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CDU LUMIAR

Blogue conjunto do PCP e do PEV Lumiar. Participar é obrigatório! Vê também o sítio www.cdulumiar.no.sapo.pt

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Ao serviço da comunidade, mas sem imposição

cdulumiar, 21.02.07
Foi publicado no blog do PS Lumiar um texto intitulado “Ao serviço da comunidade” e que, puxando os galões da colaboração entre instituições – colaboração essa com a qual concordamos em absoluto e nada temos a objectar, antes pelo contrário –, tece várias críticas ao comportamento e tomadas de atitude por parte da Comissão Executiva Provisória (CEP) da Escola Secundária do Lumiar, sita na Rua Mário Sampaio Ribeiro (Quinta dos Frades).
Para quem não saiba, estas críticas vêm a propósito da não cedência do refeitório e do bar deste espaço escolar aquando da realização do último acto eleitoral – o referendo de 11 de Fevereiro –, o que foi bastante incómodo para as mais de 150 pessoas que garantiram o funcionamento daquela Assembleia de Voto, pois, para tomar um simples cafezinho tiveram de abandonar a sua secção e andar algumas centenas de metros fora da escola.
O Partido Comunista Português teve pela primeira vez contacto com este assunto pela boca do Sr. Presidente da Junta de Freguesia do Lumiar, Nuno Roque, que, em tom de queixa, o apresentou como um quase abuso de poder por parte do novo presidente da CEP. Olhando para os poucos documentos que na altura nos foram apresentados, também nos mostramos indignados pela atitude.
Mais tarde tomamos conhecimento que o PS Lumiar tinha pronto um texto de repúdio e de condenação a enviar à CEP e cujo conteúdo – que se encontra publicado no blog do PS Lumiar e foi enviado via telefax para a Escola Secundária – gostava de ver subscrito por mais forças políticas.
Porque defendemos que deve ser apurada a verdade, e não conhecíamos o “outro lado” – ou seja, a versão da própria CEP – pedimos em conjunto com o Partido Ecologista “Os Verdes” uma reunião que se realizou no passado dia 15 de Fevereiro. E o que ouvimos da boca do Sr. Prof. Carlos Alberto Martins Mendes e da Srª Profª Anabela Albino Gamito Fernandes, respectivamente Presidente e Vice-presidente da CEP, fez com que nos demarquemos totalmente da posição assumida pelo PS, que foi a nosso ver precipitada.
Precipitada porque, não querendo perder a oportunidade de “ganhar” alguns pontos em cima de um acto eleitoral, se esqueceu que era também esse o fito do PSD na pessoa do Sr. Presidente da Junta que, não tendo visto o seu estilo militarista e arrogante funcionar com instituições que não estão sob a sua alçada e não lhe devem meças – como é o caso da CEP da Escola Secundária do Lumiar –, resolveu contar só a parte que lhe fica bem em toda esta história, procurando reverter para si os louros. E porque não passando tudo isto de um contratempo, até arranjou uma solução mais a contento dos comensais: o restaurante – privado – na Quinta das Conchas. A Junta optou assim por um serviço de restauração privado em lugar de estabelecer um acordo com qualquer outra instituição pública da zona.
Esqueceu-se o Sr. Presidente da Junta de Freguesia do Lumiar de contar que, para que haja bom relacionamento entre as instituições, este tem de ser mútuo. Ou seja, as pessoas e os representantes das instituições têm de saber convidar e fazer-se convidar em vez de impor exigências... E esqueceu-se também o PS, na pressa de condenar, de ouvir todas as partes envolvidas...
O que é um facto indesmentível, é que se tivesse havido diálogo entre as partes, explicando a Junta à Escola que o porquê de solicitar – e não exigir – o refeitório e o bar se prendia com o número de pessoas envolvidas e com a distância a que ficam os cafés e outros serviços afins, se tivesse havido bom senso por parte do executivo da Junta, que inclusive antes de ter o refeitório e o bar disponibilizados, já havia falado com o funcionário que habitualmente explora o bar nestas ocasiões e com a empresa que confecciona as refeições, este mal entendido não teria ocorrido...
Houvesse razoabilidade e não tinha o Sr. Presidente da Junta telefonado para a escola “exigindo” os números de telefone pessoais dos elementos da CEP e a entrega de chaves de um espaço que não está sob o seu “mando”. Até porque não é assim que age – e muito bem – com outros espaços que ficam à sua responsabilidade, quando lhe são “emprestados” na presença dos “seus funcionários”.
Agradecemos por isso à CEP, que nos recebeu e nos mostrou as várias cartas trocadas entre a Escola e a JFLumiar, do dia 12 de Dezembro ao dia 8 de Janeiro, e nos contou muito mais sobre outras ‘faltas’, mas principalmente sobre a falta de colaboração e entendimento entre as duas instituições públicas.
Pois é, Sr. Presidente, não gostámos que nos tentasse atirar areia para os olhos...
Pois é, PS do Lumiar, as histórias têm tantos lados quantas as pessoas envolvidas. Lá diz o povo e com razão...!
Por isso, a bem da comunidade, sejamos todos mais construtivos, mas sem imposições.

Uma rosa por cada mulher: SIM !

Sobreda, 05.02.07

(…)

Luísa é nova,

desenxovalhada,

tem perna gorda,

bem torneada.

Ferve-lhe o sangue

de afogueada;

saltam-lhe os peitos

na caminhada.

Anda, Luísa.

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

 

Passam magalas,

rapaziada,

palpam-lhe as coxas

não dá por nada.

Anda, Luísa,

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

 

Chegou a casa

não disse nada.

Pegou na filha,

deu-lhe a mamada;

bebeu a sopa

numa golada;

lavou a loiça,

varreu a escada;

deu jeito à casa

desarranjada;

coseu a roupa

já remendada;

despiu-se à pressa,

desinteressada;

caiu na cama

de uma assentada;

chegou o homem,

viu-a deitada;

serviu-se dela,

não deu por nada.

Anda, Luísa.

Luísa, sobe,

sobe que sobe,

sobe a calçada.

 

Na manhã débil,

sem alvorada,

salta da cama,

desembestada;

puxa da filha,

dá-lhe a mamada;

veste-se à pressa,

desengonçada;

anda, ciranda,

desaustinada;

range o soalho

a cada passada,

salta para a rua,

corre açodada,

galga o passeio,

desce o passeio,

desce a calçada,

chega à oficina

à hora marcada,

(…)

IN: “Calçada de Carriche” de António Gedeão, “Poesias Completas (1956-1967)”

Por estas e por outras Luísas, dia 11 de Fevereiro, vota SIM no referendo à despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez !