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CDU LUMIAR

Blogue conjunto do PCP e do PEV Lumiar. Participar é obrigatório! Vê também o sítio www.cdulumiar.no.sapo.pt

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Gestão incompetente, estratégia para destruir o Serviço Nacional de Saúde ou ambas?

teresa roque, 28.03.10
 

A passagem à reforma desde o início do ano de cerca de 600 médicos do serviço público (metade dos quais médicos de família) e a ruptura pública na prestação de cuidados de saúde e na doença, coloca mais uma vez no centro do debate em torno da saúde, a importância dos recursos humanos no Serviço Nacional de Saúde.

Alguns dos que mais têm procurado denegrir e debilitar o Serviço Nacional de Saúde (SNS), com o objectivo de retirar ao Estado a sua função de prestador de cuidados de saúde entregando-a aos grupos privados, apressaram-se a tecer alguns comentários, procurando fazer passar a ideia de que não há nada que o governo possa fazer para conter esta saída. Nada mais falso!
A incapacidade de planeamento e gestão dos recursos humanos da saúde, por um lado, e uma estratégia de destruição do SNS que tem como uma das componentes fundamentais facilitar a fuga de profissionais para o privado, por outro, estão na génese da política de direita dos sucessivos governos do PS e PSD, com ou sem o CDS-PP. A saída precoce por via da antecipação das reformas é o resultado de uma mistura entre as penalizações introduzidas pelo Governo do PS nas reformas na Administração Pública e o mau estar que se vive no seio dos médicos que prestam serviço no SNS, com a desvalorização social, profissional e salarial a que têm sido sujeitos.
Os arautos do «Estado mínimo na saúde» sabem que uma gestão ruinosa dos recursos humanos na saúde é a forma mais eficaz de destruírem o SNS, independentemente dos prejuízos causados aos utentes, nomeadamente nas dificuldades crescentes que estes vão sentindo no acesso aos cuidados de saúde. A própria Organização Mundial de Saúde afirmou há poucos dias que Portugal era o País da União Europeia com maiores desigualdades no acesso aos cuidados de saúde.
Há muito que o PCP vem chamando a atenção para a previsível falta de médicos nos Cuidados de Saúde Primários (CSP) e para as causas de uma situação inaceitável que mantém mais de 700 mil portugueses sem médico de família. A imposição de barreiras administrativas no acesso de muitos jovens aos cursos de medicina, opção defendida por PS, PSD e CDS-PP, com o apoio activo da Ordem dos Médicos, a não abertura das vagas necessárias para a especialidade de Medicina Geral e Familiar, a par desvalorização que tem sido feita dos CSP tornando esta especialidade pouco atractiva para os jovens médicos, são as principais causas de uma situação que terá o seu ponto mais crítico por volta de 2015, ano em que 80 por cento dos médicos terão mais de 55 anos.
Hoje em Portugal a pirâmide da distribuição dos médicos pelos vários cuidados de saúde está completamente invertida. Por cada médico nos CSP existem 3,6 médicos nos hospitais, enquanto na Dinamarca por cada médico hospitalar existem 4 médicos nos CSP.

Governo é parte do problema

Mas a falta de médicos, particularmente nos CSP, é apenas uma parte, importante sem dúvida, do todo que inclui a falta de outros profissionais do sector, como é o caso dos enfermeiros. De acordo com os rácios da Organização Mundial de Saúde faltam cerca de 20 mil enfermeiros no SNS, nomeadamente enfermeiros de família, peça central numa verdadeira política de Cuidados de Saúde Primários. Apesar disto mais de três mil enfermeiros estão desempregados e inscritos nos Centros de Emprego.
O Governo do PS não está em condições de encontrar soluções porque ele é parte do problema. Entretanto, para evitar a ruptura de alguns serviços, vai permitindo a subcontratação, mesmo em situações de clara ilegalidade, de profissionais através de empresas de aluguer de mão-de-obra que por vezes chegam a cobrar o dobro daquilo que pagam ao trabalhador. Ilegalidade que se comete com a contratação de pessoas para os próprios serviços do Ministério da Saúde.
A solução não passa por criar regimes de excepção e muito menos legalizar qualquer solução que passe pela possibilidade do mesmo profissional ter nos serviços públicos a reforma e um salário. Conter a saída para as reformas antecipadas passa pela alteração das regras de aposentação e por garantir melhores condições de trabalho e salariais, pela garantia do vínculo público e a valorização das carreiras.
É fundamental restabelecer o princípio de salário igual para trabalho e condições de trabalho iguais, tornando mais atractiva a prestação de serviço no SNS, bem como o espírito de missão conforme à prestação de um serviço público de saúde, garantindo elevados níveis de qualidade dos cuidados.

 

Jorge Pires
Membro da Comissão Política do PCP

Publicado no Jornal " AVANTE " de 25.03.2010

Encontro sobre Saúde

cdulumiar, 12.09.09

DOMINGO ­– 13/SET/ 2009 – 15.30H

NO LARGO DAS GALINHEIRAS
 
 Com a participação de:
 
BERNARDINO SOARES – Deputado do PCP na Assembleia da República;
 
BRUNO RÔLO – candidato a Presidente da Junta de Freguesia da Ameixoeira;
 
DAVID CASTRO - candidato a Presidente da Junta de Freguesia da Charneca;
 
TERESA ROQUE - candidata a Presidente da Junta de Freguesia do Lumiar.
   
Pela defesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS):
 
· Exigimos o reforço de pessoal médico, de enfermagem, administrativo e auxiliar, no Centro de Saúde do Lumiar e suas Extensões, para que se acabe com a actual situação de cerca de 20.000 utentes sem médico de família nas Freguesias do Lumiar, Charneca e Ameixoeira;
 
· Reclamamos a construção urgente do novo edifício do Centro de Saúde, já com terreno disponível no Montinho de S. Gonçalo, para servir as populações da Ameixoeira e da Charneca;
 
·  Defendemos transferência dos serviços da Extensão da Charneca, actualmente a funcionar num edifício de habitação adaptado e sem condições de dignidade, para este novo equipamento a construir;
 
· Reivindicamos a resolução da solução provisória para a Extensão da Musgueira, actualmente a funcionar em lojas comerciais adaptadas, construindo um novo edifício definitivo, como está previsto no Plano do Alto do Lumiar;
 
Lutamos por melhores condições de trabalho para os profissionais de saúde e de atendimento para os utentes.

Hospitais privados discriminam doentes beneficiários da ADSE

Sobreda, 29.06.09

Depois de há um ano ter denunciado a prática de discriminação de utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) por unidades privadas convencionadas com o Estado, a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) concluiu agora que havia hospitais privados que faziam exactamente o mesmo com os beneficiários da Direcção-Geral de Protecção Social aos Funcionários e Agentes da Administração Pública (ADSE), o subsistema de saúde dos funcionários públicos.

Ou seja, os estabelecimentos marcavam rapidamente consultas e exames a clientes particulares, que pagam na hora, e chegavam a demorar meses a atender os beneficiários da ADSE. Em causa estão unidades com a dimensão do Hospital da Arrábida (Gaia), do Hospital da Luz e da Clínica Cuf Belém (ambos em Lisboa), os dois primeiros pertencentes ao grupo Espírito Santo e o terceiro ao grupo Mello.
Na sequência de várias queixas e ao fim de alguns meses de investigações, a ERS emitiu recentemente instruções contra as três unidades de saúde por não usarem como critério de atendimento a ordem de chegada, mas sim a fonte financiadora dos utentes.
A reguladora deu ainda uma espécie de puxão de orelhas à ADSE, lembrando que o subsistema “não deverá limitar-se a celebrar acordos ou convenções” com unidades de saúde privadas sem tratar posteriormente de verificar se as condições contratadas se mantêm.
Da Clínica Cuf Belém o caso que chegou à ERS foi o de um funcionário público que apenas teria hipótese de marcar um exame de electromiografia para seis meses mais tarde mas, se fosse como particular e pagasse 100,41 euros, já seria examinado logo no dia seguinte. Como justificação, os responsáveis argumentavam que a procura era desajustada em relação à oferta e que os preços de várias consultas e exames “não cobrem o preço de custo”.
Na resposta ao inquérito da ERS, o Hospital da Luz, em Carnide, alega que não discriminava utentes, mas apenas estabelecia quotas para os subsistemas, um “instrumento de gestão” (?) e de “distribuição equilibrada (?) da capacidade instalada”.
Aliás, este Hospital foi também o que acumulou maior número de reclamações (duas dezenas). As queixas eram sempre do mesmo teor: os funcionários públicos diziam ser confrontados com esperas de vários meses para consultas de cirurgia, ginecologia, ortopedia, oftalmologia, otorrinolaringologia, urologia e exames de electromiografia, na qualidade de beneficiários da ADSE.
Porém, se se apresentassem como clientes particulares, seriam atendidos em poucos dias. Um doente que quis consultar o seu psiquiatra para verificação da medicação recebeu a resposta de que isso só seria possível se pagasse 90 euros pela consulta 1.
E esta é apenas mais uma ‘estória’ de como tem sido vilipendiado o Serviço Nacional de Saúde pelos privados, com a conivência do Estado português e dos seus sucessivos Governos de direita.
 

Uma das maiores conquistas da Revolução de Abril

cdulumiar, 22.06.09
O Serviço Nacional de Saúde (SNS) comemora este ano o seu 30º aniversário, constituindo-se como uma das maiores conquistas da Revolução de Abril, surgindo como uma das grandes aspirações e necessidades das populações.
Com o sua criação, refere, em nota de imprensa, o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP), «para além de passarmos a ter direito à protecção da saúde de forma universal, geral e gratuita, com define a Constituição da República, cabendo ao Estado a função social de zelar pela prestação da saúde de todos os cidadãos sem qualquer tipo de discriminação, foi também possível obter ganhos de saúde extremamente importantes que levaram a que o SNS fosse considerado em 2001, pela Organização Mundial da Saúde, como o 12.º melhor do mundo, muito embora os seus recursos financeiros fossem muito inferiores a muitos outros que ficaram em posições bem mais recuadas».
Entretanto, quando o que se impunha era aumentar a sua capacidade de resposta às necessidades das populações e melhorar a sua capacidade dotando-o das condições financeiras, técnicas, instalações e humanas necessárias, os sucessivos governos, com relevo para o actual, capitulando perante as exigências dos grupos económicos, optaram por tomar medidas e posições políticas que puseram e continuam em causa encerramento de maternidades, SAP’s e Serviços de Urgência, havendo cerca de um milhão de pessoas sem médico de família e cerca de 250 mil em lista de espera para consultas externas e intervenções cirúrgicas.
Foram ainda introduzidas taxas moderadoras e taxas para internamento hospitalar e tratamento ambulatório, e entregues ao sector privado com interesse na área da saúde importantes serviços, situações que fragilizam e degradam a sua qualidade, aumentando as dificuldades de acesso, reduzindo direitos dos utentes e trabalhadores, acentuando as assimetrias e desigualdades sociais.
Neste sentido, considerando a importância que o SNS assume para a melhoria da qualidade de vida e bem-estar das pessoas, o MUSP «manifesta-se contra a política para o sector da saúde seguida por anteriores e actual Governo, exigindo a sua substituição por uma outra política que melhore a qualidade dos serviços e de acesso, aumente a sua capacidade de resposta, que proceda à abolição das taxas moderadoras, de internamento e de tratamento ambulatório, repondo os direitos entretanto retirados a utentes e trabalhadores».
Avante 18/06/2009

Defesa do Serviço Nacional de Saúde é imperativo nacional

Sobreda, 19.05.09

O secretário-geral do PCP considerou ontem um “imperativo nacional” a defesa do Serviço Nacional de Saúde “geral, universal e gratuito”, criticando o que disse ser o “ataque generalizado” ao serviço público e às carreiras médicas.

O dirigente comunista falava em Lisboa num debate sobre as perspectivas de evolução do Serviço Nacional de Saúde, promovido pela Ordem dos Médicos, durante o qual a discussão ficou também marcada pela polémica recente sobre a prescrição de medicamentos, que opôs esta classe aos farmacêuticos.
Alguns médicos mostraram receios que os medicamentos vendidos nas farmácias não correspondam àquilo que eles prescreveram, caso o façam por princípio activo, mas garantiram que não têm reservas quanto aos genéricos.
Sobre esta matéria, Jerónimo de Sousa considerou que “tarda a prescrição pelo princípio activo, acompanhada por medidas que impeçam o controlo” dos medicamentos vendidos, pela indústria farmacêutica e pelas farmácias.
O PCP defende que a manutenção da “possibilidade de ser o médico a prescrever um medicamento com a indicação de uma marca, com a devida fundamentação. Não passamos um atestado de desconfiança aos médicos. Eu ponho-me no papel de um utente. Tenho muito mais confiança num médico do que nos interesses económicos, que têm por objectivo o lucro”, afirmou o líder comunista, que sublinhou que “deve sempre estar presente o interesse do utente e a garantia de saúde pública”.
Para Jerónimo de Sousa, a polémica sobre a prescrição dos medicamentos faz parte de uma ‘ofensiva’ ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) que começou “com os encerramentos e lógicas economicistas, que só abrandou devido à luta das populações”.
Agora, referiu, esta ofensiva entra numa segunda fase: “eles precisam de atacar a classe médica e enfermeiros” para alcançar a privatização. “Precisam de neutralizar os seus principais agentes, procurando criar as condições para o recurso ao privado, provocar um amaldiçoar do serviço público para se olhar para a alternativa que é o serviço privado”.
Por outro lado, “o ataque ao SNS passa fundamentalmente pela vertente económica e financeira, facto a que não são alheios os valores movimentados anualmente neste sector”, considerou ainda Jerónimo de Sousa, que destacou também que “uma outra linha de ataque dos defensores da privatização é a utilização do dogma de que a gestão privada é mais eficiente que a pública”.
“Os esforços dos grandes grupos financeiros para se apoderarem do negócio da saúde têm provocado alterações profundas nas relações entre o SNS e os prestadores privados”, degradando também as relações com os profissionais de saúde, sublinhou o líder do PCP, defendendo que o desenvolvimento do Serviço Nacional de Saúde passa pela renovação dos Cuidados de Saúde Primários, e considerando “um desaire” a política do Governo nesta área, que “gerou desigualdades”.

O fim da empresarialização dos serviços de saúde públicos, o fim da promiscuidade entre público e privado, uma "verdadeira reforma" dos cuidados de saúde primários, a abertura de novos centros de saúde, a abertura de vagas para medicina geral e familiar e a criação de uma carreira de Saúde no Trabalho são algumas das medidas propostas pelo PCP para garantir um SNS “geral, universal e gratuito”.
 

ID debate 30 anos de SNS

Sobreda, 12.05.09

 

A Associação Intervenção Democrática promoveu no passado sábado, dia 8 de Maio à tarde, um debate sobre o Serviço Nacional de Saúde que agora comemora 30 anos.

O debate contou com a presença do próprio autor da Lei nº 56/79, de 15 de Setembro, o então Ministro da Saúde do 2º Governo Constitucional, dr. António Arnault (2º na foto, a contar da esquerda).
Arnault procedeu a uma caracterização muito crítica sobre as repetidas tentativas dos diversos Governos PS, PSD e CDS para desmantelar o SNS, privatizando-o.
Recorda-se que a Constituição da República Portuguesa 1 prevê no capítulo dos ‘Direitos, e deveres sociais, no seu artigo 64º, a gratuitidade do SNS, designadamente:
«1. Todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover.
2. O direito à protecção da saúde é realizado:
a) Através de um Serviço Nacional de Saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito;
b) Pela criação de condições económicas, sociais, culturais e ambientais que garantam, designadamente, a protecção da infância, da juventude e da velhice, e pela melhoria sistemática das condições de vida e de trabalho, bem como pela promoção da cultura física e desportiva, escolar e popular, e ainda pelo desenvolvimento da educação sanitária do povo e de práticas de vida saudável (…)»
As intervenções do debate serão incluídas no próximo número da ‘Revista Seara Nova’.
 

Duplicou o número de utentes sem médico de família

Sobreda, 01.04.09

O número de utentes sem médico de família em Lisboa duplicou entre 2004 e 2007 e ultrapassou as 100 mil pessoas, segundo a Carta de Equipamentos de Saúde, que esteve em análise na reunião de ontem da CML.

De acordo com o documento, desde o arranque das políticas de reestruturação dos centros de saúde até 2007 o número de pessoas sem médico de família em Lisboa passou de 46.481 para 101.208.
O Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) da Lapa é aquele que concentra as maiores disparidades, já que abrange os centros de saúde com mais carências a este nível - Ajuda (26,2% dos utentes sem médicos de família), Coração de Jesus (23,5%) e Sto. Condestável (20,7%) - e os mais bem servidos (Alameda e Luz Soriano).
A Carta indica ainda que nos últimos quatro anos houve um aumento de 6,2% do total de inscritos em Centros de Saúde e uma redução de 8,2% nos médicos de família.
Apesar do decréscimo acentuado de população em Lisboa nos últimos 30 anos, o número de inscritos nos centros de saúde tem vindo a aumentar, o que pode ser explicado pela permissão (com a actual reforma) de cada utente de inscrever no centro da sua área de trabalho.
Já em sentido contrário tem evoluído o número de médicos de clínica geral nos centros de saúde em Lisboa, que baixou mais de oito por cento entre 2004 e 2007, passando de 426 para 391.
Outro dos dados salientados na Carta dos Equipamentos de Saúde é o aumento do rácio do número de utentes inscritos por cada médico de clínica geral entre 2004 e 2007, que na cidade de Lisboa passou de 1.582 para 1.837 (subiu 14%), com maior incidência nos ACES da Lapa (mais 17%) e de Sete Rios (mais 16%).
Este aumento de utentes por médico de família ocorreu em todos os centros de saúde de Lisboa, apesar de ter baixado a partir de 2005 em quatro centros: Lumiar, Marvila, Penha de França e S. João.
A Carta alerta ainda para a necessidade de planear a rede de equipamentos de cuidados primários de saúde da cidade de Lisboa “atendendo às novas dinâmicas populacionais e às previsões de evolução” 1.
Os dados referentes ao Centro de Saúde do Lumiar indicando que teria “baixado a partir de 2005” são totalmente falsos, segundo dados da própria administração do Centro e a que acresce o aumento exponencial de moradores nas 3 freguesias cobertas pelo Plano de Urbanização do Alto do Lumiar. Ameixoeira, Charneca e Lumiar.
Daí que a AUSACL - Associação de Utentes da Saúde (daquelas três freguesias) – tenha lançado uma petição on-line exigindo o aumento do número de médicos de família, enfermeiros e pessoal auxiliar, bem como a construção dos novos equipamentos de saúde previstos no PUAL 2.
 

Governo utiliza os Hospitais para reduzir défice real

Sobreda, 10.02.09

«O défice orçamental real é superior ao apresentado pelo Governo. E isto porque Sócrates está a utilizar artifícios de engenharia financeira para ocultar uma parte desse défice, ou seja, está a utilizar os mesmos procedimentos que tanto criticou ao Governo PSD/PP. Por essa razão, e contrariamente à mensagem que tem procurado fazer passar junto da opinião pública, o País não está preparado também neste campo para enfrentar a crise.

Este Governo está a utilizar os Hospitais EPE, que pertencem ao SNS, para reduzir o défice orçamental. E como esses hospitais empresas, embora pertencendo ao SNS, são entidades autónomas, os seus prejuízos não são considerados para o cálculo do défice orçamental.
A ‘habilidade’ de engenharia financeira deste Governo tem sido a seguinte: fazer transferências insuficientes do OE para o SNS, o que contribui para a redução do défice. Os prejuízos que inevitavelmente resultam dessa política são concentrados nos Hospitais EPE. E como eles não entram para o cálculo do défice, reduz este. E apresenta desta forma um défice mais baixo ficando ele, no entanto, oculto nos Hospitais EPE, à semelhança do que também acontece mas empresas públicas de transportes.
Como consequência, as transferências do SNS para os Hospitais EPE, através da rubrica ‘Aquisição de serviços’, têm sido manifestamente insuficientes para pagar as suas despesas, o que tem determinado o surgimento de elevados prejuízos.
Em seis anos, ou seja, entre 2003 e 2008, os Hospitais EPE acumularam resultados operacionais negativos que já somam menos 1.129,6 milhões de euros, e os resultados líquidos negativos, referentes ao mesmo período, já totalizam menos 793 milhões de euros.
E apesar destes hospitais empresa pertencerem ao SNS, estes prejuízos não entraram no cálculo do défice orçamental. Se estes hospitais continuassem a ser hospitais do Sector Administrativo Público, Hospitais SPA como eram no passado, e como ainda são muitos hospitais, os seus prejuízos teriam de ser considerados no cálculo do défice orçamental.
Como consequência, as dividas dos Hospitais EPE dispararam. No fim de Dezembro de 2007, as dívidas do Serviço Nacional de Saúde somavam 2.247,35 milhões de euros. Deste total, 59,7%, ou seja, 1.342,4 milhões de euros, eram dívidas de Hospitais EPE.
Apesar destas dívidas resultarem, na sua esmagadora maioria, de despesas correntes, o Governo pretende que elas sejam pagas com as dotações para capital que ainda restam nos Hospitais EPE. Mas para evitar que isso entre para o cálculo do défice orçamental, inventou um artifício de engenharia financeira. Criou um fundo, a que chamou Fundo de Apoio aos pagamentos de fornecedores do Serviço Nacional de Saúde, para onde os Hospitais EPE terão de encaminhar a parte que ainda resta das dotações de capital que lhe foram atribuídas, através da compra de unidades de participação, e então os meios financeiros obtidos desta forma pelo Fundo já poderão ser utilizados pelos diversos hospitais, através de empréstimos obtidos junto desse Fundo, para pagar despesas correntes.
E embora o Governo tenha tomado o compromisso de devolver aos hospitais os meios que eles foram obrigados a colocar nesse Fundo, o certo é que enquanto isso não acontecer não haverá necessidade do Orçamento do Estado fazer transferências para esses hospitais poderem anular esses prejuízos, portanto não haverá necessidade de aumentar o défice orçamental.
Assim se vê como é que este Governo, com ‘um passe de mágica’, utiliza dotações de capital para pagar despesas correntes sem aumentar o défice orçamental e como transfere mais este ‘buraco’ para as gerações futuras. (Tudo à custa da nossa saúde).
Em resumo, fica assim claro que este governo utiliza os mesmos métodos que tanto criticou ao governo PSD/CDS, por um lado, e, por outro lado, que o défice orçamental real é superior ao apresentado pelo Governo.
É por isso urgente calcular o défice oculto que este Governo espalhou por várias entidades pois, tarde ou cedo, os portugueses terão também de o pagar, ou à custa de mais impostos ou de uma maior degradação dos serviços dos hospitais EPE com o objectivo de obrigar a criar excedentes para anular os prejuízos acumulados.
Uma das mensagens que actualmente este Governo tem procurado fazer passar junto à opinião pública, é que conseguiu reduzir significativamente o défice orçamental e que, por esse facto, o País está mais preparado para enfrentar a crise, pois assim poderá tomar medidas que, se o défice fosse mais elevado, já não poderiam ser implementadas.
Mas a maioria das medidas anunciadas pelo Governo não terão quaisquer efeitos em 2009 e, para além disso, como iremos provar neste estudo, utilizando dados do próprio Governo, a redução real do défice não é tão elevada como a propaganda governamental pretende fazer crer. E isto porque uma parte importante do défice tem sido ocultado através das transferências para outras entidades, nomeadamente empresas públicas.
Por outras palavras, este governo está a utilizar os mesmos expedientes de engenharia financeira, que tanto criticou ao governo PSD/CDS, para ocultar o défice orçamental» (…)
 
Ler estudo do economista Eugénio Rosa “Hospitais EPE estão a ser utilizados pelo governo para reduzir o défice orçamental”

Aumentam os atendimentos nos Centros de Saúde

Sobreda, 10.02.09

Os Centros de Saúde da região de Lisboa e Vale do Tejo realizaram no ano passado mais 224.151 consultas programadas de medicina geral e familiar do que no ano anterior, fazendo 971 atendimentos médicos por hora.

Os 87 centros de saúde desta região - que inclui os distritos de Lisboa, Setúbal e Santarém, com uma população estimada de 3.378.999 habitantes - realizaram 8,5 milhões de consultas em 2008, um aumento de 2,7 por cento em relação ao período homólogo, o que equivale a 2,5 consultas por habitante, adianta em comunicado a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT).
A maioria das consultas realizadas foi no distrito de Lisboa (4.970.837), seguindo-se Setúbal (2.098.916) e Santarém (1.432.607).
Das 8.502.360 consultas realizadas em 2008 nos centros de saúde, 7.155.807 foram de adultos, 831.033 infantil, 273.730 de planeamento familiar, 201.545 de saúde materna e 40.245 domicílios, segundo os dados da ARSLVT.
O Centro de Saúde de Sacavém, com nove extensões e uma Unidade de Saúde Familiar, foi o que mais consultas (273.633) realizou ao longo do ano passado. Este Centro de Saúde cobre uma área de 34,8 km2 e tem cerca de 140.152 utentes inscritos, numa das zonas do país com maior densidade populacional 1.
Ao aumento do número de consultas por unidade de saúde não será alheio o encerramento de alguns centros de saúde e respectiva concentração de serviços, com óbvio empobrecimento da qualidade do atendimento dos utentes / doentes.
 

Porque é tão atacado o SNS?

cdulumiar, 14.01.09

 
O sector da Saúde da ORL editou o seu Boletim de Janeiro, onde se pode ler que «quase quatro anos passados de Governo Sócrates/PS são já bem perceptíveis as verdadeiras intenções do seu executivo, nomeadamente na área da saúde».
E o que faz correr estes pseudo-socialistas, na breve passagem pelo Governo - qual trampolim para as confortáveis cadeiras de conselhos de administração empresariais - senão satisfazer os interesses dos grandes grupos financeiros!?

Ler Boletim em PDF