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Quinta-feira, 5 de Março de 2009

Utilizadores de balneários públicos estão a aumentar

O número de portugueses que recorre aos balneários públicos está a aumentar em Lisboa, Porto e Coimbra, estando também a alterar-se o perfil social daqueles que recorrem aos banhos e lavagens gratuitos.

No balneário de Alcântara, o maior destes espaços em Lisboa, o número chega a ser de 400 aos fins-de-semana, muito por causa daqueles que nunca esperaram utilizar estes serviços públicos. Aqui há cerca de cem utilizadores diários aos dias de semana, número que quadruplica aos fins-de-semana, muito por ‘culpa’ das muitas famílias de classe média.
“Não pagam nem o sabão, nem a água, nem o aquecimento da água. Há pessoas que me dizem: 'o dinheiro está curto. Antigamente, o dinheiro chegava até ao dia 20, agora chega ao dia 10 e já não tenho'”, assinalou o presidente da Junta de Freguesia de Alcântara.
Um funcionário, que trabalha há 11 anos neste espaço, notou que muitas pessoas que lhe perguntam sobre as condições de funcionamento deste balneário, “são pessoas que já viveram mais ou menos e que agora, porque não têm dinheiro para comprar gás ou porque foram postos na rua porque não pagaram renda de casa ou porque têm água cortada, são pobres encobertos”.
Descreveu ainda um utente que vem de jipe e que entra apenas no espaço para se lavar, saindo depois sem falar, e de outros que trazem a roupa num cabide.
Estes novos utilizadores do balneário de Alcântara contrastam com os habituais utentes que têm à sua disposição gratuitamente não só os banhos, mas também outros serviços, como a roupa lavada.
No Porto, uma funcionária de um dos seis balneários da cidade também registou um aumento no número de utilizadores, que numa manhã chegaram aos 106 utentes, uma tendência idêntica à de Coimbra, onde os balneários reabriram há oito meses.
“Verificámos a partir de Outubro e Novembro novas adesões. Passámos de 16 para 29 e agora em Janeiro tivemos 35 utentes, sendo que no mês de Fevereiro já estamos a chegar perto dos 40”, assinalou a responsável por estes balneários na cidade de Coimbra, para quem a maior parte dos utilizadores dos balneários da terceira cidade portuguesa são sem-abrigo.
 
Ver http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=1159886
publicado por Sobreda às 00:59
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Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

Linha de emergência para ajudar população a combater o frio

Após uma reunião de coordenação do Plano de Contingência para apoiar a população de rua, idosos e crianças, realizada no quartel dos Sapadores Bombeiros de Lisboa, a CML disponibilizou uma linha de emergência (213 944 481), que ficou desde ontem em funcionamento para dar conselhos sobre o combate ao frio e prestar auxílio às populações.

“Nós entendemos que, para além do plano de emergência para a população de rua era necessário criar um plano de intervenção que apoiasse a população residente que está em maior risco perante uma situação desta natureza, e que são os idosos e as crianças. Nesse sentido, espoletámos – com a Polícia Municipal, os Sapadores Bombeiros e os Bombeiros Voluntários, a Protecção Civil e as Juntas de Freguesia – um plano que coloca no terreno 200 homens que vão prestar auxílio à população”.
Estas equipas mistas vão visitar escolas e bater às portas dos mais idosos que já estão sinalizados, no sentido de os sensibilizar para um conjunto de comportamentos para combater o frio e minimizarem os riscos para a saúde.
Quanto aos sem-abrigo, vão poder deslocar-se a um espaço de emergência no quartel do Regimento de Sapadores Bombeiros, na Avenida D. Carlos I, onde serão distribuídos alimentos, bebidas quentes e agasalhos.
Os sem-abrigo podem ainda reunir-se nas estações de metro do Saldanha, Santa Apolónia, Sete Rios e Baixa Chiado e na Gare do Oriente, Parque das Nações para serem depois transportados para o centro de emergência. Contudo, as estações de metro só deverão ficar abertas durante toda a noite se o alerta for elevado para o nível vermelho (actualmente o aviso é amarelo).
Os sem-abrigo podem também pernoitar nos centros do Beato, Xabregas, Graça e Glória (junto à Praça da Alegria) e em albergues nocturnos. As pessoas que quiserem ajudar podem entregar roupas e alimentos na Junta de Freguesia da área de residência.
O plano de contingência envolve 15 serviços do município, além de Organizações Não Governamentais (ONG), polícia e bombeiros. Mas para o município vai ser muito difícil saber quantos sem abrigo existem em Lisboa, mas estimou que sejam entre 800 a 900.
Em 2006, 90% dos sem-abrigo eram do sexo masculino e a faixa etária maioritária situava-se entre os 35 e os 44 anos. Problemas económicos, alcoolismo, doença mental e toxicodependência eram os principais motivos que conduziam a esta situação.
 
Ver http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1355262
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Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008

Famílias vêm à rua esperar pelo saco da comida

A Comunidade Vida e Paz (CVP) distribui todas as noites sacos de comida pelos sem-abrigo de Lisboa. Mas já não são apenas os ‘tradicionais’ sem-abrigo a esperar por estas ligeiras refeições.

A crise trouxe às ruas famílias inteiras que esperam pelas carrinhas e voltam depois para casa. Não gostam de falar com os voluntários e vivem à míngua. São mais de 5.000 a pedir ajuda em Lisboa.
Todas as noites as carrinhas distribuem 170 sacos com duas sandes, um bolo, um iogurte e um copo de leite pelos sem-abrigo de Lisboa. Mais 50 do que há dois anos. “Normalmente não sobra”. Não dão sopa nem uma refeição quente. Não é esse o propósito: o de alimentar. A comida é um pretexto para chegar à fala com quem por norma, se afasta da sociedade e diz querer estar sozinho.
Um dos voluntários na CVP garante que, em 2008, houve muito mais gente à espera das carrinhas. “Sim, notei um acréscimo. A crise é real. Dantes era o típico toxicodependente, o rapaz ou o velhote que bebia uns copos e tinha tido desavenças com a família, agora são famílias inteiras: o pai, a mãe e os dois filhos à meia-noite, ao frio, à nossa espera. Levam o saco, não querem conversar porque têm vergonha, e depois percebemos que recebem o Rendimento Mínimo, mas não lhes é suficiente”.
Em 2003, 859 carenciados procuraram a CPV, em Alvalade. Em 2006 eram já 2.930 e 4.285 em 2007. Como até Julho deste ano, 3.181 o tinham feito, facilmente se prevê que sejam neste mês de Dezembro mais de 5 mil.
Pão e um copo de leite pode ser pouco, mas se lhes fosse dada uma refeição quente e conforto, a rua poderia tornar-se uma opção mais aprazível e o objectivo é que estas pessoas queiram sair da rua e não propiciar-lhes condições para que lá se mantenham.
Mesmo os que querem trabalhar, deparam-se com obstáculos inultrapassáveis: não tem a sua higiene feita, não tem dinheiro para os transportes nem para comer e por isso não se sentem capazes de ir a um centro de emprego.

 

 

Além de que há um outro entrave. “Mesmo para trabalhos temporários é preciso dar a morada. Ora um sem-abrigo sabe que nem vale a pena tentar” explicar que reside num banco duma estação de comboios 1, ou debaixo de uma qualquer arcada da Praça do Comércio 2.
 
Foto http://lisboasos.blogspot.com/2008/12/patrimnio-mundial-da-desumanidade.html
1. Ver http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1063427
2. Ver http://osverdesemlisboa.blogspot.com/2008/12/debaixo-daquela-arcada.html
publicado por Sobreda às 00:27
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Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008

Famílias portuguesas em risco de pobreza

Quase 20% das famílias portuguesas continuam em risco de pobreza, segundo o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (EUSILC) realizado em 2007. Ao todo, são 18% os que se encontram em risco, mantendo-se o valor estimado para o ano anterior, avança o Instituto Nacional de Estatística (INE).

O impacto das transferências sociais (excluindo pensões) na redução da taxa de risco de pobreza foi de 6 pontos percentuais. De acordo com o mesmo inquérito, “o rendimento dos 20% da população com maior rendimento era 6,5 vezes o rendimento dos 20% da população com menor rendimento, observando-se uma ligeira redução face ao valor de 6,8 estimado no ano anterior”, diz ainda o INE.
A taxa de risco de pobreza corresponde à proporção de habitantes com rendimentos anuais por adulto equivalente inferiores a menos de 4.544 em 2006 (cerca de menos 379 por mês), o que reflecte um crescimento do limiar de pobreza de 4% face ao ano anterior.
Tal como nos anos anteriores, conclui-se que o risco de pobreza afecta sobretudo os idosos, com uma taxa de risco de 26%. Destes, verificava-se uma maior preponderância para as mulheres (27% face a 24% de homens idosos). Também os menores registavam uma taxa de pobreza superior à média nacional, estimando-se que 21% das pessoas com idade inferior a 18 anos se encontravam em risco.
Já o risco de pobreza para a população em situação de desemprego era de 32%, valor ligeiramente superior ao do ano anterior (31%). Esta condição afectava mais os homens, com 37%, do que as mulheres, com 28%.
Por outro lado, a população empregada (seja por conta de outrem, seja por conta própria) registava uma taxa de risco de pobreza de 10%, o que reflecte uma ligeira melhoria face ao exercício anterior (11%) 1.

 

 

Por isso, a alternativa só pode ser, não o da caridadezinha, mas o da luta contra a precariedade e por melhores condições salariais, contra a pobreza e subsequente exclusão social.
 
1. Ver http://diario.iol.pt/economia/pobreza-rendimento-ine-portugueses-emprego-pobres/1023521-4058.html
publicado por Sobreda às 00:09
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De desempregado a sem-abrigo, na primeira pessoa

Num Abrigo em Lisboa apoiado pela AMI, na Graça, eles contam como é sair do emprego e não ter uma casa à qual regressar. É que há cada vez mais gente sem abrigo e algumas destas pessoas até recebem um ordenado ao final do mês. Mas, tal não chega para mudar de vida. Alguns exemplos:

 

Tem 34 anos e foi segurança quase toda a vida. “Mas na empresa onde estava não me pagavam havia dois meses e fui-me embora. Pensava que ia ser fácil arranjar trabalho. Sempre tinha sido. Mas a verdade é que não arranjei. Até há um ano e pouco tinha uma casa alugada nos arredores de Lisboa, vivia sozinho.
O tempo foi passando, o dinheiro que tinha juntado acabou-se, inscrevi-me em tudo o que era sítio e não conseguia trabalho. As dívidas foram-se acumulando... Já não tenho nem mãe, nem pai. Tenho primos, mas uns disseram que não podiam por causa disto, outros por causa daquilo... Amigos, tenho poucos. Informei-me sobre onde é que podia dormir, arranjei um sítio onde meter as minhas coisas e entreguei as chaves ao senhorio.
Não fui dormir para a rua. Sempre achei que quem dorme na rua é porque tem um problema e o meu único problema era estar sem emprego. Fui para um abrigo em Xabregas. Foi um choque. Nunca tinha estado naquele mundo. Nunca tive problemas com droga, nem com álcool, nunca fiz nada de grave... e ali há de tudo.
Fiquei nesse abrigo nove meses. Pelo meio arranjei trabalho num restaurante, o meu objectivo era juntar dinheiro para pagar as duas rendas que é preciso avançar quando se aluga uma casa e o salário era razoável, 700 euros. Mas é difícil ter um trabalho daqueles e estar a dormir num abrigo. Uma pessoa chega cansada ao fim do dia e tem que levar com a fila para tomar banho, a fila para jantar... É filas para tudo e para mais alguma coisa. Não há silêncio. Éramos uns 250... vi coisas que nunca tinha visto na minha vida. Psicologicamente não andava nada bem. Despedi-me do restaurante porque não aguentava. Depois falaram-me do Abrigo na Graça. É mais pequeno, a primeira semana pareceu-me um sonho.
Há uns meses arranjei emprego como segurança, mas faltei três dias seguidos e despediram-me com justa causa. Faltei porque me sentia muito cansado. Não tenho médica de família e não consegui apresentar baixa. Sei que falhei. Mas não estou bem. Esta situação está-me a fazer mal. Nunca pensei que isto me ia acontecer.
Estou a viver com o dinheiro que juntei e tenho ajuda da Santa Casa da Misericórdia. Todos os dias vou procurar trabalho por aí. Aceito tudo, menos construção civil, porque tenho problemas de coluna. À tarde, vou à fonoteca, no Monumental, ou à videoteca, em Alcântara... mas os dias custam a passar. O Abrigo só abre às seis da tarde. Por isso é que adoro os fins-de-semana, porque abre mais cedo, às 16h, e posso estar em vez de andar na rua... e então é como se estivesse em casa...”
E quando “os salários são uma miséria”?
Tem 49 anos e um filho com 25 anos, que vive em Londres, e dois netos que ainda não conhece, de três anos e um ano e meio. “A minha profissão é motorista de pesados. Mas agora estou como jardineiro e chauffeur. Trabalho para uma empresa. Comecei há cinco meses. Ganho 426 euros, mais subsídio de alimentação. É muito difícil pagar uma renda com isto. É claro que gostava de ter o meu espaço, mais privacidade do que a que tenho aqui no Abrigo da Graça. O que mais me custa é as pessoas que ressonam imenso.
Há uns anos emigrei para o Norte da Irlanda e estive lá vários anos, trabalhava num matadouro. Mas as coisas correram mal... prefiro não falar nisso. Quando regressei a Portugal não tinha trabalho. Havia alguns problemas familiares e não sou pessoa de ir bater às portas para me darem a mão. Até porque dão a mão, mas logo a seguir estão-nos a dar na cara. Por isso, comecei a dormir na rua, em casa de amigos, debaixo da ponte, onde calhava.
Depois, arranjei um trabalho como motorista internacional. Dormia no camião, nas instalações do parque automóvel, às vezes alugava um quarto ou assim para descansar... Mas já não tinha 30 anos, já não tinha idade para aquilo. Consegui uma vaga aqui no Abrigo da Graça. E agora, estou a aprender esta profissão de jardinagem: plantar árvores de grande porte, arrancar raízes... estou a gostar. Trabalho numa empresa que tem a concessão da Expo. Tudo o que ali está de jardinagem é nosso.
Todos os dias acordo às 6h da manhã, tomo o pequeno-almoço, depois vou apanhar o [autocarro] 708 para o Parque das Nações e trabalho das oito horas da manhã até às cinco da tarde. Quando acabo, nunca venho directo para o Abrigo, gosto sempre de ir dar uma voltinha, beber um café.
As portas do Abrigo fecham às 22h30, mas podemos chegar ao pé do Pedro (o director) e dizer: 'Olha, hoje vou chegar à meia-noite', e não há problema. Precisamos é de dar conhecimento.
Não gosto de fazer planos. Quando faço saem-me sempre furados. Mas não queria acabar os meus dias aqui. Há muito tempo que não consumo drogas. Queria ter uma casa. E, se possível, encontrar uma mulher. Se formos dois a pagar a renda já é mais fácil.
Assim, sozinho, e com as rendas tão altas, acho difícil suportar as despesas, a alimentação e ter uma vida. Os salários em Portugal são uma miséria”. Casos de vida, contados na primeira pessoa.
 
Ver http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain%2Easp%3Fdt%3D20081221%26page%3D3%26c%3DA

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