissível. O elevado nível de emissões resulta numa “situação de perigo grave para a saúde e ambiente”, pelo que foi determinada a suspensão do funcionamento da incineradora de resíduos hospitalares até que seja garantido o cumprimento dos valores legalmente estabelecidos.

As dioxinas e furanos são subprodutos gerados em processos químicos e de combustão, onde se inclui a incineração de resíduos. Os efeitos da exposição a estes compostos na saúde humana envolvem alterações no sistema imunológico, reprodutor e endócrino, podendo, em maiores concentrações, apresentar características cancerígenas, adianta a IGAOT. Recorde-se que a incineradora do Hospital Júlio de Matos está a funcionar com uma licença… provisória (!!) atribuída pela Direcção-Geral de Saúde. O licenciamento definitivo só será atribuído depois de verificado se estão a ser cumpridas as condições impostas pelo secretário de Estado do Ambiente, na declaração de impacto ambiental favorável que deu à requalificação daquela unidade de queima 4.

A administração do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) defendia já em 2005 sobre os resíduos perigosos que “não podemos correr o risco de os enviar para um aterro e provocar um problema de saúde pública. Um novo incinerador deveria ser construído no norte do País para evitar os custos e riscos do transporte dos lixos para Lisboa” 5. Mas a indecisão mantém-se.

A queima de resíduos nesta incineradora, a única em Portugal que trata resíduos hospitalares perigosos, esteve suspensa entre Junho e Novembro do ano passado, devido a uma explosão 6.

Agora volta de novo a encerrar (temporariamente) por ter ultrapassado os valores permitidos por lei. Será que (infelizmente) não há duas sem três?


1. Ver o URL http://jornalpraceta.no.sapo.pt/index.html

2. Ver o URL http://pev.am-lisboa.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=18&Itemid=32

3. “Incineradora em Lisboa só queima lixo obrigatório por lei” Público 2006-08-11

4. “Requalificação da Central de Incineração de Resíduos Hospitalares do Parque de Saúde de Lisboa”, Setembro de 2004

5. Ver o URL http://dn.sapo.pt/2005/04/13/sociedade/lixos_hospitalares_exportados.html

6. Ver o URL www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1289658 

publicado por Sobreda às 00:17
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